Com 13,81 metros, segundo a medição da Defesa Civil Estadual feita às 18h, o Rio Acre ultrapassou na quinta-feira, 17, a cota de alerta em Rio Branco, que é de 13,50 metros. Os dados mostram que em 12 horas o nível das águas subiu 26 centímetros, a marca registrada na capital às 6h foi 13,55m. Devido a isso, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) alerta que nesta sexta-feira, 18, o manancial deve continuar subindo e alcançar a cota de transbordamento, que é de 14m.
Apesar da rápida elevação no nível, não houve registros de famílias atingidas pelas águas ou desabrigadas durante a quinta-feira. Entretanto, a previsão do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) é de que nesta sexta-feira, 18, o céu fique nublado e haja pancadas de chuvas com trovoadas por todo o estado, o que pode interferir no nível do manancial em Rio Branco e em outras cidades. Segundo o CPRM, a capital teve 62 milímetros de chuvas nos últimos quatro dias.
Enquanto a subida do Rio Acre preocupa muitas pessoas, outras aproveitam o momento para ter um rendimento extra nos negócios. Proprietário de um restaurante/bar no Novo Mercado Velho, Centro de Rio Branco, Valdeir Gomes da Silva conta que o nível alto das águas atrai muitas pessoas para a região, o que fez as vendas do estabelecimento crescerem cerca de 60% desde o último fim de semana. Ele afirma que precisou reforçar o estoque de bebidas e alimentos para a demanda.
“Quando rio enche o movimento aumenta de forma considerável e se mantém assim até quando volta a baixar. Vem muitas pessoas aqui para a orla do mercado para apreciar a beleza que ele proporciona e, consequentemente, elas param aqui no meu restaurante para comer, tomar uma bebida enquanto se distraem ou se divertem com os amigos. Espero que o movimento continue assim, mas sem que o rio suba a ponto de alagar os bairros e prejudicar pessoas”, afirma Silva.
A universitária Ercília Barros, estudante do curso de Letras Libras da Universidade Federal do Acre (Ufac), é uma das milhares de pessoas que aproveitam a cheia do Rio Acre para ter momentos de descontração no Novo Mercado Velho. Na tarde de quinta ela estava acompanhada do companheiro no local para apreciar o tempo agradável e o volume das águas do manancial. De acordo com ela, quase todas as vezes em que o fenômeno acontece o passeio é feito pela região.
“Na verdade, eu vim somente para observar as águas passarem e a beleza que o rio proporciona quando está cheio. Daí isso leva a gente fazer outras coisas como tomar um tacacá, bater um papo e namorar. Mas apesar de toda essa beleza que a gente vê, eu sei que a cheia do rio traz muita preocupação para milhares de pessoas que vivem nos bairros alagadiços. Aqui olhando é muito bonito, atrai atenção, mas traz tristeza porque desabriga as pessoas”, contrapõe a universitária.
Inverno amazônico
Em 2018, a cheia obrigou a retirada das primeiras famílias de suas casas após o nível do Rio Acre chegar a 14,27cm. De acordo com o coordenador municipal de Defesa Civil, coronel George Santos, é nos meses de janeiro, fevereiro e março que são registrados os maiores índices pluviométricos, com maior risco de ocorrerem grandes alagamentos.
Santos informou que até o momento nenhuma família foi afetada pelas águas do rio, porém, em Assis Brasil o nível do rio diminuiu, o mesmo acontecendo no município de Brasiléia.
Nos municípios de Xapuri e Capixaba, o volume de águas continua subindo, o que deixa as autoridades de Rio Branco em alerta.
As equipes da Prefeitura executam os serviços de conclusão dos primeiros abrigos no Parque de Exposições Wildy Viana, bem como os trabalhos de preparação da estrutura do local, como instalações elétricas e instalações da equipe da Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA), que promoverá o atendimento às famílias que porventura venham a ser abrigadas.


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