Trigo pode ser a nova soja da Embrapa e já chama a atenção até da Coreia do Norte

A Embrapa deu início à escalada da soja há cinco décadas no Brasil. Hoje, o país é líder mundial na produção e na exportação desse produto.

Variedades e adaptabilidade aos diferentes microclimas e solos levaram a oleaginosa para todo o território nacional. É o que os pesquisadores querem agora com o trigo.

Há 14 anos na Embrapa Trigo e buscando, por meio de mudanças genéticas e adaptações, levar o plantio do cereal para todo o país, Osvaldo Vasconcellos Vieira, chefe da entidade, acredita que isso será possível.

Um dos pontos básicos para que isso se efetive, segundo ele, é seguir o milho. Dependente desse cereal até o início dos anos 2000, o Brasil passou a ser importante participante no cenário internacional.

Plantação de trigo, em São Pedro do Iguaçu (PR)
Plantação de trigo, em São Pedro do Iguaçu (PR) – Claúdio Gonçalves – 29.ago.2008/Folhapress

O país ganhou o mercado externo com boa oferta de produto e com qualidade. Em 2019, o Brasil liderou as exportações mundiais do cereal.

O desenvolvimento do mercado externo para o trigo brasileiro abriria portas e necessidades de diversificação do produto. Ao seguir exigências internacionais, o padrão de produção melhora também no mercado interno.

O Brasil está apenas começando a trilhar esse caminho. Além da tradicional região de trigo no Sul, o plantio do cereal já se adapta bem na região do Distrito Federal e começa a ganhar espaço na Bahia e no Ceará. As pesquisas avançam também para as áreas de altitude do Piauí, do Maranhão, de Pernambuco e de Alagoas.

Ao dominar a tecnologia do trigo no cerrado, a Embrapa dá horizonte também para outros países com necessidades semelhantes.

O avanço do trigo está começando, mas já atrai a atenção de produtores e consumidores mundiais. Países africanos, como a Nigéria, já estão em contato com a empresa em busca dessa nova tecnologia.

O interesse pelo trigo e pela tecnologia brasileiros atinge países até pouco tempo inimagináveis nessa lista. Entre eles, a Coreia do Norte. O país quer experimentar a tecnologia brasileira com o trigo em seus campos de cultivo.

Vieira destaca também a qualidade que o produto brasileiro já atinge. Ela pode ser verificada, segundo ele, pelas compras dos Emirados Árabes, um importador extremamente exigente.

O Brasil é bastante dependente do trigo. Em geral, o volume importado supera o produzido. Neste ano, o consumo será de 12,5 milhões de toneladas, e a produção, de 6,8 milhões, segundo a Conab.

Vieira dá várias razões para que o país saia da dependência externa, atinja a autonomia e seja exportador líquido.

Área para o cultivo não falta. Ela pode chegar a 10 milhões de hectares. Os estados do Sul têm pelo menos mais 7 milhões que poderiam ser destinados à produção do cereal no inverno.

No cerrado, segundo ele, são mais 2,2 milhões de hectares disponíveis, com a possibilidade da ampliação dessa área com o avanço do melhoramento genético do produto.

Para Vieira, o país precisa seguir as diversas exigências do mercado, tanto as internas como as externas. Essas necessidades vão do trigo para pão e biscoitos até o para ração.

Surge uma nova demanda de ração para aves e suínos no Sul, onde se encaixa bem o triticale. Dependente cada vez mais do milho do Centro-Oeste, os estados do Sul podem substituir esse cereal pelo triticale na ração.

O trigo tem de ser produtivo, ter qualidade e gerar renda, segundo o pesquisador da Embrapa. Por isso, as pesquisas buscam cada vez mais dominar a brusone, uma doença típica nas culturas brasileiras, provocada por fungos que deixam os grãos chochos.

Uma das vantagens da lavoura brasileira, em relação à de outros produtores, é que o trigo brasileiro se desenvolve em um período próximo a 90 dias. Em outros países, são até 180 dias.

No Nordeste, a duração das lavouras é de 75 dias. Esse período reduzido faz com que produtores já façam experimentos para a obtenção de uma segunda safra no ano.

O clima do cerrado e do Nordeste pode reduzir também a micotoxina no trigo, provocada pelo fungos na fase de floração. Esses fungos aparecem no período de chuvas prolongadas e temperaturas altas.

A produtividade média brasileira é de 2.928 kg por hectare, de acordo com a Conab. No Paraná e no Rio Grande do Sul, maiores produtores nacionais, essa produtividade ficará em 2.950 kg nesta safra. No Nordeste, atingiu 5.700 kg, e, no Distrito Federal, 4.235 kg.

Algumas lavouras irrigadas já chegam a 8.500 kg no cerrado.​

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Projeto da Embrapa investe na Indicação Geográfica da farinha de Cruzeiro do Sul

O trabalho de agricultores familiares do Juruá para manter a qualidade da farinha de mandioca produzida na região e fortalecer a presença do produto no mercado ganhou novo reforço com o projeto “Consolidação da Indicação Geográfica (IG) ‘Cruzeiro do Sul’ como estratégia para o desenvolvimento rural da Regional Juruá, no Acre”, executado pela Embrapa. Iniciada no mês de janeiro, a iniciativa tem duração de três anos e realiza ações para fortalecimento da gestão do selo de Indicação de Procedência, conquistado em 2017, e para melhoria da produção. No período de 2 a 6 de abril, a equipe do projeto estará em Cruzeiro do Sul, para realizar novas atividades.

