Por Valdeci Duarte (*)
A alegria por nossas conquistas é muito boa, assim como a felicidade pela vitória dos outros pode ser uma sensação indescritível. É muito gratificante! É muito melhor! Vivi sensação semelhante ao ter o privilégio de receber o livro de estreia da professora Fátima Cordeiro, Sementes de Mostarda, uma obra apaixonante. Todo livro merece ser lido, mas o dessa poetisa tem um gostinho especial de vitória, já que o sonhamos juntos e posso afirmar que juntos também o realizamos.
Essa alegria não é difícil de medir por quem acompanhou de perto esse sonho e essa luta que foi travada para alcançar a realização. Felizmente ela conseguiu. Vê-la expor esse contentamento faz lembrar como foi íngreme esse caminho percorrido. Há muitos motivos que permeiam o viver de um autor que só o próprio autor conhece.
O jovem grupo de apoio a artistas independentes denominado de Sociedade Literária Acreana – SLA, fez toda a diferença nessa concretização, já que esteve ao lado da autora na sua produção com apoio moral, disposição e incentivos extras, inclusive com recursos financeiros.
A SLA é um grupo composto por escritores, poetas, desenhistas, músicos, declamadores, performistas, sonhadores de pé no chão e tem o objetivo de ajudar a novos artistas e outros fabricantes culturais a produzirem e divulgarem suas artes, promovendo assim, a expressão artística acreana, especificamente a literatura.
Lendo o texto de apresentação da autora, esculpido pela poetisa Maze Oliver, outra personalidade acreana – que foi representante da SLA e passou a redescobrir o verdadeiro sentido de viver, amar e ser feliz – o leitor se descobre no versejar da vida. Sonhos ficam mais reais e nítidos diante das sementes que a autora expõe em seu canteiro. O amor fica mais latente. É um ensaio estonteante sobre a trajetória da autora Fátima Cordeiro que a partir dessa obra tornou-se oficialmente uma autora acreana.
Nas páginas seguintes, o leitor se depara diante de uma suculenta observação da professora doutora em literatura, Margarete Edul Prado, que exibe de forma envolvente e aconchegante, um paralelo entre as sementes minúsculas que se tornam gigantescas árvores frondosas e do ajuntamento das muitas letras de Fátima Cordeiro na formação dessa esperada e apaixonante obra literária. Um fruto completo de uma árvore madura, uma artista que ensina, que representa, que esculpe lindamente seus versos no coração do leitor, amante ou não da poesia.
É bem verdade que por aqui santo de casa só faz milagres quando sai de casa ou quando morre. Tem sido assim. Quem é autor e quer desfrutar de prestígio precisa lançar suas obras no exterior, em grandes capitais, ou morrer. Quando se morre todo mundo vira santo, fica bonzinho e o que escreve passa a fazer sentido. Eis uma lástima! Se assim não fosse, Sementes de Mostarda seria, desde já, sucesso na certa, pois é uma obra para se ter e se reler sempre que se deseje entender de sementes, de árvores, de gente, de sonhos, de palavras, de redescobertas do sentido de viver.
Boa Leitura!
(*) Escritor acreano, membro da Sociedade Literária Acreana – SLA e leitor de Fátima Cordeiro.


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