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terça-feira, 28 de julho de 2026
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Votação do PL 152 é cancelada na Câmara após protesto de motoristas de aplicativo

A comissão especial da Câmara dos Deputados cancelou, nesta terça-feira (14), a votação do parecer sobre o Projeto de Lei Complementar (PL) 152/25, que trata da regulamentação do trabalho por aplicativos no Brasil.

A decisão ocorreu no mesmo dia em que motoristas de aplicativo realizaram uma carreata em São Paulo contra a proposta. O protesto reuniu dezenas de veículos, percorreu vias da Zona Sul e seguiu até a região do Pacaembu.

A retirada do projeto da pauta foi solicitada pelo líder do governo, o deputado José Guimarães (PT-CE), diante da falta de consenso entre os parlamentares e da pressão de parte da categoria.

O que propõe o PL 152

O texto, relatado pelo deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), estabelece que motoristas e entregadores atuem como trabalhadores autônomos, sem vínculo empregatício com as plataformas digitais.

A proposta também prevê maior autonomia para os profissionais, incluindo:

  • Liberdade para definir horários de trabalho;
  • Possibilidade de atuar em múltiplos aplicativos;
  • Proibição de punições por recusa de corridas ou por ficar offline.
  • Regras de remuneração e taxas

    O projeto define um modelo de divisão de rendimentos, em que:

  • 25% da renda será considerada base para tributos e contribuição previdenciária;
  • 75% será classificada como custo operacional.
  • As plataformas poderão cobrar taxas, com limites de:

  • Até 30% por serviço; ou
  • 15% em modelos híbridos.
  • Para entregadores, o texto estabelece piso mínimo por corrida e critérios de remuneração por tempo trabalhado. Também determina o repasse integral de gorjetas.

    Previdência e proteção

    O modelo prevê contribuição previdenciária de:

  • 5% por parte dos trabalhadores;
  • 20% pelas plataformas sobre a base de cálculo, ou alternativa de 5% sobre a receita bruta.
  • Além disso, o projeto inclui a obrigatoriedade de seguro contra acidentes e maior transparência nos ganhos.

    Mudanças e pontos retirados

    A versão atual do texto retirou algumas propostas discutidas anteriormente, como:

  • Limite de jornada de trabalho;
  • Adicional de fim de ano e extras noturnos;
  • Obrigatoriedade de pontos de apoio;
  • Botão de pânico nos aplicativos.
  • Também foram incluídas medidas como isenção de impostos na compra de veículos para profissionais ativos e regras mais claras para bloqueios nas plataformas, garantindo direito de defesa.

    Sem previsão para nova votação

    Sem acordo entre os parlamentares e diante da pressão dos trabalhadores, o PL 152 segue em negociação na Câmara dos Deputados e ainda não tem nova data para análise.