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domingo, 14 de junho de 2026
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Zé Vaqueiro mantém agenda para Boca do Acre: Justiça deve decidir se acata pedido do MP ainda esta semana

Mesmo com pedido de anulação do contrato pelo Ministério Público, cantor anuncia em suas redes sociais que apresentação marcada para 14 de setembro está mantida

O show de Zé Vaqueiro, principal atração do 27º Festival de Praia de Boca do Acre, entrou no centro de uma polêmica judicial. Apesar de o artista ter confirmado em suas redes sociais que sua apresentação no município, no próximo dia 14 de setembro, continua na agenda, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) ajuizou uma Ação Civil Pública (ACP) pedindo a anulação do contrato firmado entre a prefeitura e a empresa do cantor. A decisão da Justiça sobre o caso deve sair ainda esta semana.

Segundo o MPAM, o contrato no valor de R$ 600 mil apresenta um sobrepreço de R$ 179.615,39 em relação à média praticada pelo artista em shows realizados em diferentes estados. A investigação, que teve origem na Notícia de Fato nº 178.2025.000081, apontou que a média de cachê de Zé Vaqueiro é de R$ 420.384,61. Além disso, dois contratos firmados no Amazonas — em Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro — tiveram valores inferiores ao pago por Boca do Acre.

O promotor de Justiça Marcos Patrick Sena Leite destacou as contradições entre os gastos com o festival e a realidade enfrentada pelo município. Em janeiro deste ano, a prefeitura decretou estado de emergência financeira e administrativa, citando risco de paralisação de serviços básicos. “A população convive com infraestrutura precária, problemas de abastecimento de água, deficiências na saúde e uma fila de espera de, no mínimo, 47 crianças com deficiência aguardando atendimento especializado”, disse o promotor.

A ACP pede a suspensão imediata do Contrato nº 105/2025, a indisponibilidade da quantia considerada superfaturada e multa de até R$ 10 mil por dia em caso de descumprimento, podendo inclusive recair pessoalmente sobre o prefeito Frank Barros (MDB). O Ministério Público ressalta que não busca cancelar o Festival de Praia, mas proteger o patrimônio público diante de gastos considerados incompatíveis com a realidade financeira do município.

Enquanto a decisão judicial não é publicada, a incerteza paira sobre a realização do show de Zé Vaqueiro. A apresentação, prevista para encerrar o festival, é aguardada como o ponto alto da festa, mas agora está sob risco de ser cancelada por ordem da Justiça.