A farinha de Cruzeiro do Sul é o primeiro derivado da mandioca com Indicação Geográfica (IG) no Brasil. O selo, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), contempla produtores dos municípios de Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul, principal centro distribuidor do produto. Juntos com os agricultores, a Central de Cooperativas do Juruá (Central Juruá) buscou o apoio de diferentes instituições para a construção do dossiê documental, uma das exigências para requerimento da IG. Por mais de uma década, pesquisas conjuntas geraram informações sobre aspectos da produção artesanal de farinha e contextos históricos do território, para subsidiar o processo.

Segundo a pesquisadora Virgínia Álvares, líder do projeto, as Indicações Geográficas funcionam como uma espécie de certificação que agrega valor à produção e proporciona ganhos econômicos e sociais para os agricultores e para a região. Entretanto, administrar esse diferencial impõe desafios que envolvem questões como a manutenção do modo de produção e o acesso a novos mercados. “Em parceria com outras instituições que integram o Conselho Regulador da IG vamos orientar as cooperativas e os produtores rurais na gestão participativa do selo e o posicionamento da produção no mercado e atuar na transferência de tecnologias para garantir o padrão de qualidade do produto e expandir o uso do selo pelos agricultores. Além disso, investiremos em ações de comunicação e marketing para divulgação da IG”, diz.

Agenda de trabalho

Dentre as principais atividades para fortalecer a Indicação Geográfica da farinha de Cruzeiro do Sul está a criação de um Grupo de Trabalho (GT) formado por profissionais da Embrapa, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre (Ifac). A equipe interinstitucional prestará assessoramento técnico e industrial no planejamento e controle interno da produção, adoção de estratégias de autocontrole da qualidade da farinha produzida, atualização das normas previstas no regulamento de Uso do selo e outras ações voltadas para a melhoria dos processos gerenciais e produtivo envolvendo a IG. As articulações para formação do GT iniciam na segunda quinzena de março.

Outra prioridade do projeto é a implementação de mecanismos de controle da qualidade da produção. As atividades contarão com a parceria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que vai capacitar profissionais para o processo de amostragem. A Embrapa atuará na realização de análises físico-químicas e na classificação da farinha de mandioca entregue pelos agricultores à Central Juruá para comercialização. Durante a viagem ao Juruá, pesquisadores da Embrapa vão orientar a primeira coleta de amostras de farinha com foco na classificação do produto.

“As amostras serão coletadas quinzenalmente e analisadas em relação a diversos parâmetros de qualidade com base na legislação brasileira vigente para a farinha de mandioca. Em caso de incoerências com os padrões estabelecidos, serão realizadas ações de orientação e sensibilização nas comunidades produtoras de farinha da Regional Juruá, em relação à importância de conservar o modo tradicional de produção e outros fatores que influenciam a qualidade do produto”, explica Virgínia Álvares.

Para a pesquisadora Joana Souza, responsável pelas análises laboratoriais das amostras de farinha na Embrapa, além atestar o cumprimento de critérios de elaboração da farinha previstos no regulamento de uso da IG, a adoção de metodologias de rastreamento da produção e controle de qualidade ajuda a proteger o conhecimento tradicional e garante autenticidade ao produto. “O processo beneficia tanto agricultores, que podem ofertar um produto diferenciado e obter preços mais justos no mercado, quanto consumidores, que contam com a segurança de levar para casa um produto de origem comprovada”, destaca.

Estudos de mercado

A produção de farinha de mandioca é a principal atividade econômica de agricultores familiares da região do Juruá. Conforme dados da Secretaria de Extensão Agroflorestal e produção Familiar (Seaprof), existem mais de três mil casas de farinha na região e a produção mensal por unidade produtiva chega a 100 sacas de 50 quilos. Como parte do esforço para ampliar a presença do produto no mercado e consolidar a Indicação Geográfica, desde 2016 as parcerias institucionais passaram a focar a melhoria da gestão das associações e cooperativas locais e a adoção de estratégias mercadológicas para fidelização da marca “farinha de Cruzeiro do Sul”.

Com o intuito de fortalecer esse trabalho, o projeto vai realizar um diagnóstico do mercado da farinha e da cadeia produtiva da mandioca, com o objetivo de levantar informações para atualização do plano de negócios da farinha com IG. Como parte dessas ações, está previsto o primeiro painel técnico de avaliação de demandas e oportunidades desse mercado, a ser realizado ainda no primeiro semestre deste ano.

De acordo com a técnica do Sebrae, Murielly Nóbrega, uma das responsáveis pelos estudos, o diagnóstico visa identificar desafios tecnológicos da produção de farinha e limitações mercadológicas, avaliar riscos e orientar a adoção de estratégias para expansão do mercado da farinha. “Os resultados também permitirão dimensionar e planejar volumes de produção e subsidiarão a definição de ações para melhoria da gestão empresarial e comercialização do produto”, afirma.

Paralelo às ações de apoio à gestão da IG, para preservar a qualidade da farinha de Cruzeiro do Sul, o projeto vai investir na formação de agentes multiplicadores de conhecimentos em gestão, com foco na qualidade, proteção e promoção da farinha de Cruzeiro do Sul. As capacitações serão dirigidas a membros da Central Juruá e outros parceiros institucionais. Para este ano está prevista a realização de Workshop para troca de experiências em gestão de IG e de oficinas sobre desafios mercadológicos, atividades contam com a parceria da Embrapa Uva e Vinho (Bento Gonçalves/RS) e Embrapa Rondônia (Porto Velho).

