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sábado, 18 de julho de 2026
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Produtores rurais defendem roçados sustentáveis e mostram os benefícios

Produtores rurais defendem roçados sustentáveis e mostram os benefícios

O trabalho árduo e diário das famílias na agricultura mostra, ano após ano, ser um meio de produção eficiente e rentável. Além de um importante meio de combate à miséria e à fome, por dar oportunidade de emprego para um grande número de pessoas, esse modo de cultivar exerce menor impacto sobre o ecossistema. No Acre, a consciência ambiental é de berço para os que nascem nas florestas, assim como de quem conheceu os ideais de trabalho e conservação de líderes rurais como Wilson Pinheiro e Chico Mendes.

Tarauacá e Feijó, municípios na região central do estado, têm em suas histórias o grande comércio de látex nativo no começo do século passado. Após seu declínio, a agricultura e a criação de gado passaram a ser o principal meio de viver na Floresta Amazônica.

Tradicionalmente, a técnica mais usada para abertura de novas áreas para o plantio é a derrubada das árvores e o uso do fogo, com impacto negativo para o ambiente e para o solo. Contraponto a isso, uma nova tecnologia está ganhando adeptos: a adubação verde com o uso da mucuna, ou outras leguminosas forrageiras que corrigem o solo e serve como adubo, dispensando a queimada.

Apesar de ainda despertar desconfiança entre alguns, os efeitos de preparo do solo com adubação verde são bastante satisfatórios. Francisco Nascimento, morador do Ramal Bom Futuro, no Projeto de Assentamento Envira, antigo Seringal Benfica, em Feijó, é um dos que não abrem mão dessa tecnologia. “O fogo destrói tudo e a mucuna arruma tudo. Pode ver que minha mata está bem aí, se eu estivesse brocando tudo já tinha acabado com ela, que boa foi essa alternativa que o governo deu”, afirma.

Nascido em um seringal no Rio Tarauacá, Francisco, que tem o sorriso solto e constante, vive hoje com a esposa e três filhos em uma área de terra com dois açudes, alguns roçados com banana, milho, abacaxi, mandioca, arroz, mucuna e uma floresta preservada. “A história da gente é difícil de contar e realizar, mas graças a Deus, estou realizando”, revela.

A fartura na produção é resultado da técnica que aplica em sua área, plantando a leguminosa para corrigir o solo enquanto faz um revezamento entre os roçados. “É só plantar mucuna, sem queimar o mato, depois esperar quatro meses e brocar [limpar o terreno]. Aí você faz um roçado sustentável e planta o milho, a roça [mandioca], mamão, o que você quiser”, explica o agricultor.

Segundo estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a mucuna “forma associações simbióticas com bactérias dos gêneros Rhizobium e Bradyrhizobium, fixadoras de nitrogênio atmosférico”. Isso faz com que quantidades expressivas de nitrogênio fiquem disponível no solo após o corte da planta.