A pesquisa equidade e políticas de melhoria da qualidade da educação: o caso do Acre, realizada com o apoio da Fundação Tide Setubal, focou o período entre 1999 e 2011 para avaliar o processo de oportunização educacional no Estado do Acre. Entre 2005 (primeiro ano do Ideb) e 2001, o índice do Estado cresceu 52% – contra os 48% registrados na Região Norte e os 36% no Brasil. Para contextualizar: o rendimento real da população acreana cresceu bem menos do que nas demais unidades federativas da Região Norte e do país – 27%, contra 41% e 54%, respectivamente Antigo território federal que virou estado em 1962, o Acre despontou na educação nacional nos últimos anos, com o Ideb crescendo acima das médias nacional e regional e o atendimento a populações antes excluídas, o que promoveu a equidade por meio do acesso à educação.
Esse cenário chamou a atenção dos pesquisadores do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), que entre 2014 e 2017 estudaram as políticas públicas acreanas e suas características, concluindo que elas podem dar pistas sobre como melhorar os indicadores educacionais de regiões com características socioeconômicas menos favorecidas.
As literaturas nacional e internacional indicam que há significativa relação entre os indicadores educacionais e os socioeconômicos: se o rendimento médio da população aumenta, os índices educacionais também apresentam melhora. Seria de esperar, portanto, que o desempenho dos alunos acreanos estivesse abaixo do dos estudantes da região e do país. No entanto, não foi o que aconteceu.
Em 2011, levando em consideração somente as redes públicas nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o Ideb do estado foi 4,5%, acima do nortista apenas 0,3 ponto e ainda abaixo do nacional 0,2 ponto. Porém, em 2013, houve novo avanço, ficando o índice acreano 0,7 ponto acima do nortista e evoluindo também 0,1 ponto em relação ao nacional (veja Gráfico 2). As diferenças para cima se repetiram nos anos finais: no Acre, o Ideb foi 4,3, mantendo-se 0,7 ponto acima do da região (3,6) e 0,3 do brasileiro (4,0).
O estudo teve abordagens quantitativa e qualitativa, sendo essa última feita por meio de 12 entrevistas, em Rio Branco e Brasília, com gestores, técnicos e professores da Secretaria Estadual de Educação e de duas escolas da rede.
Em 1982, após a ditadura militar, foram eleitos candidatos de oposição para o governo do estado, Assembleia Legislativa e prefeituras do Acre. Quatro anos depois, forças vinculadas à ditadura militar voltaram ao poder, o que motivou a formação da Frente Popular, com 16 partidos (PT, PP, PRB, PDT, PTN, PR, PSDC, PHS, PTC, PSB, PV, PRP, PCB, PTB, PSTU e PCdoB), que ganhou as eleições por cinco vezes seguidas.


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