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sábado, 13 de junho de 2026
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Universidades brasileiras perdem espaço em ranking global

A queda das universidades brasileiras no ranking CWUR (Center for World University Rankings) 2026 voltou a colocar em evidência os desafios enfrentados pelo ensino superior no país. Das 52 instituições brasileiras presentes na lista, 45 perderam posições, especialmente em indicadores ligados à pesquisa científica, um dos critérios com maior peso na metodologia utilizada pelo levantamento.

O resultado ampliou o debate sobre os impactos do financiamento da educação superior, da produção científica e da capacidade de inovação das instituições brasileiras diante de um cenário internacional cada vez mais competitivo.

Entre os fatores apontados por especialistas está a limitação orçamentária enfrentada pelas universidades públicas. No fim de 2025, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) informou que as universidades federais sofreram uma redução de R$ 488 milhões nos recursos discricionários, utilizados para custear despesas operacionais, manutenção, assistência estudantil e atividades de pesquisa.

Na ocasião, a entidade alertou para riscos relacionados à continuidade de projetos acadêmicos, à permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade e à sustentabilidade administrativa das instituições. Posteriormente, o Ministério da Educação (MEC) anunciou medidas de recomposição de parte dos recursos.

Para o doutor em Sociologia e Política e gestor de ensino superior Marcos Quadros, a questão vai além dos cortes recentes e está relacionada à ausência de uma estratégia de longo prazo voltada ao fortalecimento da ciência, da inovação e da formação de profissionais altamente qualificados.

Segundo ele, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para criar mecanismos capazes de atrair, desenvolver e reter pesquisadores em um contexto de forte concorrência internacional por talentos.

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) também avalia que as restrições orçamentárias e a instabilidade financeira afetam a competitividade das instituições. Apesar disso, destaca que as universidades públicas continuam liderando indicadores nacionais relacionados à qualidade do ensino, pesquisa e inovação.

Como os critérios de pesquisa representam 40% da pontuação total do CWUR, aspectos como produção científica, impacto das publicações acadêmicas e internacionalização acabam exercendo influência significativa sobre o posicionamento das universidades no ranking.

Por outro lado, o Ministério da Educação afirma que vem ampliando investimentos no setor desde 2023. Entre as medidas citadas pela pasta estão a criação de 139 novos cursos em áreas estratégicas, como Engenharia e Tecnologia da Informação, além da ampliação de programas de permanência estudantil voltados a indígenas e quilombolas.

Especialistas também defendem mudanças estruturais para fortalecer a competitividade das instituições brasileiras. Entre as propostas estão a modernização dos currículos, o aumento das parcerias internacionais, a ampliação da cooperação com o setor produtivo e o incentivo à inovação tecnológica.

Outro desafio apontado é a crescente migração de pesquisadores para o exterior. Para o especialista em educação Tiago Zanolla, universidades e centros de pesquisa de outros países oferecem melhores condições de infraestrutura, remuneração e desenvolvimento profissional, tornando o mercado internacional mais atrativo para profissionais altamente qualificados.

O fenômeno ocorre em um momento em que países como a China vêm ampliando investimentos em pesquisa e inovação. No CWUR 2026, 98% das universidades chinesas presentes no ranking melhoraram suas posições, consolidando o país como uma das principais potências acadêmicas do mundo.

Embora os rankings internacionais não sejam capazes de medir integralmente a qualidade do ensino superior, eles refletem tendências relacionadas à pesquisa, produção de conhecimento e inovação. Para especialistas, o desempenho brasileiro evidencia a necessidade de discutir estratégias capazes de fortalecer o papel das universidades no desenvolvimento científico e tecnológico do país.