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sábado, 4 de julho de 2026
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Reunião discute Zoneamento de Risco Climático para a cultura da mandioca no AC

Pesquisadores da Embrapa se reúnem com agricultores familiares, gerentes de cooperativas, representantes de associações rurais, agentes financeiros e gestores de instituições de fomento à produção, entre outros atores envolvidos com a cadeia da mandiocultura no Juruá, na quarta-feira, dia 26 de junho, para discutir a versão preliminar do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para o cultivo de mandioca.

A reunião técnica acontece na sede do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em Cruzeiro do Sul, a partir das 8h, e tem como objetivo colher contribuições para os ajustes necessários para a validação do documento.

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático é um instrumento de política agrícola, elaborado a partir de metodologia validada pela Embrapa e adotada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para diversos estados, desde 1996. No Acre, os estudos iniciaram em 2016, por meio de um Termo de Execução Descentralizada, firmado entre a Embrapa e Mapa, que contempla culturas prioritárias para a economia local. O trabalho, realizado em parceria com a Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP), tem como primeiro resultado o zoneamento para a cultura do milho, cultivares de ciclo precoce, médio e tardio em solos de textura arenosa, média e argilosa, com abrangência para todo o estado, publicado em 2018.

“Este ano o foco dos estudos é o zoneamento para o cultivo de mandioca. Há empresários interessados em investir no cultivo da raíz para a produção de farinha, no Juruá e em outras regionais, e o ZARC visa reduzir riscos na cultura e proporcionar segurança para a obtenção de financiamento para essBe elo do agronegócio acreano. Na sequência trabalharemos no zoneamento da soja. Além disso, estamos discutindo a possibilidade de inclusão de outras cadeias produtivas importantes para a região como cacau e pastagens”, explica o pesquisador da Embrapa, Falberni Costa, responsável pelos estudos no estado.

Aspectos analisados

Realizado por cultura agrícola, o Zoneamento de Risco Climático visa identificar a melhor época de plantio ou semeadura para formação das lavouras, em diferentes tipos de solo. De fácil adoção, a ferramenta auxilia na tomada de decisão por parte de produtores rurais e agentes financeiros. Disponibilizada no site do Mapa, tem vigência anual, requerendo atualização das informações por safra.

Segundo Costa, as análises na elaboração dos mapas consideram aspectos do clima, como precipitação pluviométrica, temperatura, déficit hídrico e estiagem; do solo, como a disponibilidade máxima de água na área de cultivo, estimada em função da profundidade efetiva das raízes da planta; e os ciclos de cultivares, quantificando potenciais riscos climáticos que podem causar perdas na produção. “A partir do cruzamento dessas informações são indicados os municípios aptos e os períodos de plantio ou semeadura em diferentes ciclos de culturas e tipos de solo. Essas recomendações permitem melhorar o rendimento e minimizar riscos nas culturas, associados ao clima, garantindo a viabilidade econômica do investimento”, destaca.

Além de proporcionar segurança aos cultivos e evitar perdas na produção, a adoção de informações do ZARC facilita o acesso a iniciativas de incentivo e apoio agrícola como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), que permite a extinção de dívidas decorrentes de operações de crédito rural de custeio em caso de dificuldades de pagamento decorrentes da ocorrência de fenômenos naturais, pragas e doenças em plantações ou rebanho, o Proagro Mais, seguro público destinado a atender pequenos produtores vinculados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) nas operações de custeio agrícola, e Programa de Subvenção Federal ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que paga parte do seguro contratado pelos produtores nas seguradoras.  Algumas instituições financeiras também condicionam a concessão de crédito rural ao uso de práticas recomendadas pelo documento.

Janelas de plantio

A partir do cruzamento de inúmeras informações térmicas e hídricas relacionadas à cultura estudada, a metodologia do zoneamento define “janelas” de plantio. Resultados iniciais do estudo com a mandioca indicam os meses de setembro e outubro para plantio no Juruá, com colheita em julho do ano seguinte, para materiais genéticos com média de 10 a 12 meses de cultivo. Costa acredita que as informações geradas não são muito diferentes das práticas usuais de grande parte dos agricultores da região. Entretanto, para materiais mais precoces ou tardios os ajustes quanto à época de plantio dependerão das exigências de cada um, mas, em termos gerais, o plantio não deve ultrapassar a primeira semana de dezembro. Após esse período chove bastante na região e, mesmo em solos com boa capacidade de drenagem, o excesso de água pode aumentar os riscos de perda de material propagativo (manivas).

“Os dados relativos a época de plantio da mandioca na região do Juruá, gerados pelo zoneamento, serão apresentados aos participantes da reunião, que poderão opinar sobre as informações, considerando suas práticas de cultivo. É essencial a participação de diferentes atores nesse processo, especialmente os produtores rurais das áreas tradicionais de cultivo de mandioca, em função dos conhecimentos que dispõem sobre aspectos ambientais e da produção, decorrentes da experiência com a cultura”, destaca o pesquisador.

Os estudos de zoneamento da mandioca também serão validados por produtores rurais, empresários e outros atores envolvidos com a mandiocultura no município de Xapuri, em data a ser confirmada. Mesmo as sugestões que não possam ser incorporadas, por não estarem contemplada nas variáveis utilizadas pela modelagem aplicada ao estudo, quando consideradas relevantes para a condução da cultura serão relatadas no documento final. (Assessoria Embrapa)