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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Sobreviventes da covid-19 manifestam, por escrito, gratidão aos profissionais do Into-AC

REPÓRTER OPINIÃO

O técnico de manutenção e limpeza deixou quatro caixas contendo cerca de 400 cartas – a maioria acompanhada de lembrancinhas como stickers, fotos e até chocolate -, no corredor, ao alcance de todos os demais profissionais do hospital, após uma triagem que facilitou o acesso por meio do nome de cada destinatário.

Os relatos escritos à mão são daqueles que passaram pelo pior momento de suas vidas, a batalha contra a covid-19 nos leitos de enfermaria e UTIs do Hospital de Campanha do Governo do Estado, dentro do Instituto Nacional de Ortopedia e Traumatologia do Acre, o Into-AC. Desde o início da pandemia, cujos primeiros casos no Acre aconteceram em março de 2020, o Into-AC tornou-se referência no tratamento de pacientes graves acometidos pelo novo coronavírus.

Basicamente, o que se lê na maioria das cartas são mensagens quase sempre recheadas de passagens bíblicas, de palavras de encorajamento e de lembranças de que um dia todos os profissionais marcaram, de algum modo, as suas vidas. E de que eles serão recompensados por um Deus que tudo observa e que é generoso com os que cuidam do próximo com muito amor e dedicação.

Um desses exemplos vem da paciente Nadiele. Ela abre a sua missiva dizendo o seguinte: “Meu nome é Nadiele. Estou lhe escrevendo essa carta para lhe agradecer por todo o trabalho árduo, esforço e de doação na linha de frente do enfrentamento à covid-19. Seus esforços e lutas não passam despercebidos ao nosso criador. [Em seguida, ela cita um versículo bíblico]. O Salmo 33:13-15 diz: “Jeová, Deus, olha desde os céus. Ele vê os filhos dos homens, observa os habitantes da Terra e examina todas as suas ações”. Mas à frente, Nadiele arremata: “Ele também os recompensará por toda ajuda que vocês prestaram aos pacientes que atendem”, se dirigindo dessa vez, a todos os profissionais do Into-AC.

O técnico de enfermagem Henrique Menezes, de 22 anos, foi um dos agraciados com as cartinhas. O jovem faz parte da categoria que mais é acometida por contaminações de covid-19 no Brasil – eles se infectam muito mais que médicos e enfermeiros -, segundo as estatísticas dos sistemas de vigilância epidemiológica, justamente pelo trabalho mais intensivo de monitoramento a pacientes graves, sempre estando à beira dos leitos. Menezes afirma que “estar na linha de frente não é fácil”. “Você luta, todo dia, praticamente com um monstro invisível”, diz. Por isso, entende que a palavra gratidão é o que define momentos como estes, o de receber cartas tão significativas para todos os profissionais.

“Considero tudo isso um ato de amor e que renova as nossas forças, nos tornando profissionais mais fortes. Não há dinheiro no mundo que pague a felicidade que sentimos quando recebemos esse carinho. Quando recebemos esse apoio”, afirma Menezes.

E ele manda um recado a todos: “Podem ter certeza que cada palavra lida nessas cartas encheu o nosso coração de esperança. Que Deus continue abençoando cada um de vocês que tiraram um pouco de seu tempo para nos tornar profissionais mais fortes”.

Nesta segunda-feira, 1º de janeiro, o Hospital de Campanha do Into-AC apresenta taxa de ocupação de 86,7% nas suas UTIs. Dos 45 leitos de terapia intensiva, 39 estão ocupados nesta segunda.

De acordo com o boletim da Secretaria de Estado de Saúde do Acre, neste momento, 60 leitos de UTI, de um total de 75, estão ocupados nos hospitais de referência da rede do Sistema Único de Saúde, o SUS, em todo o estado, uma taxa de ocupação de 80%. Dos 170 leitos clínicos, ao menos 162 também estão servindo às pessoas em recuperação da covid-19, taxa de ocupação de 95,3%.

Passados dez meses desde os primeiros três pacientes contaminados, o Acre contabiliza nesta segunda-feira ao menos 48.820 pessoas infectadas pela covid-19. Mais 6 mortes foram registradas nesta segunda-feira, sendo 4 do sexo masculino e 2 do sexo feminino, fazendo com que o número oficial de óbitos por covid-19 suba para 873 em todo o estado.