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segunda-feira, 3 de agosto de 2026
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Quem é Anthony Fauci, médico que voltou ao centro de investigações sobre a origem da Covid-19 nos Estados Unidos

O imunologista Anthony Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), voltou ao centro do debate político nos Estados Unidos após prestar depoimento ao Senado sobre sua atuação durante a pandemia da Covid-19.

Republicanos acusam o médico de ter omitido informações relacionadas à origem do coronavírus e questionam decisões adotadas pelo governo norte-americano durante a crise sanitária.

Fauci comandou o NIAID até 2022, quando se aposentou após quase quatro décadas à frente da instituição. Durante a pandemia, também atuou como principal conselheiro médico do então presidente Joe Biden.

Audiência no Senado reacendeu debate

Durante audiência realizada no Senado dos Estados Unidos, Anthony Fauci optou por não responder aos questionamentos apresentados pelos parlamentares.

O imunologista invocou a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, dispositivo que garante o direito de uma pessoa não produzir provas contra si mesma.

O depoimento ocorreu após a divulgação de mais de mil páginas de diários, e-mails e anotações produzidos entre 2019 e 2022, documentos que passaram a integrar investigações conduzidas por congressistas norte-americanos.

Quem é Anthony Fauci

Anthony Fauci formou-se em Medicina pela Universidade Cornell e realizou residência médica no Centro Médico New York-Presbyterian/Weill Cornell.

Antes de assumir a direção do NIAID, atuou em pesquisas sobre imunologia e doenças infecciosas, além de exercer funções de liderança no combate ao HIV/AIDS dentro dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH).

Em 1984, passou a dirigir o NIAID, coordenando pesquisas voltadas à prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças como HIV/AIDS, tuberculose, malária, Ebola, Zika e, posteriormente, Covid-19.

Origem da Covid-19 voltou ao centro das discussões

Os documentos divulgados pelo Congresso registram reuniões realizadas no início de 2020, quando cientistas discutiam duas possibilidades para o surgimento do coronavírus:

• Transmissão natural do vírus de animais para seres humanos.

• Possível vazamento acidental em um laboratório na cidade chinesa de Wuhan.

Segundo os registros, não havia consenso entre os pesquisadores naquele momento.

Posteriormente, Fauci passou a defender publicamente que a hipótese mais provável era a de origem natural, embora afirmasse que ainda eram necessárias investigações científicas para esclarecer completamente o surgimento do vírus.

Discussões internas e críticas ao FBI

As anotações também mostram que Fauci participou de reuniões com autoridades do governo norte-americano para discutir a comunicação pública sobre a origem da Covid-19 e a eficácia das vacinas.

Em um dos registros, ele defendeu respostas mais rápidas às informações consideradas falsas para evitar a percepção de que autoridades estariam ocultando dados.

Outro trecho mostra divergências com avaliações do FBI, que defendia a hipótese de vazamento em laboratório como a explicação mais provável para a origem do coronavírus.

Embates políticos durante e após a pandemia

Ao longo da pandemia, Anthony Fauci tornou-se uma das principais figuras públicas ligadas às medidas de enfrentamento da Covid-19, sendo frequentemente alvo de críticas de aliados do presidente Donald Trump.

Os embates envolveram temas como uso de máscaras, vacinação, medidas de isolamento social e investigações sobre a origem do vírus.

Antes de deixar a Presidência, Joe Biden concedeu uma anistia preventiva a Fauci em relação a possíveis acusações federais ligadas à sua atuação durante a pandemia.

Mesmo assim, parlamentares republicanos continuam defendendo novas investigações sobre as decisões tomadas pelas autoridades sanitárias durante a crise da Covid-19.

Investigações continuam

Após o depoimento, parlamentares informaram que novas medidas poderão ser analisadas pelo Congresso norte-americano, incluindo a possibilidade de avaliar se a decisão de Fauci de permanecer em silêncio durante a audiência caracteriza desacato ao Legislativo.

Até o momento, as investigações seguem em andamento e não há decisão definitiva sobre eventuais responsabilizações relacionadas à atuação do ex-diretor do NIAID durante a pandemia.