Embrapa e Funai firmam cooperação para trabalhos em Terras Indígenas do Juruá

As parcerias institucionais têm contribuído para fortalecer a agricultura e outras atividades produtivas em territórios indígenas acreanos. Para ampliar essas ações, a Embrapa Acre (Rio Branco) e a Fundação Nacional do Índio (Funai), por meio da Coordenação Regional do Juruá (CR/Juruá), sediada em Cruzeiro do Sul, firmaram Acordo de Cooperação Técnica para execução de atividades conjuntas de pesquisa e transferência de tecnologias em cinco Terras Indígenas (TI) da região. O Plano de Trabalho, assinado em setembro (17), tem vigência para três anos e pode ser prorrogado pelo mesmo período.

A cooperação prevê ações para melhoria da produção agrícola, uso sustentável de recursos naturais e geração de renda, entre outras demandas das Terras Indígenas Poyanawa, Kaxinawá de Nova Olinda, Rio Gregório, Nukini, Jaminawa-Arara do Igarapé Preto e Kampa do Rio Amônea. Além disso, poderá contemplar atividades pontuais e emergenciais de outros povos indígenas nos municípios sob a responsabilidade da Funai no Juruá (Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Feijó, Jordão, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Valter e Marechal Thaumaturgo). A identificação dessas necessidades terá início em 2019.

Eufran Amaral, chefe-geral da Embrapa Acre, ressalta que a parceria é resultado de um longo processo de negociação, baseado no atendimento de aspectos legais, procedimentos normativos e interesses convergentes e considera a assinatura do Acordo uma conquista para as duas instituições. “As Terras Indígenas são territórios complexos, com inúmeras possibilidades de atuação para a pesquisa. Podemos contribuir com tecnologias sociais para fortalecer diferentes atividades produtivas nas comunidades”.

No Juruá o trabalho abrange 29 Terras Indígenas, onde vivem 70% da população indígena do estado. De acordo com o coordenador regional do órgão, Luiz Valdenir Souza, somar esforços com outras instituições é uma forma eficiente de otimizar recursos, fortalecer as ações e ampliar a capacidade de trabalho. “Embora esse processo envolva uma série de exigências, de ambas as partes, é possível construir parcerias sólidas e duradouras. A cooperação com instituições de pesquisa pode contribuir para a implementação de atividades essenciais para as populações indígenas, relacionadas à segurança alimentar, uso adequado dos solos e dos recursos florestais, além de gerar subsídios para fomentar a política indigenista”, destaca.

Embrapa e Peixes da Amazônia vão criar ração exclusiva

A Embrapa e a Peixes da Amazônia estão desenvolvendo uma ração específica para pirarucu. Para isso, ambas atuam por meio da uma parceria público privada. Atualmente as rações disponíveis são baseadas em fórmulas designadas para outras espécies carnívoras. A expectativa é de que, com uma formulação específica para o pirarucu, ele tenha um melhor desenvolvimento. O trabalho deve durar 14 meses.

“Estão envolvidos nessa parceria a empresa, que é uma sociedade anônima com 21 sócios, incluindo piscicultores, e o governo do Acre, também disposto a investir na iniciativa”, detalha Alexandre Aires de Freitas, chefe geral interino da Embrapa Pesca e Aquicultura, de Palmas, no Tocantins.

Houve uma busca ativa por fabricantes de ração que estivessem interessados em desenvolver a fórmula em conjunto com a Embrapa, e a Peixes da Amazônia foi uma das primeiras a demonstrar interesse. “Essa parceria é um desdobramento do projeto anterior, o Pirarucu da Amazônia, que contou com a participação do Sebrae e do extinto Ministério da Pesca”, explica Freitas

Atualmente há mais duas empresas, uma de Tocantins outra de Rondônia, em fase de negociações. O papel da Embrapa será oferecer o know how para validação do produto, uma vez que a Embrapa dispõe de dados sobre digestibilidade e exigência de aminoácidos essenciais do pirarucu. Caberá à Peixes da Amazônia a produção do alimento em escala industrial. “Estamos abertos a outras parcerias para fabricação de ração”, informa Freitas.

Embrapa e Sebrae lançam livro sobre Indicação Geográfica

Como os agricultores do Juruá se organizaram para comprovar a qualidade diferenciada da farinha de mandioca produzia na região? De que forma a história e a cultura regional participam do processo de constituição de características particulares desse produto? Como essa certificação pode contribuir para valorizar o produto no mercado? Estas e outras questões estão presentes no livro “Indicação Geográfica da Farinha de Mandioca de Cruzeiro do Sul, Acre”, lançado pela Embrapa Acre e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), no dia 27 de setembro, durante a terceira edição do Festival da Farinha, em Cruzeiro do Sul.

A publicação reúne resultados de pesquisas desenvolvidas para apoiar agricultores familiares do Juruá na obtenção do selo de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência, conquistado pelo produto em 2017. Composta por oito capítulos produzidos por profissionais da Embrapa e instituições parceiras, a obra tem o objetivo de compartilhar informações sobre a produção de farinha de mandioca no Juruá e dar visibilidade à Indicação Geográfica como ferramenta de fortalecimento da cadeia produtiva da mandioca no Acre e como estratégia de desenvolvimento local. Além de contextos históricos e atuais do processo produtivo, os conteúdos destacam aspectos simbólicos da diferenciação desse produto e permitem vislumbrar o caráter intrínseco da Indicação Geográfica

“Por meio de estudos técnicos buscamos evidenciar desde a caracterização da cadeia da mandioca, melhorias no processo de produção, definição de padrões de identidade e características físicas e químicas que enfatizam a qualidade da farinha de Cruzeiro do Sul e sua vinculação com um “saber fazer” particular dos agricultores do Vale do Juruá, até a identificação do potencial da região produtora para a Indicação Geográfica. De modo complementar, a partir de abordagens midiáticas, agregamos informações sobre a percepção de produtores e gestores públicos do Juruá e consumidores de diferentes localidades, que confirmam a notoriedade e qualidade do produto, considerado por muitos como a “melhor farinha” do Brasil”, explica a pesquisadora da Embrapa Acre, Joana Souza, uma das editoras técnicas do livro.

