O ex-banqueiro Daniel Vorcaro manteve contato com Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, por mais de um ano, entre maio de 2024 e agosto de 2025. Em uma das conversas, Vorcaro pediu “ajuda em um caso”, mas o assunto não foi identificado no conteúdo divulgado.
As mensagens foram extraídas do celular de Vorcaro e vieram a público às vésperas do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa um pedido de investigação relacionado à relação entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes.
Apesar dos diálogos, o material divulgado não comprova contratação, pagamento a Rodrigo Fux ou interferência em decisões judiciais.
Mensagens mostram contato ao longo de mais de um ano
Segundo informações do UOL, as conversas registradas no aparelho de Vorcaro mostram uma relação de contato frequente com Rodrigo Fux durante o período analisado.
Em determinado momento, o ex-banqueiro solicitou “ajuda num caso”, mas as mensagens divulgadas não esclarecem qual processo ou assunto estaria sendo tratado.
Os dois também combinaram encontros em diferentes cidades. Em outra ocasião, Vorcaro ofereceu a Rodrigo Fux e familiares convites para um camarote durante o Carnaval do Rio de Janeiro.
Em março de 2025, Rodrigo Fux orientou Vorcaro a encaminhar um e-mail para a secretária de Luiz Fux no STF. O conteúdo e a finalidade da mensagem não foram divulgados.
Assessoria nega relação comercial concretizada
A assessoria de Rodrigo Fux afirmou, segundo o UOL, que a aproximação comercial entre os dois não chegou a ser concretizada e que ele não recebeu valores de Daniel Vorcaro.
As mensagens, portanto, indicam a existência de contato entre os dois, mas não permitem concluir, com base no material divulgado, que tenha ocorrido contratação ou pagamento.
Conversas foram encaminhadas aos ministros do STF
O conteúdo faz parte dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro e foi encaminhado aos gabinetes dos ministros do STF antes do julgamento que envolve a relação do ex-banqueiro com Alexandre de Moraes.
Um relatório da Polícia Federal aponta 187 interações entre Moraes e Vorcaro. O pedido de investigação relacionado ao caso foi apresentado pelo ministro André Mendonça, relator de processos envolvendo o Banco Master.
Outros contatos com pessoas próximas a ministros
O material também reúne conversas envolvendo outras pessoas próximas a integrantes do STF. Em um dos diálogos, o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, menciona supostos pagamentos de R$ 500 mil mensais ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques.
Segundo o Coaf, a empresa Consult Inteligência Tributária recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master ao longo de um ano. Kevin Marques nega ter prestado serviços ao banco ou recebido dinheiro de Vorcaro e afirma que recebeu R$ 281,6 mil da Consult por serviços tributários sem relação com o STF.
Até o momento, os registros envolvendo pessoas próximas a ministros do Supremo são fragmentados e não comprovam, por si só, contratação, pagamento efetivo ou interferência em decisões judiciais.
As conversas mostram, contudo, que Vorcaro mantinha canais de contato com pessoas próximas a integrantes da Corte que agora analisa questões relacionadas ao Banco Master e à atuação do ex-banqueiro.


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