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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Pandemia da Covid-19: hospitais particulares estão à beira do colapso no Acre

REPÓRTER OPINIÃO

A rede privada de saúde do Acre acendeu o alerta para um colapso no seu atendimento em razão do aumento dos casos de contaminados pelo novo coronavírus e Dengue, inclusive, trabalhando no limite máximo da capacidade do oxigênio para os pacientes. Em dois comunicados, um datado da última terça-feira, 16 e outro desta quarta-feira, 17, a Unimed Rio Branco e o Hospital Pronto Clínica, respectivamente, já anunciaram que vão fazer restrições nos seus serviços, por conta da alta demanda de pacientes.

A situação de quase falência no sistema privado de saúde no Acre acontece num momento em que o estado registra as maiores taxas de contaminação e de mortes desde os primeiros dias de janeiro. Segundo o boletim desta quinta-feira, 19, o Acre tem 238 novos casos de infecção pelo novo coronavírus, tendo o número de contaminados subido de 53.892 pessoas para 54.130, nas últimas 24 horas. Na quarta-feira, o estado já havia registrado mais oito mortes. Com as desta quinta-feira, mais oito notificações, já são 948 óbitos em todo o estado pela Covid-19.

No Hospital Pronto Clínica, o cenário é ainda mais preocupante, ao anunciar em nota que “está operando na sua capacidade máxima de recursos, principalmente no tocante à oferta de oxigênio”.

Por isso, na mesma nota pública, o hospital anuncia a suspensão do seu atendimento de urgência e emergência. “[O hospital] se vê compelido, a partir desse momento, a interromper o atendimento de urgência e emergência”, diz trecho.

Diferente da rede pública de saúde, em que quase todos os grandes centros e hospitais têm usinas próprias de produção de oxigênio (Veja texto à parte), a rede particular depende de cilindros de O2 para seus pacientes. Diante do drama, a Pronto Clínica termina a nota afirmando que “está envidando esforços para reverter a situação e, no menor tempo possível, voltar a oferecer os serviços de qualidade aos pacientes”.

A Unimed, por sua vez, também relata capacidade máxima de atendimento à beira do estrangulamento. Sem citar números, a operadora de planos de saúde, que possui leitos de enfermaria no seu pronto atendimento e UTIs por meio de convênios com hospitais privados, anuncia que passou a “operar com 100% da sua capacidade máxima e que por este motivo, estará atendendo, temporariamente, somente os pacientes de saúde [que têm plano] Unimed”.

A preocupação da instituição é que além do aumento dos pacientes com Covid-19, pessoas com Dengue também estão procurando, “com um aumento importante do crescimento das internações, tanto em unidades abertas, quanto em unidades de terapia intensiva”.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Acre, nesta quarta-feira, 17, os hospitais públicos e privados do estado tinham 356 pacientes internados, dos quais 267 infectados por Covid-19. Desse total de hospitalizados, 110 estavam nas unidades de terapia intensiva, as UTIs, e outros 246 em leitos clínicos, obstétricos ou pediátricos.

Por que cenário na rede pública é diferente

Ao contrário da iniciativa privada, no Acre, as principais unidades de Saúde do estado, que atendem pacientes acometidos pela Covid-19, contam com sistemas de geradores de gases autônomos. Ou seja, o oxigênio é gerado na própria unidade.

“Nossas principais unidades hospitalares possuem usinas de produção de oxigênio, e também dispomos de cilindros que são utilizados para o transporte de pacientes e enviados para as demais unidades. Graças ao empenho do nosso governador, estamos devidamente abastecidos”, ressalta o secretário de Saúde, Alysson Bestene.

Além do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Acre (Into-AC), a Fundação Hospitalar do Acre (Fundhacre); o Pronto-Socorro de Rio Branco; a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do 2° Distrito de Rio Branco; a Maternidade Bárbara Heliodora; o Hospital Regional de Brasileia; o Hospital Ary Rodrigues, em Senador Guiomard; o Hospital Regional do Juruá e o Hospital da Mulher e da Criança do Juruá possuem usinas próprias de geração de oxigênio. As unidades menores são atendidas com oxigênio em cilindros, mas o consumo também está dentro do planejado.