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terça-feira, 4 de agosto de 2026
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Professora da UFRN denuncia plágio internacional de método que usa Taylor Swift para ensinar botânica

Uma metodologia criada por uma pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) para tornar o ensino de botânica mais atrativo ganhou reconhecimento internacional e agora está no centro de uma denúncia de plágio acadêmico. Desenvolvido pela professora Gláucia Lidiane da Silva, o chamado Método Taylor Swift utiliza videoclipes da cantora norte-americana como recurso pedagógico para aproximar estudantes dos conteúdos da disciplina.

Publicado em 2025 na revista científica Annals of Botany, considerada uma das mais prestigiadas da área, o método passou a ser referência internacional. Segundo a pesquisadora, entretanto, um professor da Universidad Miguel Hernández de Elche (UMH), na Espanha, reproduziu a proposta em um capítulo de livro sem atribuir os devidos créditos à autora.

Método nasceu para combater a “impercepção botânica”

A metodologia começou a ser desenvolvida em 2020, quando Gláucia identificou que o videoclipe da música Cardigan, do álbum Folklore, poderia ser utilizado para explicar conteúdos relacionados aos musgos.

A partir dessa experiência, a pesquisadora passou a catalogar videoclipes da artista que apresentam plantas, flores, árvores e diferentes paisagens naturais, criando um banco de dados que relaciona cada vídeo a temas específicos da botânica.

O objetivo é enfrentar um fenômeno conhecido como “impercepção botânica”, caracterizado pela dificuldade das pessoas em perceber a presença das plantas no cotidiano e compreender sua importância para o meio ambiente e para a vida.

Segundo a pesquisadora, cerca de 90% da metodologia está baseada nas imagens dos videoclipes, enquanto as letras das músicas funcionam apenas como recurso complementar em determinados conteúdos.

No estudo publicado, Gláucia demonstra que 53 videoclipes de Taylor Swift, o equivalente a aproximadamente 87% da videografia analisada, podem ser utilizados em aulas de botânica tanto no ensino médio quanto no ensino superior.

Resultados apontaram melhora no aprendizado

De acordo com a pesquisadora, a utilização da cultura pop tornou as aulas mais participativas e reduziu a resistência dos estudantes ao conteúdo técnico da disciplina.

Entre os resultados observados estão maior participação em sala de aula, melhora na memória, aumento da atenção, facilidade para utilizar termos científicos e melhor desempenho nas avaliações.

Gláucia ressalta que o objetivo da metodologia não é substituir o ensino tradicional, mas criar uma conexão entre os conhecimentos científicos e o universo dos estudantes, tornando a aprendizagem mais significativa.

Denúncia envolve professor de universidade espanhola

A controvérsia surgiu após a pesquisadora identificar semelhanças entre sua metodologia e um capítulo de livro publicado por um professor da Universidad Miguel Hernández de Elche.

Segundo ela, o docente utilizou a mesma lógica do Método Taylor Swift, associando os mesmos videoclipes aos mesmos conteúdos botânicos e apresentando a abordagem como uma proposta inédita, sem mencionar a pesquisa brasileira.

A professora afirma ainda que o pesquisador esteve presente em sua apresentação durante o Congresso Internacional de Botânica, realizado em Madri, em 2024, fato que, segundo ela, aparece reconhecido nos agradecimentos da publicação.

“Apropriação da ideia é um tipo de plágio. Você não pode dizer que algo criado por outra pessoa, em outra universidade e país, é seu”, afirmou Gláucia.

Tentativas de solução não tiveram resultado

Antes de tornar o caso público, a pesquisadora relata que procurou resolver a situação por meios institucionais. Segundo ela, foram enviados contatos ao professor, à universidade espanhola, ao departamento responsável e ao setor de comunicação da instituição.

De acordo com Gláucia, o único retorno recebido partiu do próprio docente, que reconheceu a semelhança entre os trabalhos, mas não realizou alterações no material publicado.

A pesquisadora informou ainda que a UFRN encaminhou manifestações formais tanto à universidade quanto à editora responsável pela obra, mas, até o momento, não houve providências para corrigir a autoria da metodologia.

Debate sobre integridade científica

Para Gláucia Lidiane da Silva, o episódio ultrapassa a esfera pessoal e evidencia a importância da integridade científica, do respeito à autoria intelectual e do reconhecimento da produção acadêmica desenvolvida por pesquisadores brasileiros.

Enquanto aguarda uma resposta das instituições envolvidas, a pesquisadora afirma que a repercussão do caso contribui para ampliar o debate sobre plágio acadêmico e reforçar a necessidade de valorização da ciência produzida no Brasil.