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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Conflito da Palotina: agricultor preso em Boca do Acre é transferido para Manaus

Preso desde o dia 5 deste mês sob acusação de organização criminosa, o agricultor e ambientalista Paulo Sérgio Costa de Araújo, um dos líderes da Comunidade Marielle Franco, localizada em Lábrea (a 853 quilômetros de Manaus), foi transferido para Humaitá, e em seguida, para Manaus, na manhã de segunda-feira (25).

Ele foi preso quando denunciou que quatro agricultores da comunidade foram agredidos e torturados no dia 28 de fevereiro. Paulo acusa o fazendeiro Sidnei Zamora, dono da fazendo Palotina, como mandante do crime. Zamora reclama na Justiça a área onde os agricultores estão assentados.

Durante a sessão de tortura, até uma vídeochamada teria sido feita para que o fazendeiro pudesse ter certeza de que os “jagunços” cumpriam suas ordens. Os agricultores contam que foram pegos quando tentavam registrar a retirada de madeira ilegal dentro da comunidade Marielle Franco. Zamora nega todas as acusações.

Advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Porto Velho (RO) e responsável por acompanhar o caso de Paulo, Afonso Chagas vê com preocupação a manutenção da prisão do líder da comunidade Marielle Franco. “Em Manaus há, conforme temor dos apoiadores e familiares, alguns riscos à vida do Paulo, uma vez que ele está muito visado enquanto liderança. Inclusive, em um presídio na capital ele pode ficar mais exposto a um crime por encomenda”, alerta.

O filho de Paulo, o motorista de aplicativo Alan Haluen de Araújo, de 26 anos, que acompanhou o pai durante todo o período em que ele esteve preso em Humaitá, compartilha o medo sobre a segurança. “Eu nem sei mais o que dizer com toda essa situação. É complicado porque agora ele está junto com outras pessoas que realmente cometeram crimes, né? A gente sempre teme pelo pior”.

Conflito agrário
A comunidade Marielle Franco está situada na Gleba Novo Natal, em Lábrea, no sul do Amazonas. A ocupação da área, que tem entre 18 a 20 hectares, começou em 2015. E a batalha judicial pela terra teve início em novembro do ano seguinte.

O fazendeiro Sidnei Sanches Zamora diz ser o dono da terra. O Incra afirma que até o momento o proprietário da fazenda Palotina não apresentou os títulos que provariam isso. Sem os documentos, o Incra quer fazer a arrecadação das terras – o procedimento que incorpora, por portaria, terras públicas identificadas como devolutas.

Ao longo dos anos, a comunidade, que recebeu o nome da vereadora carioca assassinada em 2018, é cenário de tensão e violência, além de vários episódios de “quase” reintegração de posse. O último ocorreu na sexta-feira (22), quando aproximadamente 100 policiais foram até a comunidade para cumprir ordem expedida pelo juiz Roberto Santos Taketomi. O magistrado deu a ordem de reintegração à revelia da recomendação feita pelo Incra, em novembro do ano passado, dizendo que o caso deveria ser julgado pela Justiça Federal, por se tratar de terras da União.