A versão impressa do livro será distribuída gratuitamente a produtores rurais, gestores públicos e representantes de instituições parceiras em projetos envolvendo a cadeia produtiva da mandioca. O formato digital está disponível no site www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1086100/indicacao-geografica-da-farinha-de-mandioca-de-cruzeiro-do-sul-acre

Componente humano

Segundo a pesquisadora da Embrapa Acre, Virgínia Álvares, que coordenou parte dos estudos desenvolvidos e também participa da editoria da publicação, por contemplar tanto questões agronômicas da produção de mandioca como relacionadas à tecnologia de alimentos, vinculados a um viés histórico-cultural, o conhecimento disponibilizado ajuda a compreender a própria região do Juruá e a essência do processo de IG. Entre os aspectos mais relevantes da obra está o componente humano como principal elemento impulsionador da Indicação Geográfica. “Embora outros fatores sejam considerados, é o conhecimento tradicional dos agricultores, adquirido ao longo de mais de cem anos de tradição e traduzido no modo peculiar de fazer, que determina efetivamente a qualidade da farinha de Cruzeiro do Sul”, diz.

Para a analista do Sebrae, Murielly Nóbrega, editora da publicação e responsável pelas ações de apoio e manutenção da IG da farinha de Cruzeiro do Sul, o livro traduz esforços conjuntos de instituições e pessoas na execução de diferentes projetos e chega como um presente para produtores rurais, estudantes e profissionais da pesquisa e fomento à produção. “Além de uma gama de informações técnicas sobre a cadeia produtiva da mandioca, diferentes públicos poderão conhecer, com detalhe, o processo de obtenção e implementação da Indicação Geográfica do primeiro produto acreano a conquistar esse selo diferencial”.

Fonte de emprego e renda para mais de duas mil famílias rurais dos municípios de Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Valter, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul, a produção de farinha é a principal atividade econômica do Juruá. Em agosto de 2017, após mais de uma década do início do processo, a farinha de Cruzeiro do Sul (como o produto é conhecido), recebeu o selo de Indicação Geográfica, concedido pelo junto ao Instituto Nacional Propriedade Industrial (INPI, espécie de atestado oficial da sua qualidade diferenciada que funciona como estratégia de valorização do produto no mercado.

Prefeitura e Embrapa firmam parceria visando a cooperação técnica entre as instituições

A prefeita de Rio Branco, Socorro Neri e o Presidente da EMBRAPA, Eufran Amaral, assinaram nesta quinta-feira, 20, na sala de reuniões da Prefeitura, um Plano de Trabalho, que é parte integrante do Acordo de Cooperação Técnica, intitulado “ Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa, Zoneamento Econômico, Ambiental e Sociocultural e Plano da Agricultura Familiar do município de Rio Branco”. O objetivo da prefeitura é melhorar o padrão tecnológico da agropecuária no Município de Rio Branco.

O Plano de Trabalho prevê a realização de diversas atividades, como: o   inventário das emissões dos setores de energia, transporte, agropecuária, resíduos e mudança de uso da terra, reuniões técnicas de construção do IGEE com equipe da Semeia, confecção do Mapa de solos das áreas desmatadas do município de Rio Branco, estruturação do Mapa de aptidão agrícola e agroflorestal, realização de oficinas, temáticas de construção do Plano da Agricultura familiar, definição das prioridades de ação e estruturação do Plano Agrícola.

O Zoneamento Econômico, Ambiental, Social e Cultural de Rio Branco (ZEAS), é ferramenta estratégica para otimizar o uso dos recursos naturais e socioeconômicos baseados na cultura e história das comunidades rurais. Já o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), será um estudo quantitativo da emissão desses gases em uma organização, considerando seu atual cenário de funcionamento, permitindo identificar quais são as atividades com maior índice de emissões, viabilizando a implantação de estratégias para reduzi-las. O Inventário de Emissões de GEE é fundamental para um cenário de baixo carbono em Rio Branco.

Socorro Neri, ressalta que “esta é uma parceria muito importante. Vamos trabalhar intensamente para que as ações cheguem de modo significativo ao sistema produtivo do município de Rio Branco, beneficiando a todos que dele fazem parte, tanto os produtores quanto os consumidores”, disse ela.

Embrapa ressalta importância do açafrão na farinha de mandioca

Uma das principais cadeias produtivas do Acre, a mandiocultura é fonte de renda para mais de 12 mil famílias em todo o Estado. Nesta semana, a regulamentação do açafrão na produção de uma das maiores tradições da culinária acreana trouxe de volta a esperança de prosperidade aos produtores rurais.

A medida foi anunciada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após intermédio do governador Tião Viana que, com apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no Acre, conseguiu mostrar que o açafrão nada mais é do que um complemento fundamental para a farinha de mandioca.

