Entrou em vigor nesta terça-feira (14) a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cobrar uma taxa de 20% sobre cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio mundial de petróleo e gás natural. Além da cobrança, embarcações iranianas ou consideradas vinculadas ao Irã passam a ser impedidas de utilizar a passagem.
A medida marca uma nova escalada na crise entre Estados Unidos e Irã e ocorre após Washington acusar Teerã de descumprir o cessar-fogo firmado em junho. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), o bloqueio aos navios iranianos começou a valer às 17h (horário de Brasília).
Trump diz que cobrança compensará custos militares
Ao anunciar a nova política, Trump afirmou que os recursos arrecadados servirão para custear as operações militares responsáveis por garantir a segurança da navegação na região.
Segundo o presidente norte-americano, o Estreito de Ormuz permanecerá aberto para embarcações internacionais, mas os Estados Unidos passarão a cobrar pela proteção oferecida aos navios que utilizarem a rota.
Além da tarifa, Washington restabeleceu o bloqueio às embarcações ligadas ao Irã, suspendendo medidas adotadas durante o período de cessar-fogo.
Irã reage e ironiza decisão dos Estados Unidos
O governo iraniano criticou a iniciativa. O chanceler Abbas Araghchi classificou a cobrança como exagerada e ironizou a decisão ao afirmar que, caso o Irã adotasse medida semelhante, aplicaria uma tarifa menor.
O ministro também declarou que o país continuará exercendo seu papel histórico na proteção da região, reafirmando a posição de Teerã sobre o controle estratégico do estreito.
União Europeia e OMI questionam cobrança
A decisão também provocou reações internacionais. A União Europeia voltou a defender a preservação da liberdade de navegação e informou que mantém diálogo com países do Golfo para evitar novas restrições ao tráfego marítimo.
A Organização Marítima Internacional (OMI), agência especializada das Nações Unidas, também acompanha a situação e reforça o princípio da livre circulação de embarcações em rotas internacionais.
Especialistas apontam que a criação de uma tarifa obrigatória sobre a passagem pelo Estreito de Ormuz pode gerar questionamentos jurídicos com base nas normas internacionais que regulam a navegação marítima.
Estreito de Ormuz continua aberto
Apesar das novas restrições, o Estreito de Ormuz permanece aberto para embarcações comerciais de outros países. As limitações anunciadas pelos Estados Unidos atingem exclusivamente navios iranianos ou considerados ligados ao governo de Teerã.
Localizado entre o Irã e Omã, o estreito concentra cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Qualquer instabilidade na região costuma provocar impactos imediatos sobre o mercado internacional de energia.
Possíveis reflexos no Brasil
O aumento da tensão no Oriente Médio já elevou as cotações internacionais do petróleo, movimento que pode pressionar os preços dos combustíveis em diversos países, inclusive no Brasil.
Embora o país seja produtor de petróleo, oscilações prolongadas no mercado internacional podem influenciar os custos da gasolina, do diesel e do transporte de mercadorias, aumentando a pressão sobre a inflação.


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