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segunda-feira, 22 de junho de 2026
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Balde Cheio vai investir na melhoria da produção do Acre

Balde Cheio vai investir na melhoria da produção do Acre

Pesquisadores e técnicos de sete Unidades da Embrapa, além de professores e alunos da Universidade Federal do Acre (Ufac), visitaram propriedades rurais dos municípios de Ministro Andreazza, Rolim de Moura, Cacoal e Vilhena, em Rondônia, entre os dias 2 e 5 de agosto, para conhecer como a metodologia do projeto Balde Cheio em Rede tem sido aplicada, com foco na ampliação das ações no Acre e outros estados. As experiências dos produtores mostram que com adoção de tecnologias adequadas, pequenas propriedades se tornaram altamente produtivas na atividade leiteira.

Executado pela Embrapa, em parceria com outras instituições, há duas décadas o Balde Cheio capacita técnicos para a assistência continuada a produtores rurais na adoção de tecnologias sustentáveis e ferramentas de gerenciamento das propriedades, com a finalidade de aumentar a produtividade e eficiência dos sistemas de produção de leite e incrementar a renda das famílias. Em 2017, o projeto passou a funcionar em rede, com a participação de unidades da Embrapa do Acre, Amazonas, Roraima, Tocantins, Maranhão e Piauí e de Unidades de pesquisa de outros 10 estados.

De acordo com o analista da Embrapa Acre, Márcio Bayma, um dos integrantes da equipe que percorreu o interior rondoniense, o processo de formalização de parcerias para constituição de arranjos locais, visando à execução das primeiras ações do projeto no Acre, está em andamento. Junto com agricultores familiares, serão implantadas três Unidades Demonstrativas das tecnologias do projeto, em propriedades rurais dos municípios de Feijó, Acrelândia e Plácido de Castro, com as devidas adequações à realidade local. Entre outras prioridades o projeto vai investir na elevação do padrão genético do rebanho, controle da sanidade animal, melhoria da qualidade das pastagens, adequação da dieta nutricional de vacas leiteiras e controle da produção.

“Os resultados obtidos em Rondônia podem inspirar inciativas do projeto no Acre e em outros estados. Aqui, embora a cadeia produtiva do leite ainda esteja pouco estruturada, acreditamos que com o envolvimento dos produtores e apoio de outras instituições podemos implementar alternativas tecnológicas eficientes e alcançar elevar a produção de leite. Os desdobramentos dessa experiência inicial poderão atrair outros produtores para o projeto”, destaca Bayma.

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Na propriedade rural de Jussara e Carlos Silva, em Vilhena (RO), a produção de leite saltou de 10 para 20 litros por animal ao dia – Foto/Renata Silva

Mudança no campo

Em cada município visitado, um técnico do Balde Cheio acompanhou a equipe e apresentou dados detalhados das propriedades, da execução da atividade leiteira e da produção nos últimos 12 meses. Os resultados revelam que pequenas propriedades se tornaram altamente produtivas, seguindo recomendações técnicas, e mostram como o projeto tem ajudado a mudar a vida no campo e a trajetória dos produtores, como o paranaense Valdemir Eugênio da Silva, que migrou para Ministro Andreazza, nos anos 2000, para trabalhar na lavoura de café, mas sempre sonhou criar vacas leiteiras.

Desde que aderiu ao projeto, em 2016, a produção média por animal saltou de 1,6 para 14,2 litros/dia. Com 14 vacas em lactação e apenas 1,5 hectare de pasto irrigado, a propriedade produz 200 litros de leite por dia.  “Renovamos o rebanho, melhoramos a pastagem, conseguimos atingir nosso objetivo inicial e o sonho cresceu. A meta agora é produzir 500 litros de leite/dia. Sei que vamos chegar lá”, diz Silva.

A propriedade do produtor Alceir Carneiro, em Rolim de Moura, chama a atenção pela rapidez na evolução da atividade. Em 2017 ele deixou o trabalho de diarista para investir na pecuária leiteira e, em um ano e oito meses de adesão ao projeto, a produção de leite aumentou 700%. No início, eram produzidos 20 litros de leite/dia, com produção média diária de 2,5 litros/vaca. Atualmente, são132 litros por dia e a produção por animal subiu para 10 litros/dia. “Ainda podemos crescer, mas já posso dizer que hoje tenho a vida que sempre sonhei porque não preciso mais sair de casa para trabalhar. A cada dia aprendemos mais sobre a atividade e assim vamos transformando a produção de leite em um negócio lucrativo e prazeroso”, afirma.