População realiza exames após divulgação de venda açaí contaminado em Rio Branco

Desde que a prefeitura de Rio Branco fez o chamamento público e anunciou que o açaí vendido no mercado Elias Mansour estava contaminado com o protozoário causador da doença de Chagas, o Centro de Apoio Diagnóstico (CAD) está preparado para receber a população para realizar os exames. Na segunda-feira, 4, a procura pelo procedimento foi grande.

O casal Rayane Ribeiro e Jamersom Ribeiro, procuraram o Centro logo pela manhã para fazer o exame. Eles contaram que consumiram muito o produto, tanto do mercado Elias Mansour quanto de outros locais.

“Todas as pessoas que eu conversei estão com medo, eu prefiro acreditar que não estou com a doença, mas gente fica com receio”, diz o jovem. “Eu fiquei preocupada porque eu consumi de vários lugares, fiquei com receio de o fornecedor ser o mesmo”, acrescenta a esposa.

A chefe departamento do CAD, Jaqueline Almeida, explicou como estão sendo feitos os procedimentos. “Estamos atendendo de 7h às 12h e das 14h às 17h, as pessoas estão chegando e está sendo feita uma triagem, e vamos dividir os exames entre gota espessa e sorologia”.

Ela explicou que os exames estão sendo realizados de duas maneiras distintas. “A gota espessa é para quem consumiu o açaí do dia 15 de dezembro pra cá e a sorologia do início de novembro até o dia 15 de dezembro”, explicou.

A diferença entre os exames está na rapidez dos resultados, a sorologia depende da liberação do Lacen, já o outro método o resultado sai em três dias. As pessoas que fizeram os exames serão contactadas para irem buscar o resultado assim que ficarem prontos.

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Sintomas da doença e cuidados

A Doença de Chagas é transmitida pelo Trypanosoma Cruzi o parasita pode ser encontrado nas fezes de alguns insetos, principalmente um conhecido como barbeiro. Os sintomas iniciais da doença como febre, dores de cabeça e mal estar entre outros se não tratados e a doença evoluir pode chegar a quadros mais complexos como: Constipação, dor no abdômen dificuldades para engolir, problemas digestivos e até alteração dos batimentos cardíacos.

O médico infectologista e deputado estadual Jenilson Leite, explicou que o risco de quem consumiu o alimento contaminado contrair a doença existe, porém não necessariamente, pois o material genético do barbeiro dependendo das condições não oferece mais risco.

“As pessoas que tomaram o açaí desse correm o risco de contrair a doença sim, mas não é assim, tomou o açaí é vai estar com a doença de chagas, há muitas variáveis, o material genético encontrado no açaí em condições normais ele resiste somente por dois dias, quando ele está congelado ele dura até seis dias, se alguém consumiu o açaí com material genético não significa que vai contrariar a doença de chaga”, explicou o médico.

Leite, também destacou a importância de fazer o exame. “Tem que tomar cuidado, tem que ir fazer o exame, mas não precisa desse pavor todo” tranquilizou.

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Comerciantes relatam prejuízo nas vendas

Ainda na sexta-feira, quando foi anunciado o risco de contaminação da polpa da fruta, a Vigilância Sanitária recolheu todos os produtos que estavam a venda nas bancas do mercado municipal e proximidades. Desde então os comerciantes registram queda nas vendas.

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Idevania Ferreira trabalha com vendas de polpa de fruta no mercado Elias Mansour a quatro anos, segundo ela, somente de polpa de açaí chega a vender 40 litros por dia, quando o movimento está bom.

“Quando está em época de pagamento a gente chega a vender até 40 litros, já está sendo um prejuízo, as pessoas tem procurado, eu explico que temos que respeitar a fiscalização”, conta.

Eliete Gomes, disse que percebeu uma queda no movimento de 60 a 70% na banca em que ela trabalha. Ela afirma que os fornecedores que entregam no mercado, também fazem entrega para outros locais da cidade.

“O prejuízo está sendo enorme, o açaí é fonte de renda, olha o movimento dentro do mercado, caiu 60 a 70%, hoje ainda não fiz 100 reais, porque a pessoa vem comprar o açaí ela aproveita leva uma farinha ou outra coisa. O fornecedor entrega aqui, na Estação e em vários outros locais, e eles só falam do açaí do mercado”, relata.

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