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quinta-feira, 23 de julho de 2026
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Número de médicos no Brasil cresce 89%, mas desigualdade na distribuição permanece, revela estudo do CFM

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O número de médicos no Brasil cresceu 89,19% entre 2010 e 2024, passando de 304.406 para 575.930, de acordo com a nova Demografia Médica divulgada nesta terça-feira (15) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Apesar desse expressivo aumento, o estudo evidencia uma acentuada desigualdade na distribuição dos profissionais pelo território nacional, com maior concentração nas capitais e déficit preocupante no interior, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Atualmente, 52% dos médicos estão nas capitais, onde reside apenas 23% da população. Em contraste, 77% dos brasileiros vivem no interior, mas somente 48% dos médicos trabalham nessas áreas. A desigualdade é ainda mais acentuada no Norte, onde estados como Acre e Rondônia enfrentam dificuldades para reter os profissionais recém-formados.

O presidente do CFM, José Hiran Gallo, atribui essa disparidade não apenas a questões salariais, mas à falta de políticas de incentivo para a fixação dos médicos em regiões mais afastadas. “No Acre, por exemplo, quase 70% dos médicos formados se deslocam para outros estados. Não há ações que incentivem esses profissionais a permanecerem”, afirmou Gallo.

Situação no Acre
No Acre, o número de médicos mais que dobrou em 14 anos, passando de 750 em 2010 para 1.542 em 2024. A densidade médica também aumentou, com 1,82 profissionais para cada mil habitantes, uma melhora em relação aos 0,92 por mil registrados anteriormente. No entanto, a disparidade entre capital e interior é evidente: Rio Branco concentra 75% dos médicos, com uma densidade de 3,13 médicos por mil habitantes, enquanto no interior esse número cai para 0,80.

Dos 1.542 médicos acreanos, 860 são homens e 682 mulheres, com média de 43 anos de idade. A maioria dos profissionais (942) não possui Registro de Qualificação de Especialidade (RQE), enquanto 600 são especialistas.

Apesar do aumento no número de médicos, a desigualdade na distribuição e a falta de incentivos para manter os profissionais no interior continuam sendo desafios críticos para a saúde pública no estado e no país.