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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Colapso na saúde: Treze pessoas esperam por uma UTI Covid no Acre neste final de semana

REPÓRTER OPINIÃO

Na semana em que o Brasil registra mais um recorde trágico na pandemia de Covid-19 – 3,6 mil mortes por infecção pelo novo coronavírus -, o Acre se vê em meio ao sufoco da falta de unidades de terapia intensiva (UTIs), numa triste sintonia com o colapso da saúde em todo o território nacional. No estado, que ao longo de todo 2020, só havia registrado falta de leitos uma única vez, o dia 21 de maio, hoje está com 100% dos leitos de UTIs Covid ocupados, que são 160 no total.

No sábado, 27, a trágica conta reverberava no desespero das famílias de 13 pacientes em estado gravíssimo, que aguardam mais vagas, desde a noite desta sexta-feira, 26. 

O índice constante no boletim de ocupação de leitos dos hospitais regionais no estado, emitido pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) até o final da tarde do último dia útil da semana, a sexta-feira passada, mostrou que as 30 UTIs do Pronto-Socorro, as 50 do Hospital de Campanha do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre, o Into-AC, e as 80 do Hospital de Campanha do Vale do Juruá estavam com uma taxa de ocupação de 100%.

Conforme o boletim da Sesacre, ao menos 430 pessoas com Síndrome Respiratória Aguda Grave estavam internadas em todo o estado, no início deste final de semana, em que o Governo do Estado do Acre decretou lockdown neste sábado e hoje – domingo, 28. No entanto, apenas 352 desses internados tinham como resultado positivo para a contaminação pelo coronavírus. Não há lista de espera para leitos de enfermaria.

Assim como no restante do País, as internações em alta inédita, desde o início da pandemia, já preocupa a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), ao apontar que de um total de 2,6 mil prefeituras ouvidas pela entidade entre os dias 23 e 25 de março, 50,4% afirmaram que podem ter de suspender atendimentos por falta de medicamentos do kit intubação. Outras 27% alegaram risco de falta de oxigênio em hospitais ou centros de atendimento.

No Acre, felizmente, a realidade dos municípios é um pouco mais favorável com relação ao oxigênio. Em Rio Branco, por exemplo, o hospital de campanha do Into-AC possui usina própria, enquanto que outra usina está sendo instalada no Hospital do Juruá. 

Além disso, para dar suporte às unidades de saúde pública do Estado do Acre, mais 140 cilindros de oxigênio, fornecidos pelo Ministério da Saúde (MS) e transportados pela Força Aérea Brasileira (FAB), chegaram na madrugada desta sexta-feira, 26, no território acreano.

“Com esta remessa, totalizamos 200 cilindros recebidos do Ministério da Saúde. O apoio logístico e de insumos por parte do governo federal tem sido de extrema importância para que possamos atender as necessidades da rede e garantir a assistência à população”, afirmou o governador Gladson Cameli.

Sobre o processo de distribuição dos cilindros, toda a logística de recebimento e gestão é feita pelo Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos, que faz parte da Diretoria Administrativa da Sesacre. A diretora expõe que atualmente tanto o contrato existente pela Sesacre quanto a disponibilização feita pelo MS e pelas doações garantem completamente o abastecimento da secretaria.

O governo garante ainda que o estoque de insumos para manter os pacientes de UTIs e de enfermarias Covid no Acre está dentro do limite de segurança, e sendo monitorado constantemente com antecedência, para evitar a falta.

“O pior colapso do sistema público da história”, diz pesquisadora

Para a sanitarista e pesquisadora Bernadete Perez, a situação no País é caótica. “Pela primeira vez a gente tem um aumento simultâneo, em diversos estados do país, de casos, de positividade de testes, de ocupação hospitalar. São vários indicadores que revelam o pior colapso do sistema público da história do Brasil”, diz.

Ela lembra que isso foi confirmado pelo boletim extraordinário da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) da semana passada, que mostrou que 24 estados e o Distrito Federal estão com taxas de ocupação de leitos públicos de UTI para pacientes de Covid-19 igual ou superior a 80%. Segundo a Fiocruz, destes, 15 têm taxas iguais ou superiores a 90%. Para os pesquisadores, trata-se do “maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil”.

Saiba onde estão os hospitais referência para Covid-19 no estado

REGIONAL BAIXO ACRE

• Hospital Geral de Clínicas de Rio Branco – Pronto-Socorro

• Hospital Geral de Clínicas de Rio Branco – Into-AC

• Hospital de Campanha + Hospital do Idoso (extensão

Into-AC)

REGIONAL JURUÁ

• Hospital de Campanha/Hospital Regional do Juruá

REGIONAL ALTO ACRE

• Hospital Regional Raimundo Chaar