Rio Branco
22°C
terça-feira, 30 de junho de 2026
02:57

Situação se agrava na fronteira e Estado pede ajuda do governo federal para intervir na crise imigratória

Desde o último domingo, 14, que o clima é de tensão na fronteira que liga o Brasil ao Peru, mais precisamente na Ponte da Integração, que dividi os dois países pelo município acreano de Assis Brasil e Iñapari, pequena cidade peruana, distante cerca de 346 quilômetros de Rio Branco. O conflito, que tomou proporções diplomáticas, foi ocasionado após um grupo de imigrantes, a maioria de haitianos, exigir das autoridades peruanas a abertura da alfândega para que possam retornar ao seu país de origem.

Na terça-feira, 16, após forçar a travessia, o movimento migratório com mais de 400 pessoas, (ainda acampado na Ponte da Integração), enfrentou policiais e o Exército peruano; alguns imigrantes conseguiram entrar em Iñapari. Com o confronto, sete estrangeiros foram encaminhados a Unidade Mista de Saúde em Assis Brasil, com ferimentos leves. A preocupação de autoridades do país vizinho está relacionada ao avanço da pandemia do novo coronavírus.

Do lado brasileiro, foram construídos abrigos para que os imigrantes desocupassem a ponte, porém, o grupo decidiu que apenas crianças e mulheres deixassem o local, com a alegação de que a permanecia dos homens no lugar é uma forma de pressionar o governo andino. Jerry Correa, prefeito de Assis Brasil, decretou estado de calamidade pública, aguardado a intervenção do governo federal. O chefe do Executivo municipal argumentou que a cidade não tem condições de continuar custeando alimentação e abrigo por mais tempo aos estrangeiros.

Já o prefeito Abraham Cardozo, da província de Tahuamanu, cuja capital é Iñapari, ressaltou que o que está ocorrendo é um fenômeno sociopolítico, e não uma invasão, agravada pela crise econômica no Brasil, que fez com centenas de haitianos e outros imigrantes perdessem seus empregos, e que tentam fazer o percurso de volta aos seus países por melhores condições de vida para suas famílias. Cardozo também destacou que a cidade não possui recursos financeiros para manter os estrangeiros.

Ajuda

Para achar uma solução para o problema, o governador Gladson Cameli e a bancada federal do Acre, em Brasília, pede ajuda do governo federal, por meio do Ministério das Relações Exteriores, para que uma solução seja tomada. O senador Marcio Bittar (MDB-AC) intercede para que a pauta relacionada a crise migratória aconteça o mais rápido possível. A Finalidade é que ocorra um acordo entre o Brasil e o Peru, para que o grupo de estrangeiros tenha autorização para atravessar o território.

Bittar salientou que o momento é delicado devido à pandemia, e sabe que a prefeitura de Assis Brasil não tem condições de alimentar e abrigar os imigrantes. “Tratamos de garantir que o governador Gladson Cameli possa expor o drama dessas pessoas. Estamos buscando uma solução para os estrangeiros e uma maneira de aliviar a situação do município. Também tememos que os protestos se tornem mais violentos. Estamos agindo para evitar o pior”, finalizou o senador.