LUAN CESAR
Reforço nas fronteiras com Amazonas, Bolívia, Peru e Rondônia, suspenção de viagens oficiais do chefe do Executivo e de secretários de Estado, convocação de servidores, além de outras diversas outras medidas que serão adotadas conforme o avanço, ou não, da doença. Estas são algumas das ações anunciadas na segunda-feira, 16, pelo governo do Acre ao apresentar o plano de contingência contra o novo coronavírus (Covid-19) nas próximas semanas nos 22 municípios.
O trabalho que será desenvolvido por aqui foi apresentado pelo governador Gladson Cameli (Progressistas), pelos secretários de Saúde (Sesacre), Alysson Bestene, de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Paulo Cézar dos Santos, e o médico infectologista Thor Dantas em coletiva de imprensa feita na manhã de ontem. O ato também contou com a presença de Gláucio Ney Oshiro, da 1ª Promotoria Especializada de Defesa da Saúde do Ministério Público do Acre (MP-AC).
De acordo com Bestene, dos 20 casos suspeitos da doença no Acre da semana passada até o último domingo, 15, apenas oito estavam compatíveis com os sintomas da doença e obedeceram os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde (MS). Todos eles foram descartados pela Sesacre, já que no teste e na contraprova, um segundo exame realizado a partir do resultado obtido com o primeiro, deram negativos. Com isso, ainda não são necessárias medidas mais austeras no estado.

“Tentei não antecipar esse debate porque é um assunto muito sério, que deve ser tratado com muita responsabilidade e que acompanhamos de perto. Tomaremos todas as medidas cabíveis para que possamos evitar qualquer situação de epidemia no estado. Usamos todo o tipo de tecnologia disponível para dar agilidade na resposta de casos suspeitos e possível tratamentos necessários. Tudo que for preciso para a segurança da sociedade será feito”, garantiu o governador.
Ele afirmou que caso seja necessário, suspenção das aulas da Rede Pública de Ensino, eventos promovidos pelo Estado e fechamento das fronteiras com os dois estados e países vizinhos serão postos em prática. Outras medidas como a proibição de viagens oficiais para fora do Acre (tanto dele como dos secretários), monitoramento das pessoas que chegam ao estado pelos aeroportos, rodoviárias e fronteiras e envio de homens da Polícia Militar (PM-AC) serão adotados nesta semana.
Cameli adotará as ações por meio de decreto governamental que deve ser publicado ainda nesta semana no Diário Oficial do Estado (DOE). O dispositivo também permitirá a convocação de servidores públicos, principalmente das pastas da Saúde e da Segurança, à disposição de outros órgãos da administração. O fortalecimento de fiscalizações e movimentos imigratórios nas fronteiras e aeroportos por meio da Polícia Militar será feito a partir do apoio do Exército Brasileiro.

“Esta é uma situação gravíssima. Constantemente estou em contato com outros governadores e o governo federal, solicitei ao Ministério da Justiça e Segurança Pública um efetivo do Exército nas fronteiras para evitarmos o máximo possível dessa situação por aqui. Preciso externar aqui um apelo para o fato de que todos têm que ajudar no combate a esse mal. Que a população deve ser a grande parceira do Estado neste momento para que não haja uma epidemia aqui”, acentuou Cameli.
Adiantamento
Alysson Bestene afirmou que a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) já desenvolvia o plano de ação em conjunto com o Ministério da Saúde desde os primeiros casos surgiram foram da China, epicentro da nova pandemia. Ele disse que o trabalho iniciou com ações preventivas e possui três etapas. A primeira consiste na Vigilância em Saúde, monitoramento de casos e suspeitas, Prevenção, conscientização da sociedade, e Atenção à Saúde, tratamento de pessoas infectadas.
“Hospitais e demais unidades do nosso estado estão preparados para realizar o tratamento da Covid-19. Este plano de contingência não é estático e muda a medida que novos casos vão surgindo. Nós ainda estamos no momento de Vigilância em Saúde, com a atenção redobrada. Temos uma vantagem em relação a alguns estados porque o Centro de Infectologia Charles Mérieux, na Fundação Hospitalar do Acre, libera o resultado em 24 horas”, declarou o gestor.
Segundo o secretário, os exames feitos no Acre enviados para os únicos três laboratórios de referência para o novo coronavírus no Brasil são os de contraprova, realizados após o primeiro processo. Ele destacou que o Ministério da Saúde enviará equipamentos de ponta para montar UTI’S (Unidade de Tratamento Intensivo), ambulatórios serão transformados em UTI’S caso haja necessidade. Com o envio e as UTI’S já preparadas, o Acre contará com cerca de 60 destes pontos.
“As pessoas que vierem de outros estados e países para o Acre, mesmo que não apresentem sintomas de Covid-19, pedimos para que esperem em suas residências por até sete dias, observando se surgem anormalidades na saúde durante este período. Essa quarentena voluntária, sem ir ao trabalho, à escola ou a qualquer outro local, é um dos melhores métodos para que possamos quebrar a cadeia de contágio e fazer com que a epidemia não seja forte no nosso estado”.

Cancelamento de viagens
O infectologista Thor Dantas alertou que as pessoas cancelem viagens saindo do Acre. Ele disse que a medida é necessária para que não haja risco de novas infecções, que podem ser trazidas por quem esteve em lugares onde há alta circulação do vírus. De acordo com ele, caso a pessoa não possa cancelar, ela precisa adotar uma atitude de quarentena domiciliar por sete dias, mesmo que não esteja com nenhum sintoma. O médico explicou que o Acre está em estado de pré-epidemia.
“O vírus causa quadro graves numa parcela pequena da população, principalmente idosos e portadores de doenças crônicas. O grande risco dessa epidemia é a pessoa se contaminar e ter problemas, mas sim passar a ser um amplificador e acabar atingindo esse grupo de risco. Se o contato próximo com outras pessoas o vírus não se dissemina, a epidemia não acontece e os idosos não morrem. É necessário estar com atenção para não virar um propagador”, finalizou Dantas.


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