Os três policiais militares que aparecem em um vídeo, que circula nas redes sociais, agredido a chutes e pauladas três homens acusados de assalto estão recolhidos no quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Acre (PM-AC). A identidade dos militares está sendo mantida em sigilo.
A reportagem do OPINIÃO conversou por telefone com o presidente da Associação dos Militares do Estado do Acre (AME-AC), Joelson Dias. O presidente afirmou que a entidade disponibilizou toda estrutura jurídica aos militares envolvidos no caso.
Dias disse ainda que os policiais estão tranquilos e conscientes das acusações e dos procedimentos jurídicos e militares que serão impostos durante o procedimento de investigação iniciado pela Corregedoria da Polícia Militar.
“Conversamos com eles e estamos disponibilizando uma estrutura jurídica para acompanha-los durante todo o processo. Eles estão conscientes, principalmente de todo o processo jurídico e militar que passarão durante o decorrer do caso”, comentou Dias.
Questionado sobre quais os motivos que levaram a guarnição agir de tal forma contra os acusados de roubo, Joelson Dias disse que não conversou com os militares a respeito da ação.
“Não falamos a respeito da ação em si, conversamos a respeito apenas sobre o apoio jurídico que será disponibilizado pela AME. Esse assunto é uma situação que ocorrerá entre eles e os advogados e no decorrer do processo”, esclareceu.
O ex-subcomandante da Policia Militar, coronel Ulysses Araújo, usou seu perfil na rede social Facebook para tecer duras críticas ao que ele chama de legislação pró-crime. Em sua publicação, Araújo afirma que os militares trabalham sob condições de estresse e são submetidos à enorme pressão devido a falhas que vão de treinamento técnico-profissional à falta de investimentos e estrutura de trabalho.
“O policial trabalha sob condições de estresses incomparável a qualquer outra profissão deste mundo. No caso do Acre a situação é potencializada, pois atuam submetidos à enorme “pressão” que abrange desde as falhas no treinamento técnico-profissional continuado, carga horária excessiva de trabalho para cobrir a defasagem de efetivo, falta de estrutura e investimentos. Volto a dizer, policial é vítima, sim! Vítima de um política de segurança pública fraca, de uma legislação pró-crime, das nossas “audiências de custódia” (Polícia prende, Justiça solta, devido uma legislação arcaica)”, publicou o oficial.
Ulysses Araújo disse ainda que “a sociedade acreana é enganada todos os dias com falsas declarações de tranquilidade e manipulações de dados em um Estado que a violência está fora de controle e ultrapassa o limite da razoabilidade”.
Entenda o caso
Um vídeo que circula em grupos de WhatsApp e no Facebook mostra policiais militares agredindo com chutes e pauladas três homens acusados de assalto (roubo) que já imobilizados e algemados no chão.
Em um dado momento um dos policiais bate nos homens com um pedaço de pau. O caso ocorreu no Residencial Angico, no bairro São Francisco, em Rio Branco. O vídeo foi gravado por um morador via celular.
Procurado na noite desta quarta-feira, 26, o comandante da Polícia Militar do Acre, coronel Júlio César, disse que o caso é grave e afirmou que vai abrir de imediato um inquérito para apurar possível crime de tortura.


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