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segunda-feira, 27 de julho de 2026
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Nos Estados Unidos, acreano brilha em time de futebol de base da Flórida

Um jovem acreano brilha nos campos de futebol da América do Norte. É em Bradenton, cidadezinha de pouco mais de 56 mil habitantes, de ar bucólico e acolhedora, no estado da Flórida, que o menino Caio Saab Veronez, de 16 anos, constrói uma carreira promissora nos gramados, com humildade e determinação, vestindo a camisa 7 do Victory Rock Soccer, hoje um dos principais times de base americanos, e que já coleciona títulos importantes pelo país.

Para realizar o sonho, que também é de muitos jovens brasileiros que amam a pelota, e querem um dia estar nas grandes equipes de futebol do Brasil e do exterior, Caio Veronez embarcou em janeiro deste ano para estudar o Nível Médio, lá chamado de High School, na escola Edison Academics, a instituição patrocinadora do time. Lá, todos os jogadores do Victory são estudantes da escola. 

O Victory Rock Soccer faz parte da Liga Americana Independente, uma divisão do futebol estadunidense que aceitam estudantes estrangeiros nos times. Eles podem jogar em equipe mistas com nativos e cidadãos naturalizados americanos. 

“Por ser assim, não podemos disputar estaduais, mas nem por isso deixamos de participar dos campeonatos nacionais que fazem parte da Liga Independente”, explica Veronez, que joga na posição de meio-campista. 

O maior orgulho do camisa 7 foi, recentemente, ter vencido o campeonato ‘La Liga’, que reúne as quatro melhores equipes desta categoria, e que este ano foi conquistado em cima do Atlético de Madrid. A equipe espanhola tem uma academia oficial nos Estados Unidos, onde também treina jovens como Caio para a elite mundial do futebol.

Explica o menino acreano que “do torneio La Liga participam cinco grandes times de base”, e que chegar à final não é fácil por conta do alto nível da competição. 

“O nosso time está no mesmo nível, é organizado e valente. No estilo do meu Corinthians aí no Brasil”, brinca o jogador com um sorriso largo no rosto e orgulhoso por já colecionar gols.

No Instagram da equipe, não faltam imagens publicadas pela comissão técnica do garoto. Os dirigentes o reconhecem como fundamental para todas as conquistas de 2021, sendo a primeira delas a ‘Super Cup International’. Neste torneio, o time de Caio foi campeão sobre outras três equipes, se classificando para o National Adidas Tournament – o torneio Adidas de Futebol. Neste campeonato, o time também foi muito bem. Sagrou-se vice-campeão, devendo jogar, em breve, com outras equipes nacionais.

E para quem sonha um dia começar uma carreira promissora, Caio manda um recado. “Tenho muitos amigos aí no Acre que jogam hoje nos times de base, como o Guilherme Abner Campos Leite, da equipe do Andirá, o querido Morcegão acreano. Para eles eu só digo uma coisa: ‘Jamais desista daquilo que você deseja para o seu futuro. Sua hora vai chegar. Por isso, dê o seu 100% em todos os treinos e jogos, se esforce e vá atrás dessa oportunidade. Não espere que ela chegue até você. Tudo é possível. Basta querer’”. 

Formando um campeão para a vida

E se torcida é o que não falta para Caio, é com os pais, no entanto, que ele renova as forças para seguir em frente, sobretudo por morar com os colegas de escola, em um apartamento da instituição.

Conta a psicóloga Fernanda Saab, mãe dele, que o seu jeito: altruísta, amistoso e muito responsável nos estudos o credencia como um grande campeão para a vida. 

“Ele nunca deu trabalho. Na verdade, apenas quando nasceu prematuramente e que tivemos que lutar muito por sua sobrevivência, redobrando os cuidados e pedindo a Deus por sua vida”, relembra Saab.

“Costumo dizer que a primeira vitória dele foi a da oportunidade da vida plena, saudável. Depois que começou a andar, a falar, a entender as coisas ao seu redor, foi só alegria. Nunca precisamos chamar a atenção dele com os estudos, mas só recebíamos elogios dos professores. O Caio sempre foi muito ativo, amava ir pra rua fazer amizade com todos, e, até hoje, agora nos Estados Unidos, nunca tive reclamação de professores ou de treinadores”, comemora a psicóloga. 

Em Bradenton, diz o pai, Leandro Tavares Veronez, “ele costuma manter o mesmo comportamento tranquilo, apaziguador, sempre com uma solução ou uma resposta leve pra que ninguém fique mal na situação. Por isso, tenho muito orgulho dele”.

A rotina de estudar e jogar no exterior

Caio mora numa cidade muito aconchegante e com um clima muito parecido ao de Rio Branco. O local tem diferença de uma hora apenas do Acre, e, neste momento, por conta do horário de verão, é o mesmo da capital acreana. Além dele, residem outros 4 garotos por apartamento, meninos de alguns outros lugares do Brasil e de outros países. 

Lá, eles têm horários certos para treinar e ir às aulas. Cada um faz a sua comida e todos repartem as tarefas de casa, como lavar o banheiro, a louça e arrumar a casa. Eles também lavam a e passam as próprias roupas, sendo submetidos por monitores a vistorias no apartamento, uma vez por semana, para saber se está tudo limpo. 

Às 21 horas, um coach – treinador – passa com a lista de presença para verificar se todos já estão em casa. Com o sempre gostou de rotina, Caio diz que conseguiu se adaptar fácil. 

Como eles têm dias de descanso também, vão ao shopping, à praia ou frequentam restaurantes, sempre em turmas. O objetivo é permanecer até a faculdade. 

“Eu ainda não escolhi o que fazer no futuro, porque além de futebol gosto muito da pecuária. Então acredito que este é o momento de autoconhecimento e que outras escolhas ainda virão”, diz o adolescente.

Um ping-pong com a mãe 

OPINIÃO – Em que momento da vida dele começou o sonho de jogar futebol?

Fernanda Saab – O Caio, desde criança, sempre gostou de futebol. Os presentes de aniversários que ele mais curtia era bola. Onde íamos ou viajávamos, levávamos uma bola. Me recordo de uma viagem para o Peru, onde a altitude era sentida e ele, com apenas 5 anos, correndo e jogando bola na pracinha com dois peruanos. Era assim onde ia. Logo se enturmava em roda de meninos pra jogar bola.

OPINIÃO – Algum fato dele marcou vocês? 

Fernanda Saab– O Caio sempre foi apaziguador. Então, ele sempre falava: ‘Mãe, antes de você julgar alguém pensa no que essa pessoa está passando. Como foi o dia dela, porque se você for discutir com uma pessoa grosseira, as coisas só vão piorar porque a fúria vai aumentar’. Uma frase que marcou muito pra gente foi quando deixamos ele nos Estados Unidos e ele falou: ‘Estou feliz. Muito feliz. Então não chorem. Logo estaremos juntos e prometo que vou dar muito orgulho a vocês’. 

OPINIÃO – Como era a vida do Caio aqui no Acre? 

Fernanda Saab – Ele adorava estar com os amigos, jogando bola, baralho, pedalando. Mas ele tinha o tempo de aulas e compromissos. Treinava futebol, estudava inglês, fazia aula de violão e, mesmo com várias atividades, cronometrava seu tempo para os pros amigos, para a família e até pra si próprio. Aos domingos, depois de correr pelo condomínio, tocava violão, e ia para a missa, hábito que lá ele também não deixou. Meu filho tem muita fé em Deus, e continua indo à igreja aos domingos, com a quarta-feira dedicada ao encontro de jovens