Vacina BCG que não deixar cicatriz não precisará mais ser reaplicada, diz MS

As crianças que não apresentarem cicatriz vacinal após receberem dose da vacina contra tuberculose (BCG) não precisam mais ser revacinadas. A medida foi anunciada na última segunda-feira,04, pelo Ministério da Saúde. De 2014 a 2018, no Acre 7 crianças apresentaram reações ao tomarem a vacina, entre elas, está a falta da marca deixada pela imunização.

A decisão foi tomada em acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e Comitê Técnico Assessor de Imunizações (CTAI) após estudos comprovarem a eficácia do imunobiológico também em crianças que não ficam com cicatriz depois da vacina.

A BCG é normalmente aplicada ao nascer ou nos primeiros dias de vida, ela deixa uma cicatriz no local de aplicação, em alguns casos isso não ocorre, quando isso acontece os postos de saúde recomendava que fosse feita a revacinação.

Foi o caso do pequeno Carlos dos Santos, 4 anos, ele tomou a primeira dose ainda na maternidade, mas não aconteceu o processo esperado, na época, 2014, a mãe Marinete Pereira, foi informada que precisava revacinar o filho.

“Ele tomou a primeira dose na maternidade, mas o local não inchou e portanto não ficou aquela marquinha, levei no posto, disseram que tinha que vacinar de novo, e assim foi feito, porém não aconteceu nada, não ficou a cicatriz”, conta a mãe.

Ainda segunda ela, foi orientada pelo posto de saúde a procurar o serviço do Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (Crie) que trata desses casos. A mãe conta que não chegou a vacinar o bebê pela terceira vez porque a pediatra disse que não precisava refazer a vacinação.

“Na época eu levei ele para uma consulta de rotina com a pediatra e mencionei essa situação, ela me disse que não adiantava vacinar ele de novo porque o corpo dele não iria reagir de acordo com o esperado, então não adiantava”, explica.

Segundo o Ministério da Saúde, a medida foi discutida com especialistas ainda em 2018, e conclui-se que a falta de cicatriz não significa que a criança não tenha sido imunizada.

Cobertura vacinal contra tuberculose no Acre

Dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) mostram que a BCG foi uma das vacinas que tiveram um bom resultado no tocante a cobertura vacinal. Em 2018, dos 15.735 de público alvo, 15.358 foram imunizadas, isso representa 97, 60% de crianças vacinadas.

Em todo o país a cobertura vacinal da BCG é uma das que tem os resultados mais satisfatório, de acordo com o Ministério, os gestores têm até o mês de abril para atualizar no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SIPNI) a situação vacinal local, porém dados preliminares já indicam uma cobertura em 2018 de 87,5%.

No Acre, os municípios que apresentaram os melhores índices de cobertura, foram os locais onde tem maternidade, como a Capital com 8.862(133, 99%) doses aplicadas e Cruzeiro do Sul com 1.489 (91,41%). Isso explica porque municípios como Porto Acre é Senador Guiomard por exemplo, apresentam índices tão baixos 0,85% e 10,62% respectivamente.

“Alguns municípios possuem cobertura baixa porque as mulheres vem ganhar bebê na maternidade de Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Tarauacá, e essa vacina é feita após o nascimento na maternidade, e algumas baixas coberturas se justifica por esse motivo”, explica a gerente interina da Divisão de Imunização e Rede de Frios do Acre, Renata Rossato.

A maneira mais eficaz de prevenção contra a tuberculose é com a vacina BCG. A vacina é dose única e é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A imunização é feita ao nascer nas maternidades, ou na primeira visita da criança no serviço de saúde, o mais precocemente possível.