“Como nós produzimos várias farinhas com diferentes tipos de macaxeira, o uso do açafrão é muito importante porque nós produzimos uma farinha toda igual. Assim, ela fica só um padrão. Fora do Acre, a farinha branca não é muito aceita. A farinha creme [amarela] que a gente produz tem uma melhor aceitação de mercado, e sem o uso do açafrão, caiu o preço da farinha”, explica Ricardo Alexandre, produtor rural em Cruzeiro do Sul que, aos 28 anos, carrega a tradição familiar, mas também adquire a macaxeira de outros produtores quando necessário.

Para o chefe geral da Embrapa Acre, Eufran Amaral, a produção da farinha de mandioca é a base da segurança alimentar e econômica das famílias.

“A mandioca é a cultura mais importante do Estado do Acre em termos de áreas, seguida do milho, e tem uma importância fundamental para a manutenção das condições sociais e econômicas das famílias, especialmente na região do Juruá, que tem cerca de 800 casas de farinha. Vale destacar que a produção da farinha é a base da segurança alimentar desses produtores, além da garantia de renda. Com a regulamentação do açafrão, elas podem continuar conduzindo suas atividades melhorando sua qualidade de vida através dessa produção”, destaca Eufran Amaral.

A pesquisadora da Embrapa Acre, Virgínia Álvares, esclarece que o açafrão já é uma especiaria amplamente utilizada em todo o mundo. No entanto, apesar de seu uso ser livre no Brasil e já utilizado tradicionalmente nas casas de farinha, não havia regulamentação específica para seu uso nesse processo.

“O uso do açafrão não estava autorizado para a farinha, por isso, havia a necessidade de fazer esse pedido de inclusão. Nesse meio tempo, diante do cenário econômico, o governador [Tião Viana] solicitou nota da Embrapa para auxiliar nessa negociação junto à Anvisa e no nosso estudo, comprovamos que a quantidade de açafrão utilizada continua dentro das normas do Ministério da Agricultura para a farinha”, esclarece Virgínia.

Ainda de acordo com a pesquisadora, em 2011 houve a atualização da legislação do Ministério da Agricultura que trata sobre a Padronização e Classificação da Farinha de Mandioca, “onde foi informado que poderia ser utilizado o corante natural, desde que tivesse regulamentado pela Anvisa”.

Sobretudo, cerca de quatro meses atrás, a Anvisa endureceu a fiscalização, o que prejudicou a fabricação e, consequentemente, a venda do produto. “É importante frisar que esse corante é feito das raízes do açafrão da terra e produzido pelos próprios produtores”, finaliza a pesquisadora.

Evolução da cadeia produtiva

Considerado o melhor lugar para se plantar macaxeira no Brasil, segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), o Acre tem o maior rendimento agrícola por hectare na produção dessa cultura, por isso a regulamentação do uso do açafrão representa mais um avanço nessa cadeia produtiva.

Para o secretário de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar, Thaumaturgo Neto “a continuidade do açafrão no processo da produção da farinha, além de acabar de vez com a dúvida sobre a utilização desse corante natural, resgata o modelo cultural de produzir farinha distinguindo a sua coloração natural no processo”.

A conquista é mais um resultado do esforço do governo do Estado, aliado aos produtores rurais, que se soma aos grandes investimentos no setor produtivo. Durante a gestão do governador Tião Viana, foi iniciado o processo de fortalecimento e expansão da cadeia produtiva da mandioca com a formalização do modelo de parceria Público-Privado-Comunitário Integrado (PPCI).

Projeto da Embrapa investe na melhoria da agricultura na Aldeia Poyanawa

O fortalecimento da produção agrícola, a geração de conhecimento sobre solos para potencializar o uso da terra e o aproveitamento sustentável de recursos florestais estão entre as principais metas do projeto “Etnoconhecimento, agrobiodiversidade e serviços ecossistêmicos entre os Puyanawa”, executado pela Embrapa Acre. Iniciado em outubro de 2017, o projeto já realizou seis viagens às aldeias. Baseado na troca de conhecimentos, o trabalho envolve ações de pesquisa e transferência de tecnologias para melhoria dos sistemas de produção agrícola.

De acordo com o pesquisador Moacir Haverroth, líder do projeto, o objetivo é fortalecer a agricultura indígena para ampliar a oferta de alimentos, garantir segurança alimentar e possibilitar novas opções de geração de renda nas aldeias, por meio de alternativas que associem produção e conservação ambiental. “Além disso, buscamos contribuir com o fortalecimento da cultura puyanawa, atualmente em processo de retomada de antigas tradições. Todas as atividades são planejadas com a comunidade e têm a participação de agentes agroflorestais indígenas que moram e trabalham nas aldeias”, explica.

Localizada no município de Mâncio Lima, a 700 quilômetros da capital Rio Branco (AC), a Terra Indígena Poyanawa é formada pelas aldeias Ipiranga e Barão, onde vivem cerca de 130 famílias. O projeto conta com a parceria da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Instituto de Mudanças Climáticas (IMC) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre (Ifac), Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (Amaaiac) e representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e Comissão Pró-Índio do Acre e outras instituições.

Diversificação da produção

A principal atividade agrícola na Terra Indígena Poyanawa é o cultivo de mandioca, mas o rendimento dos plantios, inferior a 100 sacos por hectare, é considerado baixo. As ações em andamento buscam aumentar a produtividade da cultura e expandir a área plantada, com uso de variedades mais produtivas, melhoria das práticas de manejo da cultura e formação de novos cultivos. “O aproveitamento de áreas abertas evita o desmatamento e contribui para fortalecer a produção, com reflexos positivos na qualidade de vida das famílias”, destaca Haverroth.

