A classe dos taxistas em Cruzeiro do Sul não está nada satisfeita com a melindrosa malha viária da cidade. Em consonância, afirmam amargar despesas adicionais com a manutenção dos veículos, decorrentes da buraqueira enfrentada no dia a dia. Apesar das queixas, eles não quiseram gravar entrevista e nem permitiram ser fotografados.
À surdina, os profissionais do volante disseram à reportagem do Opinião, não ter muitas expectativas sobre a gestão do prefeito Ilderlei Cordeiro (PMDB). “Ele já marcou quatro reuniões com a gente e não compareceu a nenhuma”, disse um deles.
Com o desparecimento dos clientes e a subida no preço da gasolina, muitos deles precisam ainda evitar as corridas para bairros cujas ruas estão intrafegáveis. “Fica mais em conta ficar aqui no ponto à espera de outros passageiros”, afirmam.
Existem caminhos que os mesmos evitam a todo custo, alguns bem próximos ao centro da cidade. Uma delas é a Rua Antônio Costeira, onde os buracos já se transformaram em verdadeiras crateras. “E muitas ruas de Cruzeiro do Sul, a gente precisa escolher em quais buracos vai cair”, brincam.
Mas o bom humor dá lugar ao medo quando os taxistas são chamados a falar nas reportagens. “Se a gente se identificar, corre o risco de ser perseguido pelos fiscais da prefeitura”, disse um deles.
Outro lado
O secretário de Obras do município, Joel Correia de Queiroz, alegou via telefone que a prefeitura tem feito o possível para recuperar a malha viária da cidade. De acordo com ele, são 218 quilômetros de ruas “esburacadas”.
“Usamos asfalto quente pra fazer o serviço, e ele pode se perder com as chuvas. Nos dias de tempo fechado, precisamos trabalhar com mais cuidado. Mas ainda assim, e apesar das dificuldades financeiras por que passa o município, nós vamos concluir o trabalho”, assegurou Queiroz.
Até o final de abril, Queiroz prevê a conclusão de mais 300 metros de recapeamento de ruas, entre elas a Avenida Copacabana, uma das mais movimentadas de Cruzeiro do Sul.


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