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domingo, 26 de julho de 2026
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Trump volta à China após quase 10 anos em meio à nova guerra comercial entre as potências

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou à China pela primeira vez desde 2017 em meio a um cenário muito mais tensionado entre as duas maiores economias do mundo. A visita ocorre durante uma espécie de “cessar-fogo” na nova guerra comercial travada entre Washington e Pequim, marcada por tarifas bilionárias, sanções econômicas e disputas geopolíticas.

Na primeira visita ao país asiático, em novembro de 2017, Trump foi recebido pelo presidente chinês Xi Jinping em uma agenda que buscava fortalecer os laços comerciais entre as potências. Na ocasião, o republicano levou empresários e executivos de grandes companhias americanas, resultando na assinatura de 37 acordos comerciais avaliados em mais de US$ 250 bilhões.

Além disso, a China prometeu ampliar a compra de produtos americanos em cerca de US$ 200 bilhões até 2021, compromisso que acabou não sendo totalmente cumprido.

Desde então, a relação entre os países se deteriorou rapidamente. Em 2018, Trump iniciou a primeira guerra tarifária contra a China, impondo tarifas sobre centenas de bilhões de dólares em produtos chineses. Pequim respondeu com retaliações semelhantes contra mercadorias americanas.

Entre julho de 2018 e agosto de 2019, os Estados Unidos anunciaram tarifas sobre mais de US$ 550 bilhões em produtos chineses, enquanto a China retaliou taxando mais de US$ 185 bilhões em produtos americanos.

Durante o primeiro mandato de Trump, a Casa Branca também ampliou sanções contra empresas e cidadãos chineses. Dados oficiais apontam que o governo americano editou ao menos 15 ordens executivas relacionadas direta ou indiretamente à China entre 2017 e 2021.

A pandemia da Covid-19 aprofundou ainda mais o desgaste diplomático. Trump passou a se referir frequentemente ao coronavírus como “vírus chinês”, o que provocou forte reação de Pequim e aumentou as tensões entre os governos.

No governo Joe Biden, apesar da manutenção de parte das tarifas impostas por Trump, a estratégia americana passou a priorizar incentivos à indústria nacional, especialmente nos setores de tecnologia e semicondutores. O discurso também mudou, substituindo confrontos diretos por termos como “cooperação” e “competição estratégica”.

Com o retorno de Trump à Casa Branca em 2025, a disputa comercial voltou a ganhar intensidade. Segundo cálculos do Peterson Institute for International Economics, as tarifas médias dos Estados Unidos sobre produtos chineses atualmente são mais de 15 vezes maiores do que antes do início da primeira guerra comercial.

Além das questões econômicas, outros fatores passaram a ampliar o distanciamento entre os países, como as tensões envolvendo Taiwan, Hong Kong, direitos humanos e disputas militares no Indo-Pacífico.

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã também impactou a relação bilateral. A China foi uma das economias mais afetadas pelas interrupções no transporte marítimo no Estreito de Ormuz, rota considerada estratégica para o comércio global.

Especialistas em relações internacionais avaliam que a atual diplomacia entre Washington e Pequim busca evitar tanto uma escalada militar quanto uma aproximação excessiva que possa alterar o equilíbrio geopolítico na Ásia.

Países aliados dos Estados Unidos na região acompanham com cautela a relação entre as duas potências, especialmente diante das disputas envolvendo Taiwan, considerada um dos temas mais sensíveis entre americanos e chineses.