Entre outras estratégias para diversificar as atividades produtivas nas aldeias Puyanawa, o projeto investe em ações para aumentar a produção de milho e feijão, incluindo a adequação de métodos de plantio e manejo e práticas de controle de doenças. Além disso, o trabalho busca consolidar o uso de sistemas agroflorestais (SAF) nas aldeias Puyanawa, trabalho realizado em articulação com um projeto executado pelo governo do Estado, desde 2016, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e que beneficia 50 famílias.

“O governo fornece as mudas e insumos e nós orientamos as famílias na definição, implantação e condução dos modelos. Além de contribuir para melhorar a diversidade de alimentos nas aldeias, os sistemas agroflorestais podem ajudar a recuperar áreas degradadas”, explica Haverroth.

Balde Cheio vai investir na melhoria da produção do Acre

Pesquisadores e técnicos de sete Unidades da Embrapa, além de professores e alunos da Universidade Federal do Acre (Ufac), visitaram propriedades rurais dos municípios de Ministro Andreazza, Rolim de Moura, Cacoal e Vilhena, em Rondônia, entre os dias 2 e 5 de agosto, para conhecer como a metodologia do projeto Balde Cheio em Rede tem sido aplicada, com foco na ampliação das ações no Acre e outros estados. As experiências dos produtores mostram que com adoção de tecnologias adequadas, pequenas propriedades se tornaram altamente produtivas na atividade leiteira.

Executado pela Embrapa, em parceria com outras instituições, há duas décadas o Balde Cheio capacita técnicos para a assistência continuada a produtores rurais na adoção de tecnologias sustentáveis e ferramentas de gerenciamento das propriedades, com a finalidade de aumentar a produtividade e eficiência dos sistemas de produção de leite e incrementar a renda das famílias. Em 2017, o projeto passou a funcionar em rede, com a participação de unidades da Embrapa do Acre, Amazonas, Roraima, Tocantins, Maranhão e Piauí e de Unidades de pesquisa de outros 10 estados.

De acordo com o analista da Embrapa Acre, Márcio Bayma, um dos integrantes da equipe que percorreu o interior rondoniense, o processo de formalização de parcerias para constituição de arranjos locais, visando à execução das primeiras ações do projeto no Acre, está em andamento. Junto com agricultores familiares, serão implantadas três Unidades Demonstrativas das tecnologias do projeto, em propriedades rurais dos municípios de Feijó, Acrelândia e Plácido de Castro, com as devidas adequações à realidade local. Entre outras prioridades o projeto vai investir na elevação do padrão genético do rebanho, controle da sanidade animal, melhoria da qualidade das pastagens, adequação da dieta nutricional de vacas leiteiras e controle da produção.

“Os resultados obtidos em Rondônia podem inspirar inciativas do projeto no Acre e em outros estados. Aqui, embora a cadeia produtiva do leite ainda esteja pouco estruturada, acreditamos que com o envolvimento dos produtores e apoio de outras instituições podemos implementar alternativas tecnológicas eficientes e alcançar elevar a produção de leite. Os desdobramentos dessa experiência inicial poderão atrair outros produtores para o projeto”, destaca Bayma.

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Na propriedade rural de Jussara e Carlos Silva, em Vilhena (RO), a produção de leite saltou de 10 para 20 litros por animal ao dia – Foto/Renata Silva

Mudança no campo

Em cada município visitado, um técnico do Balde Cheio acompanhou a equipe e apresentou dados detalhados das propriedades, da execução da atividade leiteira e da produção nos últimos 12 meses. Os resultados revelam que pequenas propriedades se tornaram altamente produtivas, seguindo recomendações técnicas, e mostram como o projeto tem ajudado a mudar a vida no campo e a trajetória dos produtores, como o paranaense Valdemir Eugênio da Silva, que migrou para Ministro Andreazza, nos anos 2000, para trabalhar na lavoura de café, mas sempre sonhou criar vacas leiteiras.

Desde que aderiu ao projeto, em 2016, a produção média por animal saltou de 1,6 para 14,2 litros/dia. Com 14 vacas em lactação e apenas 1,5 hectare de pasto irrigado, a propriedade produz 200 litros de leite por dia.  “Renovamos o rebanho, melhoramos a pastagem, conseguimos atingir nosso objetivo inicial e o sonho cresceu. A meta agora é produzir 500 litros de leite/dia. Sei que vamos chegar lá”, diz Silva.

A propriedade do produtor Alceir Carneiro, em Rolim de Moura, chama a atenção pela rapidez na evolução da atividade. Em 2017 ele deixou o trabalho de diarista para investir na pecuária leiteira e, em um ano e oito meses de adesão ao projeto, a produção de leite aumentou 700%. No início, eram produzidos 20 litros de leite/dia, com produção média diária de 2,5 litros/vaca. Atualmente, são132 litros por dia e a produção por animal subiu para 10 litros/dia. “Ainda podemos crescer, mas já posso dizer que hoje tenho a vida que sempre sonhei porque não preciso mais sair de casa para trabalhar. A cada dia aprendemos mais sobre a atividade e assim vamos transformando a produção de leite em um negócio lucrativo e prazeroso”, afirma.

