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quarta-feira, 24 de junho de 2026
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Químico invisível no dia a dia aumenta em 169% o risco de gordura no fígado em adolescentes

Uma substância presente em embalagens de alimentos, panelas antiaderentes e produtos de uso cotidiano pode estar diretamente associada a um aumento expressivo de casos de gordura no fígado entre jovens. Um novo estudo identificou que a exposição ao ácido perfluorooctanoico (PFOA) eleva em até 169% o risco de desenvolver doença hepática gordurosa na adolescência.

O PFOA faz parte do grupo dos PFAS, sigla para substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas, conhecidas como “produtos químicos eternos” por não se degradarem facilmente e se acumularem no organismo ao longo dos anos.

Onde essa substância está presente

Os PFAS são utilizados há décadas na indústria e podem ser encontrados em diversos itens comuns do cotidiano, como:

  • Panelas antiaderentes, especialmente as mais antigas ou danificadas;
  • Embalagens de fast food, como caixas de pizza e papéis resistentes à gordura;
  • Produtos impermeáveis ou antimanchas, incluindo roupas, carpetes, estofados e toalhas;
  • Alguns tipos de fio dental, maquiagens e produtos de limpeza;
  • Espumas usadas no combate a incêndios.
  • O que diz a pesquisa

    O estudo foi publicado na revista científica Environmental Research e apontou que quanto maior a concentração de PFOA no sangue, maior o acúmulo de gordura no fígado.

    Os pesquisadores analisaram dados de dois grandes acompanhamentos populacionais:

  • Estudo de Adolescentes Latinos com Risco de Diabetes Tipo 2, que acompanhou jovens de 8 a 13 anos por seis anos;
  • Meta-AIR, que avaliou jovens adultos entre 17 e 23 anos.
  • Para medir os danos hepáticos, foram utilizados exames de ressonância magnética, capazes de identificar o acúmulo de gordura antes mesmo do surgimento de sintomas clínicos.

    Resultados preocupantes

    Os dados revelaram que adolescentes mais velhos apresentaram associações mais fortes entre os níveis de PFOA no organismo e a gordura no fígado, indicando que a exposição prolongada durante fases críticas do desenvolvimento aumenta o risco.

    Fatores genéticos também influenciaram os resultados. Jovens com predisposição genética ao acúmulo de gordura hepática mostraram maior sensibilidade aos efeitos da substância.

    Entre adultos jovens, o estudo identificou que o tabagismo pode aumentar a vulnerabilidade aos impactos do PFOA, ainda que os níveis da substância no sangue não tenham apresentado associação direta tão clara quanto na adolescência.

    O que é a gordura no fígado em jovens

    A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) é caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura no fígado de pessoas que não consomem álcool de forma significativa.

    Entre crianças e adolescentes, a condição deixou de ser rara e passou a ser uma das principais causas de doença hepática crônica, acompanhando o aumento da obesidade, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados.

    Um dos maiores desafios é o fato de que, na maioria dos casos, a doença é silenciosa. Muitos adolescentes convivem com a condição sem apresentar sintomas evidentes, o que dificulta o diagnóstico precoce.

    Estudos indicam que cerca de 10% dos jovens já apresentam algum grau de esteatose hepática, frequentemente descoberta de forma incidental em exames de imagem.

    Riscos e importância da prevenção

    Sem acompanhamento adequado, a gordura no fígado pode evoluir para inflamação, fibrose e até cirrose ainda na vida adulta.

    Especialistas alertam que a prevenção exige uma abordagem ampla, com foco em alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e redução da exposição a substâncias químicas potencialmente nocivas desde cedo.

    Quando surgem, os sintomas costumam ser inespecíficos e incluem:

  • Cansaço persistente;
  • Desconforto abdominal no lado direito;
  • Mal-estar generalizado.