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terça-feira, 7 de julho de 2026
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OAB-AC ainda aguarda julgamento da ação de inconstitucionalidade contra Estatuto da Família

OAB-AC ainda aguarda julgamento da ação de inconstitucionalidade contra Estatuto da Família

Estatuto que exclui casais homoafetivos do conceito de família foi sancionado no dia 26 de abril, após vereadores derrubarem veto. MP-AC também entrou com ação judicial contra lei

A Ordem dos Advogados do Brasil no Acre (OAB-AC) ainda aguarda o julgamento do pedido declaração de inconstitucionalidade da lei que estabelece o Estatuto da Família. A ação foi ingressada pelo órgão no último dia 4 de maio.

A informação foi confirmada, nesta sexta-feira (8), pelo advogado Charles Brasil, presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB-AC. Segundo ele, ainda não há uma data marcada para ser julgada.

A lei tem gerado debates por descrever que a família deve ser reconhecida a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou de união estável, excluindo, assim, os casais homoafetivos do conceito de família.

O estatuto foi vetado pela prefeita de Rio Branco, Socorro Neri, no último dia 19 de abril mas, em seguida, os vereadores derrubaram o veto e no dia 26 de abril e sancionaram a lei. O veto foi derrubado por 12 votos.

“Ainda não foi marcado o julgamento pelos desembargadores. Até lá, o Estatuto está valendo. Fizemos um pedido de liminar mas, até o presente momento, os desembargadores têm que ouvir todas as partes para depois julgar a liminar e marcar a audiência para julgar o mérito. Demora mesmo”, disse o advogado.

Conforme o presidente da comissão, a Justiça já encaminhou pedido de informações para a presidência da Câmara de Vereadores e para a prefeitura. De acordo com ele, foi dado um prazo de 15 dias úteis para que sejam apresentadas as informações do processo legislativo.

A OAB já havia aprovado um parecer considerando a inconstitucionalidade do projeto de lei. Segundo o órgão, o PL foi considerado inconstitucional no aspecto informal e material.

Conforme o advogado, o ponto de vista formal significa dizer que quem tem competência para legislar sobre direito civil é a União. Já o aspecto material, é porque o PL está tratando da questão da família, sexual, religiosa e do direito à vida.

Entendimento do MP

O Ministério Público do Acre (MP-AC) também ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) no último dia 4 de maio. O órgão pediu ainda uma liminar para a suspensão imediata dos efeitos da lei até a decisão final de mérito pelo TJ-AC.

Na petição, o procurador-geral de Justiça adjunto para Assuntos Jurídicos, Sammy Barbosa Lopes, apontou as incompatibilidades da lei com os textos da Constituição Federal e com a Constituição do Estado do Acre.

O MP já havia determinado que o projeto de lei apresentava diversas inconstitucionalidades. O órgão recomendou que a prefeitura vetasse a lei que havia sido aprovada na Câmara. Porém, os vereadores derrubaram o veto e sancionaram o Estatuto.