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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Mulheres relatam a rotina em hospital de referência no tratamento do Covid-19

No Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), hospital de referência no tratamento de pessoas infectada pela pandemia do novo coronavírus, a rotina é sempre de muito trabalho e de esperança em dias melhores. Nos corredores, a correria dos profissionais de diversas áreas é sempre constante. Os passos são apressados, sempre existe emergência em algum dos leitos das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

Da parcela de trabalhadores da unidade de Saúde, se destacam as mulheres, grande parte por sinal. São mães, filhas e esposas que se dedicam as tarefas de seus ofícios em um cenário de expressões angustiantes e pensamentos muitas vezes perdidos, com o voltar para casa, o cuidado, carinho e a atenção dos que por elas se preocupam.

A enfermeira Lucinete Linhares de Lima, 43 anos, falou sobre sua rotina e vivência no hospital. “Tudo é bem difícil. Já trabalho há 17 anos na Saúde. Também trabalho como técnica de enfermagem. Quando iniciou a pandemia, vim para o Into e ficou tudo mais corrido. Essa é uma doença nova, diferente de tudo que já vimos. Também já fui infectada pelo vírus. Temos que lidar com pacientes críticos. Requer muito de você. Saiu de um trabalho e já vou para outro. Na verdade, passo uns dois dias fora de casa. Aqui, é somente uma enfermeira por UTI, para atender 10 pacientes. É difícil, mas gosto do que faço e minha família compreende os deveres da minha profissão, por mais preocupados que possam ficar”.

Raquel Souza Moura, de 38 anos, fisioterapeuta na unidade de Saúde, comentou que estava foram do Instituto antes da pandemia, mas teve que voltar para ajudar no atendimento. “Comecei o trabalho no Pronto Socorro, mas tive que retorna ao Into, que virou o hospital de referência no tratamento dos infectados pela doença. Exerço minha atividade aqui e em uma clínica particular.  A rotina é difícil, não somente pelo trabalho, mas pelo que presenciamos aqui, que são os óbitos. É gratificante quando vemos a recuperação de um paciente, os que vencer a batalha contra o vírus. A equipe é muito boa, todos se ajudam, desde o pessoa de serviços gerais, até o médico. O apoio é o que faz a gente vencer todos os dias”.

Para Gislene Silva, de 36 anos, que atua na limpeza do hospital, o risco de contrair a doença é o que a deixa mais preocupada. “Por mais cuidados que tomamos ficamos com receio, não queremos levar o vírus para casa, pois aqui é o local onde ele está ‘circulando’. Desempenho um papel importante aqui, que é o de deixar tudo organizado e limpo. Sou casada, tenho três filhos, porém somente um mora comigo. Eles ficam com medo, mas entendem que preciso trabalhar para ajudar nas despesas de casa”.

 Longe de casa

A médica Liliane Maria de Araújo, de 30 anos, deixou sua terra natal para trabalhar no Into. “Vim em maior para Rio Branco, sou de Cuiabá. Lá, estava trabalhando em um hospital que cuida de pessoas infectadas pela pandemia. Recebi a propostas e aqui estou, ajudando outros profissionais no atendimento. Meu esposo veio no final do ano passado, até então, estávamos distantes. