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segunda-feira, 29 de junho de 2026
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Servidor da Prefeitura de Rio Branco pede que mulher trans use “banheiro dos deficientes”

Um servidor da Prefeitura de Rio Branco, não identificado, foi acusado de cometer o crime de transfobia contra a mulher trans Jullyana Correia e preconceito contra a sua irmã. Segundo a jovem, ao sair do banheiro feminino, ela e a irmã foram abordadas pelo homem.

“É uma ordem de cima. Pessoas como vocês [LGBTQIA+] devem usar o banheiro de deficiente ou o masculino, para evitar constrangimento para as demais mulheres”, relatou Jullyana.

Segundo a jovem o homem estava vestido com um colete da Prefeitura de Rio Branco e trabalha na recepção, em uma mesa próximo da escada e na frente da porta de acesso ao prédio.

Após o ocorrido, Jullyana recebeu o áudio de uma servidora que trabalharia no gabinete do prefeito Tião Bocalom. Na mensagem, a mulher tenta justificar a transfobia com outra atitude transfóbica.

“É porque assim, como tem muita mulher aqui, tem que ir ao banheiro dos deficientes, amiga! É por isso, porque a gente não tem um banheiro próprio para isso. Mas, vamos providenciar. Mas, então, quando tu vier vai no banheiro dos deficientes com ela. Tu não, ela, né. Porque não sei se ela fez a transferência de sexo (sic)”, diz a servidora no áudio.

Transfobia é crime

Em 2019, após entendimento do Supremo Tribunal Federal de que havia demora inconstitucional do legislativo em tratar do tema, a maioria os ministros do STF votaram a favor da determinação de criminalizar a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, com pena de 3 a 5 anos de reclusão, mais multa.

O Brasil se mantém na liderança do vergonhoso ranking de países que mais matam pessoas trans no mundo. Em 2020, foram 175 travestis e mulheres transexuais assassinadas. A alta é de 41% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 124 homicídios.

O número de assassinatos também torna 2020 o ano mais sangrento em quatro anos, desde o início desse tipo de levantamento de dados no país. Os dados são baseados em notícias veiculadas na mídia e fazem parte de um dossiê elaborado pela Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais).