Na entrevista concedida ao Opinião na manhã desta quarta-feira, o secretário do Democratas no Acre, Paulo Ximenes, atenta para a relação, no mínimo, estranha que existe entre o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Antônio Malheiros, e o governo de Gladson Cameli. É público que Malheiros é a pessoa com maior influência no governo. É tido, inclusive, como o segundo em comando, faltando-lhe, apenas, assumir a gestão na ausência do governador, função exclusiva do vice, Major Rocha.
É bem verdade que não há nada de estranho terceiros terem influência em governos. Isso já aconteceu em outros momentos, tanto no Acre como no restante do País. Estranho, porém, é que Malheiros é um dos membros da corte que deve julgar as contas do Estado, aprovando-as ou não. Sua decisão não pode ser influenciada pela proximidade com o julgado. A distância, neste em outros casos similares, é uma das garantias de atuação isenta do julgador.
Que fique claro, porém, que não estamos aqui levantando suspeitas sobre a integridade ética do conselheiro Malheiros. Pelo contrário! Este é conhecido por conduta como homem público reta e integridade moral exemplar. Apesar disso, há que se convir, que essa proximidade e intimidade com o governo não deve fazer bem à essa imagem pública, muito menos às instituições Executivo e TCE.
Como diria o já falecido Jânio Quadro, ex-presidente da República, “intimidade demais gera aborrecimentos ou filhos”. Como não se quer nenhum dos dois, é melhor ter cada um no seu quadrado.

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