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sexta-feira, 26 de junho de 2026
09:17

UM RIO NO SILÊNCIO DO SOL.

No dia em que o destino conceber vida aos rios, no silêncio de um sol a pino. Irei banhar o jardim de memória dos mananciais que se distanciam do olhar humano. Com a marca da sede, realçada, no rosto de um Nordestino nordestinados, subo o rio trazendo o sonho dos ancestrais, brotados da terra verde de outro lago, apreciando a sua geometria.  Lá, onde o calor molha as mãos cansadas de resgatar os anjos da guarda de uma floresta, onde pernoito, porque de água é também a palavra. Portanto, deixarei de ser o único aqui perto do rio e passarei a existir.

No momento em que, eu e as águas caminharmos de mãos dadas. Aí sim, sorrir, será mais fácil. Aguar

As horas, os dias e os anos passam, levando consigo a certeza de nada regressar àquele momento onde a escassez, era só uma palavra intuitiva. Quiçar transitiva, uma vez que o eco triste das águas, se escuta, até na corredeira das palavras que se escuta na foz da eternidade.

Vivemos tal qual o refluir das águas de uma virtude, que sempre nos leva à foz, na mesma cadência de um calendário lunar. Que diga a brisa da noite, que pernoita ouvindo o canto das aves. Por isso, permaneço filtrando, triturando a demorada de um tempo ansiado. Por isso, pulei cercas e muros para tirar frutas. Mas quando olho o joelho partido, esfarrapado dou risadas, saltando para escrever a sua história antes que os humanos desumanos aterrem seu vale.

Lembram do igarapé São Francisco? Aquele que drena as águas da cidade de Rio Branco. Pois é. Faz cento trinta anos que ele se esforça, para a cidade não lhe apagar com a borracha do tempo. É a luta de um rio que o tempo escuta o caminhar sorrateiro da humanidade, querendo lhe ultrapassar. Nos dias calmos, ousam lhe confrontar.

E o igarapé Fundo que deveria ser o patrimônio de memórias ecológicas da cidade de Rio Branco, vive entregue ao refluir de escuridão sem receber a mínima atenção. Pois é. Atualmente ele corre fugindo do medo que a treva alimenta. Ou do que sobra da chuva de outras águas. Feliz é o arco-íris que quando mergulha nas águas de todos os homens, a humanidade mira e admira.

Parece que o mundo evolui para nada. É… e a vida dos igarapés urbanos, uma vez contaminados é jogada para o sub mundo das cidades. Um drama dramático que os olhos jamais verão estancar, porque são feridas abertas pelo próprio homem.

Um ecossistema urbano que deveria ter suas margens protegidas, como se fosse um tesouro divino e precioso. Corre debulhado, desembrulhado, sem uma folha verde da floresta molhada. Sem um casaco, mesmo que fosse um molambo rasgado, passa ao nosso lado se encostando nas margens, sem dizer nada para nossas almas sofridas e inacabadas.

Porque ainda não criamos coragem para mudar um rio de um lugar e nem se quer ousamos, pisar nas margens dos limites de todas as coisas frágeis que encontramos na caminhada.

Claudemir Mesquita é membro da AAL. É especialista em planejamento e uso de bacias hidrográficas e presidente da Associação amigos do Rio Acre