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segunda-feira, 29 de junho de 2026
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O retrato de um milagre: uma mãe chamada Amanda

No Dia em que o Brasil celebra uma das datas mais significativas para a humanidade, o Domingo das Mães, Opinião traz para os seus leitores a história de Amanda Maria, 27 anos, professora da rede pública estadual de ensino, que enfrentou a pior batalha de sua vida e da sua família, a Covid-19, em meados do ano passado, quando chegou a ficar em coma numa UTI do Pronto-Socorro de Rio Branco.

Entre todas as demais fotos que fazem parte do meu ensaio fotográfico, essa em especial, a do 9° mês gestacional, ou 36 semanas, é a que me fez chorar. Senti mais uma vez o quão Deus é Deus. Que a fé, por meio das orações, move montanhas, faz barulho lá no céu. Que Deus nos proteja.

A lição de amor pela filha e pelos familiares, assim como as orações incessantes, a fortaleceram e a fizeram vencer.

Ela afirma que, à época, os “jornais noticiavam a contaminação ganhando proporções mundiais, mas me custava crê que um dia chegaria na porta da minha casa”.

E justamente, num novo momento de suas vidas, quando ela teria o primeiro filho. “Não fazia ideia de que além de ser uma princesa, minha bebê seria também uma verdadeira guerreira. Enfrentamos juntas essa fase de nossas vidas, 100% conectada a outra”.

Leia abaixo o depoimento dela em primeira pessoa para o Opinião

E o milagre veio em forma da Virgem Maria

Foram dias tenebrosos. No início, escondi o que eu sentia até da família. Para não preocupá-los, fui levando e sendo forte até ir à ao atendimento da Unimed. Foi lá onde tudo começou através de um hemograma. Minha saga começou com a solidão do isolamento no leito do hospital. Vários dias de febre e calafrios, seguidos logo de tosse, muita tosse. Foi quando comecei a sentir falta de ar, até a médica entrar no meu leito e ver a minha situação.

Ela fez a coleta do meu sangue para saber como estava a oxigenação e ao voltar com o resultado, me disse que o nível estava muito baixo.

Amanda, vou ter que intubar você, disse ela.

Como?. Deixa pelo menos a minha mãe chegar. Ela está vindo pra cá.

Não posso esperar mais. Preciso fazer agora. Confie em Deus e em mim.

Meu chão acabou naquele momento. Nunca tinha ficado internada. Imaginem a minha aflição quando vi o tubo antes de apagar. Fiquei três dias no [Hospital] Santa Juliana intubada até os anjos da minha via [o marido e toda a família] conseguirem uma minha vaga na UTI. Fui transferida do Santa Juliana para a UTI do Pronto-Socorro. Na minha transferência, tive uma parada cardiorrespiratória. Me reanimaram e me deixaram estável.

Foi então que pediram para o meu esposo, Ismari Medeiros, tomar a pior decisão da vida dele: optar entre mim e a nossa filha. Não dava para salvar as duas e ele disse que não aceitava aquilo. Que não ia perder nenhuma das duas. Ele se desesperou e chorou muito.

Passei quatro dias em coma até acordar no quarto dia na UTI. Ao todo foram sete dias de intubação. Já consciente, pedi para que tirassem o tubo da minha boca e pedi também um papel para escrever. Não conseguia escrever [as letras eram quase ilegíveis]. Até que conseguiram decifrar. Quando tiraram o tubo fiquei na máscara de oxigênio.

Logo quando acordei, passei a mão na minha barriga para sentir a minha filha e logo veio [o nome] Maria, Mãe de Deus na minha cabeça. Maria, por ser mãe e ter carregado no seu ventre o Salvador, a quem ela deu à luz. Então, quando a senti, disse-lhe: você será Maria, por minha devoção [a Maria, Mãe de Jesus], você será consagrada [com o nome de] Maria Isa.

O curioso é que logo depois, a enfermeira me perguntou se eu queria falar com o meu marido pelo celular dela. Aceitei. Foi quando o Ismari me disse que ele e a sua mãe, minha sogra, já tinham consagrado a nossa filha à Virgem Maria e ela se chamaria Maria Isa. Como Deus sabe de todas as coisas!

No leito do hospital, já me recuperando, os médicos vinham falar comigo sobre a minha recuperação que eles entenderam que foi muito acelerada, e que eu tinha muita força. Uma enfermeira veio e me reconheceu.

Você é a Amanda Maria. Te conheço do Facebook.

Fiquei sem entender muito aquilo. Mas depois recobrei tudo sobre o quanto ela foi gentil comigo.

Quando obtive alta do Pronto-Socorro e retornei para o Santa Juliana, eu fui ter a noção do tamanho da corrente de oração que fizeram por mim.

A força que eu tive por todos esses momentos de aflição veio de Deus através da oração de cada um das pessoas que intercederam por mim. Foram pastores, padres, missionários, profetas, Tantas pessoas que nem conheço pessoalmente e que oraram por mim e pela minha filha.

A minha vitória e da minha filha tem um pouquinho de cada um deles. E agradeço a Deus pelo dom da vida, assim como também aos meus familiares e aos meus amigos. Vocês não fazem ideia do quanto me deixaram emocionada e extremamente feliz.

A minha gratidão aos profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, técnicos e fisioterapeutas. Eles, todos os dias, põem as suas vidas em risco para salvar a vida do próximo.

Todas as vezes que eu olhar e tocar a minha filha, sentirei o quanto Deus nos ama.

‘Nunca mais sozinha’

O sonho de toda mulher é de um dia ser mãe e gerar o seu fruto, a sua perpetuação aqui na Terra. Minha gravidez desde a descoberta veio em um momento inóspito da minha vida.

Final do ano, final de metas, de objetivos, mesmo no finalzinho do mês de dezembro de 2019. Temos o hábito de sempre no final do ano, refletirmos sobre nossas ações, nossas conquistas, nossas metas e ajustar o curso da vida, dando continuidade a tudo no ano que se inicia.

Então, na noite da virada do ano, eu sentia dentro de mim, que não estava mais sozinha. Havia uma força extra, na qual minha mente ainda não tinha feito o reconhecimento, mas o meu coração sim.

Na manhã do dia 1° de Janeiro de 2020, fiz o teste de urina e logo sugiram duas listas bem marcantes. Confesso que gelei na hora

Ai, Senhor! Será que vou conseguir. Será que sou capaz

Aos poucos, Deus foi me falando:

Calma, o seu momento de viver o maior amor do mundo chegou. Hoje se inicia uma nova jornada, exatamente no primeiro dia do ano.

Quem conhece a Amanda, sabe, principalmente no meu dia a dia, que sempre cobrei muito de mim. De dar o meu melhor, sobretudo na vida profissional, considerando meus alunos pessoas especiais na minha vida. Costumo pegar no pé deles para que possam trilhar um futuro brilhante.

O amor que tenho por eles preenche o meu coração. Mas quando soube que dentro do meu ventre, eu estaria carregando um ser que dependerá eternamente dos meus exemplos, da minha força, de toda a minha garra, pensei se seria mesmo capaz. Assim, foram passando os dias, as semanas. Vieram os enjoos matinais, as cólicas, a falta de ânimo. Foi quando a nossa vida mudou da noite pro dia, o mundo passou a enfrentar um inimigo invisível, com alto poder de contaminação e de destruição.