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sábado, 4 de julho de 2026
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Policial federal e mãe suspeitos de matar bebê são indiciados por homicídio

O policial federal Dheymerson Cavalcante e mãe dele, Maria Gorete, ambos acusados pela enfermeira Micilene Souza de ter matado a suposta filha, a pequena Maria Cecília, de apenas dois meses de idade, foram indiciados pela Polícia Civil do Acre por homicídio devido a morte da bebê. O inquérito sobre o caso, após quatro meses de investigação, foi encerrado pela PC na última terça-feira, 2, e foi encaminhado para o Tribunal de Justiça (TJ-AC) e Ministério Público (MP-AC) para que as duas instâncias possam tomar as medidas cabíveis relativas aos apontamentos.

Titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pelas diligências sobre o caso, o delegado Martin Hessel afirma que o agente federal e a mãe dele eram cientes da determinação médica que proibia a criança de se alimentar com nenhum tipo de produto que não fosse o leite materno, motivo pelo qual eles foram indiciados por homicídio doloso qualificado. “Após a conclusão dos laudos periciais, como conjunto probatório, chegamos ao convencimento de que o homicídio ocorreu de forma intencional. Foi dessa forma que o inquérito saiu”, pontuou.

O titular da DHPP explicou que durante as investigações foram ouvidos familiares e diversas testemunhas que sabiam sobre o relacionamento do agente federal com a enfermeira que acusou ele e a mãe de premeditarem a morte da criança. Segundo Hessel, mais de oito perícias foram inseridas no inquérito. Entre elas estão a quebra do sigilo telefônico, extração de dados de telefone tanto do policial como da mãe da criança, que entregou à PC todas as conversas entre eles.

“Ficou muito claro que a mãe informou aos dois que a criança não poderia ingerir outro alimento que não fosse o leite materno, que ela [a bebê] ingeria na quantidade de 10 ml. Essa criança tomou duas mamadeiras que somadas dão 120 ml”, afirmou o delegado. De acordo com ele, durante a investigação as equipes médicas que prestaram atendimento à pequena Cecília informaram à Polícia Civil que a quantidade de leite ingerida pela criança era excessiva para a idade, dois meses.

“Qualquer outro tipo de alimento que não era para ser dado, foi dado. Desta forma, acreditamos que foi intencional, tendo em vista que durante toda gravidez o Dheymerson mostrou que não queria ser pai dessa criança e insistiu para que a Micilene abortasse. Então, o conjunto probatório e todas as testemunhas que foram ouvidas levaram ao indiciamento por homicídio doloso dele e da avó da criança”, falou Hessel em entrevista concedida ao portal de notícias G1 Acre na quarta-feira, 3.

Também ao G1 Acre, o advogado de Cavalcante afirmou que ainda não teve autorização para ter acesso ao inquérito policial que culpabiliza o cliente. Ele acrescentou ainda que a defesa do policial federal deve se pronunciar sobre o caso somente após ter acesso ao documento encaminhado para o TJ-AC e MP-AC. Para a mãe da criança, a enfermeira Micilene Souza, agente e a mãe dele premeditaram a morte porque ele não queria pagar pensão alimentícia para a criança.

Entenda o caso

Mãe da pequena Maria Cecília, a enfermeira Micilene Souza acusa o policial federal de ter premeditado a morte da criança junto com a mãe dele para não pagar pensão alimentícia, que supostamente seria filha dele. Ela e a criança, que moravam na cidade de Marechal Thaumaturgo, estavam em Rio Branco para a realização de um exame de DNA solicitado pelo policial. Em abril deste ano, o procedimento confirmou que a bebê realmente era filha do agente federal suspeito.

Segundo Micilene, ela conheceu Cavalcante quando ele estava em uma missão na cidade de Marechal Thaumaturgo e que eles tiveram um relacionamento de um mês. Ela contou que quando descobriu que estava grávida, ele se negou a registrar ou dar qualquer assistência. “Ele começou a pedir para interromper a gestação, que essa criança não era bem-vinda, que não iria assumir nunca”.

Micilene conta que no dia da morte da criança o policial e a mãe pediram para levar a criança para tirar fotos de família, completando três dias seguidos da rotina. Depois de quase de três horas após a pequena sair, o policial ligou para a enfermeira informando que a menina estava no hospital

“Só quem perdeu fui eu, tudo isso por causa de R$ 477 reais. Não consigo imaginar o que eles fizeram com a neném, se ele asfixiou ela, ou se deu leite em excesso até ela golfar. Eles estão livres agora. Ele tirou a vida da filha só para não dar pensão. Era tudo premeditado. Eu não queria ter ido e voltei para casa sem minha filha”, declarou na época emocionada a mãe da criança.

Inocência

Dheymerson Cavalcante concedeu uma entrevista ao G1 Acre em março. Na ocasião, negou envolvimento dele e da mãe no caso que resultou na morte da bebê. Ele ainda classificou as afirmações da genitora da criança como absurdas e se disse bastante abalado com toda situação. De acordo com a Polícia Civil, a criança morreu por broncoaspiração, insuficiência respiratória e obstrução das vias aéreas após ingerir duas mamadeiras de leite artificial dadas pelo pai e avó.