A segurança pública foi um dos carros-chefes da campanha eleitoral do atual governo, em meio ao caos que se transformou o estado do Acre no tocante ao aumento assustador de crimes. Diante deste cenário, veio a promessa de devolver à população a sensação de segurança já nos primeiros meses de mandato.

Recentemente o Ministério Público do Estado do Acre (MP/AC) divulgou um balanço dos números da criminalidade de 01 de janeiro a 29 de março. Segundo o levantamento, nos três primeiros meses houve uma redução de 25,7% de mortes violentas, em relação ao mesmo período em 2018. Dos 22 municípios acreanos, oito não tiveram homicídios registrados até 29 de março.
Mesmo com a redução dos índices de assassinatos, o acreano ainda não se sente seguro. “Tenho muito medo se sair à noite na rua, não me sinto segura, nem mesmo em casa. É muita violência, a gente não sabe o que pode acontecer”, conta a vendedora Ana Lúcia de Souza.
Apesar do avanço, o quantitativo de crimes contra a vida ainda são considerados altos. Foram 81 mortes em menos de três meses, no mesmo período no ano passado, o Acre contabilizou 106 assassinatos. A maior parte dos homicídios acontece na capital acreana, em 2019, 67% das mortes foram registradas em Rio Branco. Ainda assim, o índice é 11,5%, menor que em 2018.
Segundo o secretário da pasta, coronel Paulo Cezar, durante este período a secretaria colocou em prática o plano de gestão estratégica e operacional, o que resultou em mudanças no setor de segurança no estado.

“Com relação à execução do que foi planejado para os primeiros 100 dias, a secretaria está conseguindo com muito esforço e empenho de todas as forças, realizar o que foi pactuado com o governo do estado, inclusive conseguindo atingir resultados superiores ao que foi proposto inicialmente”, disse.
Ainda de acordo com Cezar, a gestão esbarrou em problemas financeiros e tecnológicos, além da pouca participação do governo federal nas ações de combate aos crimes cometidos nas áreas de fronteira.
“Para superarmos isso nós estamos empenhados em melhorar a qualificação da gestão em segurança pública, padronizar e fortalecer a integração das polícias e melhorar as parcerias com as instituições das três esferas de governo, em âmbito municipal, estadual e federal”, afirmou o secretário.
Com relação aos próximos meses de gestão, o secretário disse que a população pode esperar comprometimento, envolvimento e dedicação tanto da secretaria de Justiça e Segurança Pública quanto das instituições que integram o sistema.
“Compromisso esse no sentido de melhorar a sensação de segurança, melhorar a qualidade de vida de cada acreano e garantir que o esforço de cada um seja realizado com o menor custo para a sociedade. Devolvendo para as famílias a tão almejada paz”, concluiu.
Iapen
O primeiro trimestre da atual gestão foi de alterações significativas para vários seguimentos da administração estadual. O Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) foi um dos órgãos que adotaram medidas enérgicas, como por exemplo, o decreto que altera regras para visitação, entre outras ações.
Para o diretor do instituto, Lucas Bolzoni, os primeiros 100 dias a frente do órgão, foram positivos, apesar de assumir o cargo na instituição com uma dívida de aproximadamente R$ 14 milhões.

“O que a gente tem feito tem entrado em consonância com a nova política prisional, principalmente a partir do Ministério da Justiça e Departamento Penitenciário Nacional de endurecer os ambientes prisionais, trazer mais disciplinas, retomar o controle dos presídios, e isso tem sido feito de forma gradativa”, garante o diretor.
O Iapen tem sido alvo de várias manifestações públicas contra as novas medidas adotadas pelo órgão, entre elas a portaria que restringe as visitas e estabelecendo novos horários para a visitação, como a visita íntima que agora deve acontecer de 15 em 15 dias.
“São mudanças necessárias e que deveriam ter sido feitas há décadas, mas estamos tendo que fazer agora e que naturalmente causa essa resistência, mas que todos, tanto servidores quanto familiares e os próprios presos tem percebido, e perceberão mais para frente com mais clareza, que são mudanças positivas que garantirão a segurança dentro dos presídios”, defende.
Na última semana, o órgão tem enfrentado um novo problema, apenados em progressão de pena, estão saindo para o regime semiaberto sem o monitoramento eletrônico, isso porque a empresa que fornece os equipamentos cancelou o contrato por falta de pagamento.

A uma emissora de TV local, o diretor explicou que o sistema de monitoramento eletrônico é uma das prioridades e o problema será resolvido em breve.
“O monitoramento eletrônico é uma das prioridades por ser uma medida interessante com menor gasto, com uso de tecnologia ao invés de mais espaço físico e mais servidores. Esperamos resolver isso até o final de semana”, disse.


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