Milhares de trabalhadores da Hyundai Motor iniciaram uma greve parcial de três dias na Coreia do Sul, colocando a maior montadora do país diante de um dos maiores impasses trabalhistas dos últimos anos. Além das reivindicações por reajustes salariais e bônus maiores, o principal motivo do movimento é o avanço da inteligência artificial (IA) e da automação nas fábricas.
O sindicato afirma que a empresa precisa oferecer garantias de que a adoção de robôs humanoides e sistemas baseados em IA não resultará na substituição gradual dos trabalhadores das linhas de produção.
Greve começou após fracasso nas negociações
A paralisação foi iniciada após o encerramento das negociações salariais sem acordo entre empresa e funcionários. Durante os três dias de mobilização, os trabalhadores deixarão seus postos duas horas antes do fim do expediente.
Representantes da Hyundai e do sindicato devem retomar as negociações nos próximos dias na tentativa de evitar uma ampliação da greve.
IA e robôs se tornaram o principal ponto de conflito
O maior temor dos funcionários é que a inteligência artificial acelere a substituição da mão de obra humana nas fábricas.
A Hyundai já anunciou planos para ampliar o uso de automação e pretende incorporar, nos próximos anos, o robô humanoide Atlas em parte de suas operações industriais.
Inicialmente, os equipamentos deverão executar tarefas repetitivas, como movimentação e separação de peças. A expectativa da empresa é ampliar gradualmente sua utilização em atividades mais complexas de montagem.
Diante desse cenário, o sindicato reivindica:
• garantia formal de preservação dos empregos diante da expansão da IA e da automação;
• negociação obrigatória antes da implantação dos robôs humanoides Atlas;
• manutenção da remuneração dos funcionários caso a automação reduza a jornada de trabalho;
• aumento da idade mínima para aposentadoria;
• reajuste salarial e ampliação do pagamento de bônus.
Proposta da Hyundai foi rejeitada
A montadora apresentou uma proposta que incluía aumento salarial, bônus por desempenho, pagamento único em dinheiro e distribuição de ações da empresa.
O sindicato, porém, considerou a oferta insuficiente e decidiu manter a paralisação.
Greve pode provocar perdas bilionárias
A Coreia do Sul concentra quase metade da produção global da Hyundai, tornando qualquer interrupção um fator de preocupação para toda a cadeia automotiva.
Estimativas da imprensa sul-coreana indicam que a paralisação poderá provocar perdas bilionárias caso o movimento seja prolongado.
No ano passado, uma greve parcial semelhante reduziu a produção em milhares de veículos e gerou prejuízos de centenas de bilhões de wons.
Empresa critica paralisação
Antes do início da greve, executivos da Hyundai afirmaram que parte das reivindicações apresentadas pelo sindicato é considerada excessiva.
A empresa também declarou que paralisações anteriores prejudicaram a produção, reduziram receitas e afetaram a imagem da montadora perante consumidores e investidores.
Até o momento, a Hyundai não informou qual será o impacto imediato da greve sobre suas operações nem se pretende apresentar uma nova proposta aos trabalhadores.


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