Com um olhar voltado ao fortalecimento da autonomia feminina, o Tribunal de Contas do Acre (TCE-AC) promoveu, nesta sexta-feira, 17, um encontro com mulheres empreendedoras para debater empreendedorismo, independência financeira e prevenção à violência patrimonial.
A iniciativa reuniu representantes do sistema de controle, especialistas e empreendedoras em uma programação voltada ao compartilhamento de experiências, informação e conscientização.
Além de incentivar o desenvolvimento dos negócios liderados por mulheres, o evento buscou alertar sobre os riscos da violência patrimonial — forma de violência doméstica que compromete a liberdade financeira da vítima por meio da retenção de bens, documentos, cartões bancários ou do controle abusivo de seus recursos.
A programação contou com palestra da delegada Michelle Boscaro, que abordou os principais aspectos da violência patrimonial, e da chef de cozinha Izanelda Magalhães, que compartilhou sua trajetória no empreendedorismo feminino.
Também participaram da roda de conversa a auditora de controle externo e secretária-adjunta da Secretaria de Controle Externo do TCE-AC, Kelly Gouveia, e o procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Sérgio Cunha, que apresentaram às participantes o papel das instituições de controle na fiscalização dos recursos públicos e a importância da participação da sociedade nesse processo. A presidente do TCE, conselheira Dulce Benício também participou do encontro.
A artesã Cleocineia Oliveira, de 43 anos, que trabalha com crochê, afirmou que o encontro fortaleceu sua confiança como empreendedora e ampliou sua visão sobre a importância do conhecimento e da troca de experiências.
“Conhecer outras mulheres empreendedoras fortalece a gente e me faz acreditar ainda mais no potencial do meu trabalho. E também é muito importante conhecer nossos direitos para proteger a nós mesmas e ajudar outras mulheres”, contou.
Cleocineia aprendeu a técnica aos 17 anos e, durante a pandemia, decidiu investir de forma mais intensa na produção artesanal. Hoje, recebe encomendas e sonha em transformar o crochê em sua principal atividade, abrindo uma loja própria e consolidando sua marca.

Liberdade e dignidade
Durante a palestra, a delegada Michelle Boscaro ressaltou que a autonomia financeira representa liberdade, dignidade e poder de decisão, mas exige atenção para que o patrimônio conquistado não se torne instrumento de violência dentro das relações afetivas.
“A autonomia financeira traz liberdade, dignidade e poder de decisão. Mas é fundamental que as mulheres conheçam a violência patrimonial para identificar os sinais de abuso e proteger o patrimônio construído com o próprio trabalho”, explicou.
Segundo a delegada, a violência patrimonial se manifesta por meio da retenção de documentos, cartões bancários, bens e recursos financeiros, além da destruição de instrumentos de trabalho e do chamado “estelionato amoroso”.
Ao dar as boas-vindas às participantes, a auditora Kelly Gouveia destacou que o Tribunal de Contas busca estreitar o diálogo com a sociedade e incentivar a participação cidadã no controle da administração pública.
“O Tribunal precisa da participação da sociedade para cumprir sua missão. É uma alegria receber mulheres empreendedoras e mostrar que este espaço também é de vocês”, falou.
O procurador-geral do Ministério Público de Contas, Sérgio Cunha, explicou que o trabalho desenvolvido pelos órgãos de controle tem como finalidade assegurar que os recursos públicos retornem à população na forma de políticas públicas de qualidade e está ligado á proteção das mulheres.
“Fiscalizar a aplicação dos recursos públicos significa contribuir para que serviços como saúde, educação e segurança cheguem com qualidade à população. Esse compromisso é de todos nós”, concluiu.













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