Socorro Neri visita Embrapa e fortalece parcerias para o sistema produtivo

Fortalecer a produção rural e preservar áreas ambientais é o objetivo da parceria

Aprefeita Socorro Neri visitou nesta quarta-feira (8) a sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária do Acre (Embrapa), no KM 14 da BR-364. Acompanhada da Chefe de Gabinete da Prefeitura de Rio Branco, Silvia Brilhante; do presidente da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco (Emurb), Marco Antônio Rodrigues, e do diretor de Produção da Secretaria Municipal de Agricultura e Floresta (Safra), Jorge Rebolças, a prefeita foi recebida pelo pesquisador-chefe da Embrapa/Acre, Eufran Amaral.

A Prefeitura de Rio Branco e a Embrapa são antigos parceiros em diferentes áreas do desenvolvimento municipal, e um dos acertos estabelecidos entre Socorro Neri e Eufran Amaral é a retomada do Zoneamento Econômico, Ambiental, Social e Cultural de Rio Branco (ZEAS), ferramenta estratégica para otimizar o uso dos recursos naturais e socioeconômicos baseados na cultura e história das comunidades rurais. “Temos um termo de cooperação técnica com a Prefeitura de Rio Branco e agora estamos potencializando essas ações”, explicou Eufran Amaral.

Além dos ZEAS, a visita de Socorro Neri à Embrapa dá início a elaboração do Plano de Fortalecimento da Produção, que inclui diferentes ações para sua implementação.

Ainda durante a visita à EMBRAPA, a prefeita definiu a elaboração do Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), um estudo quantitativo da emissão desses gases em uma organização, considerando seu atual cenário de funcionamento, permitindo identificar quais são as atividades com maior índice de emissões, viabilizando a implantação de estratégias para reduzi-las.

O Inventário de Emissões de GEE é fundamental para um cenário de baixo carbono em Rio Branco. “É sem dúvida uma parceria muito importante que estamos fortalecendo agora. Vamos trabalhar intensamente para que as ações cheguem de modo significativo ao sistema produtivo do município de Rio Branco, beneficiando a todos que dele fazem parte”, disse a prefeita Socorro Neri.

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Embrapa investe em pesquisa e bambu torna-se em alternativa de renda no Acre

Pesquisas realizadas pela Embrapa e instituições parcerias mostram que é possível manejar bambus nativos e fazer da planta uma opção de renda na agricultura familiar. Com técnicas de colheita adequadas o vegetal rebrota com facilidade e pode produzir por muito tempo. O trabalho tem o objetivo de comprovar o potencial econômico e viabilizar o aproveitamento desse recurso natural, abundante no estado do Acre.

Junto com moradores da Reserva Extrativista Chico Mendes, município de Assis Brasil (AC), os pesquisadores atuaram na definição de um sistema de produção para a cultura, durante seis anos. Além de possibilitar o manejo de reservas nativas, as pesquisas, realizadas em parceria com a Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (Sebrae) e Universidade Federal do Acre (Ufac), contribuíram para desmistificar o vegetal, antes considerado indesejado por sua capacidade de se espalhar rapidamente.

“Para demonstrar as potencialidades do bambu aos agricultores instalamos um experimento na comunidade Bambuzal e testamos técnicas de seleção, corte e colheita da planta, além de métodos de tratamento e processamento, para garantir qualidade à madeira. Paralelamente, identificamos alternativas sustentáveis de aproveitamento da madeira na propriedade e compradores potenciais para a produção. Aos poucos, eles perceberam que o bambu é uma cultura promissora, com muitas possibilidades econômicas”, conta o pesquisador da Embrapa Acre Elias Miranda.

Planta rebrota por mais de 30 anos

Perene, de rápido crescimento (algumas espécies crescem até 20 centímetros por dia) e fácil regeneração, o bambu pode produzir por mais de 30 anos, sem a necessidade de replantio. Conforme Miranda, uma das principais particularidades do manejo dessa gramínea é a colheita seletiva, com retirada anual de colmos maduros. Em bambuzais nativos deve ser colhida metade das plantas por touceira. Em cultivos plantados, a partir dos cinco anos é possível colher de 20% a 50% dos colmos com potencial econômico, dependendo da espécie e finalidade de uso.

O pesquisador explica, ainda, que a extração regular, com base em orientações técnicas, ajuda a planejar a produção, facilita a colheita e permite o surgimento de novas plantas, aspecto que garante a manutenção do bambuzal e sustentabilidade à atividade. “Conhecer o comportamento reprodutivo do bambu é importante para orientar empreendimentos comerciais, seja em reservas nativas ou áreas cultivadas. Como se trata de uma planta ainda em fase de domesticação, existe um longo caminho até desvendar plenamente a sua biologia”, afirma Miranda.

De praga a fonte de renda

Na propriedade do agricultor Assis Oliveira, a família investiu na comercialização de colmos (varas) e esterilhas (pranchas aplainadas utilizadas para a confecção de painéis) tratadas na comunidade. “O aprendizado prático ajudou a transformar em fonte de renda uma planta vista como praga. Em três anos faturamos 80 mil reais com a venda desses produtos. Uma pena não ter despertado antes para o valor do bambu”, conta Oliveira.

Os resultados motivaram outros produtores rurais a investir no bambu como atividade produtiva, entre eles Francisco da Silva, morador do Assentamento Bandeirante, município de Porto Acre, que há dois anos tem o apoio de pesquisadores da Embrapa e Funtac no manejo da planta. “Aprendi a realizar a colheita na floresta e tratar a madeira. Hoje atendo encomendas de empresas de Rio Branco e São Paulo. Cada vara de quatro metros custa entre oito e 12 reais, de acordo com o diâmetro. A meta agora é investir no cultivo de bambu consorciado com açaí”, diz.

