O vice-governador Major Rocha (PSDB) participou ontem, 27, em Brasília, de reunião com o presidente Jair Bolsonaro e demais governadores dos estados que compõem a Amazônia Legal. Na pauta, as queimadas na região.
Rocha foi o primeiro a falar na reunião. Na oportunidade frisou sobre a importância da ajuda do governo federal para contornar a situação. Disse ainda que as queimadas nesse período do ano não são novidades, porém, a falta de recursos faz com o estado não consiga dar a resposta necessária.
“É um momento difícil, mas o vivemos todos os anos. Não é uma novidade, não é um problema que começou ontem, mas precisamos da ajuda do governo federal nesse momento tão crítico (…) os estados da Amazônia sofrem o mesmo problema: a falta de recursos para que o controle seja mais efetivo, e as limitações de ordem ambiental também fazem com que o estado tenha um poder de resposta menor do que o pretendido”, disse.
O tucano pontuou ainda que o agravamento das queimadas se deve as condições ambientais do estado. “Mais de 30 graus de temperatura, 30 dias sem chuva, umidade relativa do ar inferior a 30% e ventos superiores a 30 km/h. Não tem como, com um clima desses, essa situação não se agravar”.
Após questionamento de Bolsonaro sobre a porcentagem de reserva ecológica, Rocha destacou que “dos 100% de seu território, somente 14% é considerada área aberta, entre urbana e rural. Dos 86% restantes, 47% são unidades de conservação. Nessa área não podemos fazer nada de atividade humana, por restrições”.
Bolsonaro X Macron
A troca de farpas entre o presidente brasileiro com Emmanuel Macron, presidente da França, que se arrasta desde a semana passada, também foi motivo de debate durante o encontro.
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, disse que a França deixou rastros de destruição e miséria por onde passou e afirmou que o presidente francês, Emmanuel Macron, age com “molecagem” ao opinar sobre o aumento dos incêndios na Amazônia.
“Essa posição colonialista do Macron além de ser lamentável, tem um passado triste. Noventa por cento das colônias francesas vivem em situação lamentável. Isso talvez fosse bom ser lembrado por algum jornalista que seja um pouco mais moderado e que tenha algum sentido patriótico, que a França não pode dar lição em ninguém nesse aspecto. Eu vivi o problema no Haiti, o Haiti é colônia francesa, uma delas”, afirmou.
Assim que Heleno terminou sua fala, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), cobrou que o governo federal deixe de lado esse conflito e se concentre na solução das queimadas na floresta e na preservação da imagem do Brasil no exterior.
“Neste momento todos aqui estamos com único intuito de encontrarmos soluções e dividir responsabilidades. Primeiro acho que nós estamos perdendo muito tempo com o Macron. Acho que nós temos que cuidar do nosso país e tocar a vida”, disse.
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), também pediu moderação nas declarações, sem citar Bolsonaro nominalmente.
Conflitos
Na reunião, os governadores presentes pediram ainda uma posição mais clara do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre uso de recursos do Fundo Amazônia. Foi argumentado que o ministro mostrou ao longo da reunião uma versão mais branda sobre o fundo do que vinha sendo propagada pelo governo, que defendia não usar mais os recursos.
Os governadores defenderam ainda uso de recursos do Fundo Amazônia e da ajuda de R$ 83 milhões oferecida pelo G7. Frisaram que os projetos podem ser feitos com recursos do exterior, mas planejados, executados e fiscalizados pelo Brasil.
Participaram também do encontro, além dos governadores da Amazônia Legal e de Bolsonaro, os ministros da Defesa, Fernando Azevedo; das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; do Meio Ambiente, Ricardo Salles; da Casa Civil, Onyx Lorenzoni; da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos; da Secretaria-Geral, Jorge Antônio de Oliveira; e do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno.
A Amazônia Legal é formada por nove estados brasileiros: os sete da Região Norte (Acre, Amapá, Amazonas, Pará Rondônia, Roraima, Tocantins), além de Mato Grosso e Maranhão.





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