De passagem pela Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), na manhã de terça-feira, 9, onde participou de reunião com a Comissão de Saúde do Poder Legislativo, a secretária de Saúde do estado, Mônica Feres relatou as primeiras ações após assumir o comando da pasta. Ao abordar os principais gargalos, a gestora assegurou que trabalhará no sentido de organizar todo o Sistema de Saúde a fim de torná-lo eficiente.
“Nossa equipe acabou de chegar e ainda estamos conhecendo a Casa e analisando os problemas. Nosso objetivo é tornar o Sistema de Saúde do estado eficiente e já estamos trabalhando para isso. Todas as medidas que estamos adotando são para solucionar a curto e médio prazo os graves problemas existentes no atendimento à população”, disse.
E acrescentou: “O atual governo está apagando fogo deixado pela gestão passada. Para se ter uma ideia, agora que conseguimos uma licitação para agilizar nossas demandas. São pequenos pontos deixados que emperram o fluxo da saúde. Temos muita gente boa, mas as pessoas estão distribuídas irregularmente. Mas, vamos organizar o sistema”, disse.
Superlotação no Huerb
Mônica Feres abordou ainda acerca da superlotação no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb). Ela frisou que somente ocorre porque a unidade de saúde acaba realizando atendimentos ambulatoriais que, a princípio, deveriam ocorrer em postos de Saúde nos bairros.
“O Pronto Socorro de Rio Branco atende hoje 80% de pacientes que não deveriam atender. Isso está errado, pois, acarreta um acúmulo de pacientes no hospital e, consequentemente, torna o atendimento lento”, disse ao confirmar ainda que, em breve, o Pronto Socorro deverá atender somente casos de urgência e emergência. “Agimos de acordo com a lei”, salientou.
Outro ponto questionado pela gestora diz respeito sobre a municipalização das UPAs. Ela confirmou que ocorrerá. “A gerência das UPAs é de prerrogativa dos municípios e não do estado. Essa inversão está sobrecarregando os hospitais, mas aos poucos, com todo apoio, vamos passando a responsabilidade para quem é de dever”, pontuou.
Cartel na Saúde
Questionada quanto a possibilidade de existência de um cartel na Saúde, conforme suscitado pelo governador Gladson Cameli (PP), a gestora limitou-se a dizer que não falaria de uma acusação feita por outra pessoa, mas pontuou que os entraves na pasta ocorrem porque servidores andam fazendo ‘corpo mole’.
“Chegamos a conclusão que apenas 20% dos servidores de fato trabalham, os outros 80% estão fazendo corpo mole”, disse ao pontuar ainda que estará afastando do cargo os servidores que demonstrarem que não querem trabalhar.
“Essa semana vai ser decisivo, irei mudar os funcionários que não quiserem trabalhar. A população que vai remar comigo. O que houver de ingerência, será dizimado e eu não vou nem perceber”, explicou.
Falta de medicamentos
Com relação à falta de medicamentos nas unidades de saúde, Mônica deu prazo para regularização do problema. “No máximo em 30 dias vamos estar repondo tudo que está faltando nos hospitais”, disse.
Terceirização
A secretária informou ainda que não trabalham com a possibilidade de terceirização da saúde do Acre e acrescentou ainda que no levantamento feito no primeiro mês de trabalho foi constatado que o Acre está bem suprido de equipamentos e tudo vai ser aproveitado no sistema. “Nós vamos fazer o negócio funcionar com os ricos ingredientes que a gente tem”, falou ao afirmar que descarta totalmente essa possibilidade, quando questionada sobre terceirização.
Além disso, ela informa que vai trabalhar para reduzir a terceirização que existe, como a de teste do pezinho, por exemplo, que é feita de forma terceirizada. Além disso, ela alega que quer resgatar o que tem no estado e evitar gastos desnecessários. “Aliás, aqui tudo é terceirizado. Laboratório é terceirizado, teste do pezinho é terceirizado. Então, na verdade, a gente já vive mais ou menos isso. Estou querendo diminuir essa terceirização, a gente quer aproveitar o que tem aqui, porque são custos que, às vezes, não precisa”, finalizou.
Sintesac repudia fala da secretária
O Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado do Acre (SINTESAC) repudiou as afirmações da secretária de Saúde. Em nota, a entidade disse que Mônica age injusta e desrespeitosamente ao atribuir a culpa aos servidores das mazelas do sistema.
“Além de extremamente injusto, revoltante e deprimente, sendo mais uma demonstração de incompetência, soberba, e o atesto que o atual governo contribui subsidiariamente, ainda mais com caos em que vivemos, importando gestores, militarizando a saúde, tentando impor as realidades alheias ao Acre, de forma invejável ao mais temido imperador da idade
contemporânea, é um desrespeito aos profissionais e ao povo acreano”, diz trecho da nota, assinada pelo presidente Adailton Cruz.
O Sindicato suscita ainda uma possível greve como forma de protesto contra a fala da gestora. “Não deixaremos que isso aconteça, nem que tenhamos que fazer a maior greve da história deste estado. Levaremos a cada trabalhador em saúde desse estado, a cada unidade, a cada município, todos os fatos expressos, e juntos, daremos a resposta necessária ao governo e aos seus membros”.


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