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sexta-feira, 14 de agosto de 2026
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Estudante de Direito que dava consultoria “antigolpe” é presa suspeita de aplicar fraudes no DF

Uma estudante de Direito de 22 anos foi presa pela Polícia Civil do Distrito Federal suspeita de participar de um esquema de fraudes financeiras. O caso chamou a atenção dos investigadores porque a jovem mantinha perfis nas redes sociais nos quais oferecia consultorias, cursos e mentorias voltados justamente à prevenção de golpes na internet.

Segundo a investigação, a estudante utilizava a imagem de autoridade construída nas redes sociais para conquistar a confiança de possíveis vítimas. Em vez de ajudá-las a evitar fraudes, porém, ela teria usado a proximidade para obter dados, receber pagamentos e praticar os crimes investigados.

A prisão ocorreu durante a Operação Reflexo, realizada pela 8ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal em parceria com a Polícia Civil de São Paulo. A suspeita e o namorado foram localizados e presos em São Paulo.

As informações sobre o caso foram divulgadas pelo Metrópoles. A reportagem não localizou a defesa da estudante. O espaço permanece aberto para manifestação.

Como funcionava a suposta consultoria “antigolpe”

De acordo com a investigação, a estudante utilizava as redes sociais para divulgar serviços destinados a pessoas interessadas em se proteger contra fraudes e resolver problemas financeiros.

Segundo a polícia, a estratégia teria servido para criar uma imagem de credibilidade e aproximar a investigada de potenciais vítimas. Depois de estabelecer contato, ela teria solicitado informações confidenciais ou pagamentos antecipados sob o argumento de que prestaria serviços de consultoria.

Entre os serviços anunciados estavam orientações relacionadas ao desbloqueio de contas bancárias que haviam sido suspensas por suspeita de fraude. A investigada também utilizava sua condição de estudante de Direito e de estagiária em um escritório de advocacia para transmitir aparência de legitimidade.

Casal teria criado lojas falsas de celulares

A investigação também identificou outro braço do suposto esquema. Segundo a Polícia Civil, a estudante e o namorado administravam perfis falsos que simulavam lojas de celulares.

Para aumentar a aparência de legitimidade dos negócios, o casal teria montado um espaço físico com caixas e aparelhos celulares. O cenário era utilizado para produzir fotos e vídeos publicados nas redes sociais e, dessa forma, transmitir aos consumidores a impressão de que se tratava de uma empresa real.

Após conquistar a confiança dos compradores, os investigados teriam recebido os pagamentos e não entregado os produtos contratados.

Investigação começou após denúncias de vítimas

As apurações tiveram início depois que diferentes vítimas procuraram delegacias do Distrito Federal para relatar situações semelhantes envolvendo a suspeita.

Com o cruzamento das ocorrências, os investigadores identificaram um padrão de atuação e conseguiram relacionar os perfis utilizados nas redes sociais aos prejuízos financeiros registrados pelas vítimas.

O trabalho contou ainda com apoio de equipes de inteligência e colaboração interestadual, além do suporte do setor de inteligência de uma plataforma de comércio eletrônico.

Estudante foi presa preventivamente

Com base nos elementos reunidos durante a investigação, a Justiça do Distrito Federal autorizou a prisão preventiva da estudante.

Ela e o namorado são investigados por estelionato mediante fraude eletrônica, previsto no artigo 171, § 2º-A, do Código Penal. A pena prevista para o crime varia de quatro a oito anos de reclusão, além de multa.

A investigação ainda poderá apontar outras possíveis infrações relacionadas às fraudes realizadas no ambiente virtual.

Supostas estratégias usadas no esquema

Construção de autoridade: a estudante utilizava sua condição de aluna de Direito e sua atuação como estagiária para transmitir credibilidade aos serviços oferecidos.

Captação de dados e dinheiro: segundo a investigação, vítimas forneciam informações pessoais ou realizavam pagamentos antecipados acreditando que receberiam orientação ou auxílio.

Aplicação das fraudes: após estabelecer contato e obter a confiança das vítimas, os investigados teriam realizado operações fraudulentas e retido valores sem prestar os serviços ou entregar os produtos prometidos.

A Polícia Civil continua investigando o caso para identificar outras possíveis vítimas e dimensionar o prejuízo provocado pelo esquema.

Com informações NDMais