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sábado, 4 de julho de 2026
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Nível do Rio Acre está abaixo da média para julho e crise hídrica pode afetar municípios

O nível do Rio Acre em Rio Branco chegou a 2,32 metros na quinta-feira, 4. A marca é a menor já registrada para esta época do ano de acordo com o Corpo de Bombeiros Militar. Segundo a instituição, a média ideal para o período é de 3,44 metros, ou seja, 1,12 metros a mais. As poucas chuvas registradas em maio, junho e na primeira semana deste mês também pode trazer outro problema além das muitas queimadas feitas no verão, uma crise hídrica pode afetar os municípios.

Major do Corpo de Bombeiros, Cláudio Falcão explica que ano após ano o volume das águas do principal manancial do estado na capital, e em outras cidades apresenta baixa significativa no período de poucas chuvas, tempo seco e altas temperaturas na região. Ele lembra que entre o dia 15 de maio e 15 de junho o nível do rio baixou quase quatro metros, o que não é normal acontecer tão aceleradamente. Segundo ele, em maio choveu apenas 10,6 milímetros e a tendência se mantém.

“Tivemos muitas chuvas no início do ano e em maio elas foram intensas em Xapuri, Seringal Espalha e Riozinho do Rola até a primeira quinzena. Isso era para ter influenciado em um nível maior. Mas quando o volume do Rio Acre começou a decrescer na capital, essa queda foi vertiginosa e muito rápida, o que não era pra ter acontecido. Em 4 de julho do ano passado a cota era de 2,49 metros. A diferença pra atual não é muita, mas é muito significativa”, lembra o major.

Falcão ressalta que em 2016 o Acre passou pela maior estiagem já registrada na história, em setembro daquele ano o nível do rio na capital foi o menor de todos os tempos e chegou a 1,30 metro. Ele ressalta que o verão amazônico vai até o início de outubro deste ano e que a situação de seca extrema pode se repetir este ano, já que a tendência é de que o baixo volume de chuvas permaneça e que elas fiquem mais escassas em todas as regiões conforme os meses irão passar.

“Se esse cenário se configurar novamente, podemos chegar a uma cota bastante crítica agora em 2019 e corremos o risco de termos uma crise hídrica severa como em 2016. Temos a possibilidade real de o rio baixar mais um metro e alcançar o patamar registrado em 2016. Mas temos um plano de contingência elaborado e ele prevê que se for necessário decretar situação de emergência em relação a abastecimento d’água a Defesa Civil estadual fará esse reconhecimento”, afirma o militar.

O major explica que é necessário que a Defesa Civil estadual reconheça a situação de emergência pra que o governo do estado decrete oficialmente o cenário, o que facilita o reconhecimento por parte do governo federal para auxiliar financeiramente a administração sobre uma possível situação de desabastecimento. De acordo com ele, as queimadas praticadas no período influenciam indiretamente no nível do manancial, já que aumentam ainda mais as temperaturas.

“Indiretamente tem uma relação porque as queimadas urbanas e rurais elevam as temperaturas, que fazem a água do rio evaporar mais rapidamente. Esse fenômeno é acentuado em reservatórios artificiais como represas, casos de muitas cidades do interior. Desde o fim de maio as queimadas e focos de calor têm se intensificado. Rio Branco é a cidade que lidera esses índices e Tarauacá vem logo em seguida. Do fim de maio até a primeira quinzena de junho foram 120 focos”, afirma.

Queimadas e plano de contingência

Dados do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBM-AC) revelam que do dia 1° de janeiro até o dia 24 de junho mais de 700 ocorrências relacionadas a incêndios ambientais e focos de calor foram registradas no estado. Desse total, a corporação atendeu a 325 chamadas para controlar incêndios ambientais, quando há chamas de grandes proporções em extensas áreas de vegetações. Já os focos de calor (queimada de entulhos, queimadas urbanas e pequenos incêndios) correspondem a 410 casos de intervenções feitas pelas equipes da corporação em diversas cidades.

Major do Corpo de Bombeiros, Cláudio Falcão afirma que Rio Branco é a cidade que mais registra chamadas para combater incêndios urbanos. Tarauacá é o município acreano campeão de queimadas rurais e incêndios de grandes proporções seguido de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, segunda maior cidade do estado em termos populacionais. E para evitar que esses números subam cada vez mais durante os próximos meses, uma série de ações são desenvolvidas em várias comunidades rurais e urbanas do estado para conscientizar a população sobre os riscos dos incêndios.

Palestras, campanhas, orientações e reuniões com associações de moradores e de produtores rurais são algumas das iniciativas realizadas pelo Corpo de Bombeiros em parceria com órgãos como Defesa Civil estadual, Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Pelotão Ambiental, Secretaria de Produção e Agronegócio (Sepa), Departamento Estadual de Pavimentação e Saneamento (Depasa), secretarias de Saúde do Acre (Sesacre) e de Rio Branco (Semsa), Defesa Civil municipal e Secretaria de Meio Ambiente (Semeia). Todos participam do Plano de Contingência.

De acordo com o militar, as ações do plano de contingência, elaborado em novembro do ano passado, foram traçadas para se ter um bom gerenciamento de queimadas no Acre. “Vamos a diversos locais do estado a fora para esclarecer as pessoas de que elas não podem fazer a utilização do fogo para limpeza de terrenos, incineração de lixo doméstico ou entulhos e em outras situações. É crime queimar e em nenhuma situação, neste momento, é permitida a prática. Talvez, mais adiante, o Imac e Ibama façam essa liberação para produtores rurais de assentamentos”, explica.

Falcão lembra que essa concessão pode ser dada somente para agricultores que façam queimadas controladas para realizar pequenas plantações de alimentos. Segundo ele, as denúncias sobre queimadas em Rio Branco podem ser feitas para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semeia). Nos demais municípios as ocorrências podem ser reportadas a própria Polícia Militar do Acre (PM-AC). Questionado sobre o comportamento dos números, o militar dos Bombeiros afirma que atendência é de que as ocorrências aumentem a partir de julho devido a seca que afetará o estado.

“Todo ano se repete a mesma situação. Apesar das campanhas, os esforços que empreendemos, as fiscalizações, multas e campanhas, as pessoas ainda têm a sensação de impunidade e fazem queimadas. Ainda temos os meses de julho, agosto, setembro e outubro pela frente. Estamos trabalhando arduamente para diminuir essas ações e os impactos”, garante Falcão.

O major lembra que além dos prejuízos ambientais, as queimadas causam doenças respiratórias nas pessoas; principalmente doentes crônicos, idosos, crianças e transplantados; e mortes por insuficiência respiratória, segundo ele quatro mil pessoas morrem no Brasil todos os anos devido as consequências das queimadas. “Fazemos de tudo para diminuir esses números. Mas é importante que as pessoas tenham consciência de que a queimada é um mal que afeta diretamente a vida delas e não tenham mais essa prática. É uma cultura que precisa ser extinta”, finaliza o militar.

O Corpo de Bombeiros Militar já elaborou o Plano de Contingência para o verão amazônico, período de poucas chuvas e temperaturas elevadas na região entre o final de abril e o mês de setembro. Campanhas de conscientizações e formação de brigadas são algumas das ações previstas no documento que envolve outros diversos órgãos. As condições climáticas do período são favoráveis a constantes e elevados incêndios ambientais na área urbana e, principalmente, rural. Devido a isso, as ações preveem que a corporação realize diversas medidas para amenizar a situação.