Mais de 250 espécies no Brasil

De acordo com a Lista de Espécies da Flora Brasileira existem 258 espécies de bambu no País, distribuídas em 35 gêneros e encontradas nos diferentes biomas brasileiros. Essa diversidade, correspondente a cerca de 20% do total dos bambus no mundo, favorece a realização de pesquisas para o melhoramento genético da planta e conservação da espécie, o que é feito pela Embrapa desde 2013, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). Um dos enfoques desses estudos é a produção de mudas, a partir de materiais genéticos de interesse comercial coletados em localidades da Amazônia e Cerrados.

Entre os resultados dos estudos está a definição de protocolos para a produção de mudas em laboratório, por propagação in vitro, com uso de biorreatores. O método, de acordo com o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília/DF) Jonny Everson Pereira, permite multiplicar as plantas de forma semi-industrial e proporciona agilidade ao processo “Isso garante a oferta de mudas de qualidade, em larga escala, e reduz tempo e custos com mão-de-obra”, enfatiza.

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Mapa do bambu

A maior reserva natural de bambu do planeta, localizada no sudoeste da Amazônia Legal, abrange cerca de 180 mil quilômetros quadrados de florestas com a presença da planta, que se iniciam na Cordilheira dos Andes, nos territórios peruano e boliviano, e se estendem até o estado do Acre e parte do Amazonas. Essa imensa mancha verde cobre cerca de 40% das florestas acreanas, o equivalente a 4,5 milhões de hectares com bambus nativos, conforme dados do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) do estado. Para conhecer de perto esse recurso natural, desde 2009 um grupo de pesquisadores realiza o mapeamento de diversos municípios.

O trabalho pioneiro revelou maior concentração de bambus com potencial econômico nos municípios de Assis Brasil, Manoel Urbano, Xapuri e Sena Madureira, situados a leste do Estado. “Os conhecimentos sobre as espécies, quantitativo e localização espacial das reservas nativas serviram como subsídio para a criação do Plano Estadual de Desenvolvimento do Bambu, política pública que reúne diretrizes para o uso sustentável desse recurso natural, regras para o cultivo e prevê investimentos para a geração de tecnologias para a cultura”, afirma Aldemar Maciel, técnico do Sebrae.

Mercado em expansão

Presente em diversas partes do mundo, o bambu é utilizado para diferentes finalidades – da produção de brotos comestíveis à execução de projetos inovadores em arquitetura e engenharia. Segundo dados da Rede Internacional de Bambu e Rattã (Inbar), entidade que reúne mais de 43 países em iniciativas voltadas para o uso desses vegetais, incluindo o Brasil, o mercado mundial do bambu movimenta cerca de 60 bilhões de dólares ao ano.

Conforme explica o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Bambu (Aprobambu), Guilherme Korte, diversos estados investem no cultivo de bambu, principalmente o Maranhão que já conta com 22 mil hectares da planta, destinados à produção de biomassa para geração de energia para o setor industrial, principalmente cervejarias e cerâmicas. Ele considera que as pesquisas são essenciais para direcionar investimentos para suprir a demanda crescente por bambu no mercado interno e de outros países.

Embrapa abre inscrição para prova de desempenho de gado nelore no Acre

A Embrapa do Acre lançou o edital da   1ª Prova de Performance  de Reprodutores Jovens Funcionais a Pasto, que visa avaliar, durante 360 dias,  o desempenho de rebanhos nelore no Estado. Os animais inscritos ficarão alojados na propriedade NeloVale, localizada no km 82 da BR 364,  no município de Plácido de castro. A iniciativa é uma parceria entre a Embrapa Acre, Associação de Nelore Acreano (Anacre), Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ANCB) e da empresa de consultoria em melhoramento Brasilcomz. As inscrições acontecem até o próximo dia 20 de maio.

Os animais participantes da prova deverão ser da raça Nelore, do sexo masculino, nascidos entre 1º de junho e 30 de agosto de 2017, com peso mínimo ajustado aos 240 dias de 180 kg na data de início do teste. Os primeiros 60 dias servirão para a adaptação dos animais ao ambiente da prova, em condições padronizadas de pastejo, suplementação, clima e manejo.  A seleção de jovens reprodutores Nelore contará com análises de ganho de peso, peso final ajustado, perímetro escrotal e biotipo adequado à produção de carne a pasto. Este último será realizado por meio da metodologia EPMURAS que preconiza a estrutura corporal, precocidade, musculosidade, umbigo, características raciais e sexuais, além de aprumos. Esse tipo de avaliação busca valorizar animais precoces e de biotipo apropriado à produção de carne.

Ao término da prova será divulgado relatório técnico de classificação dos animais. Os proprietários dos bovinos classificados em Elite e Superior Regular ganharão certificados de participação.

Para efetivar a inscrição, o proprietário do bovino deverá apresentar uma cópia do Registro Genealógico de Nascimento do animal, atestado de vacinação, datas de realização da vermifugação, atestados sanitário de exame de Brucelose e Tuberculose e Guia de Transporte Animal (GTA). Além disso, terá que pagar uma taxa de manutenção no valor de mil reais por animal, sendo 50% até a primeira pesagem oficial (24 de julho) e o restante até a terceira pesagem oficial (21 de dezembro).

O edital está acessível na página da Embrapa Acre.  Mais informações podem ser obtidas pelo telefone  (68) 3212-3226 ou pelo email [email protected]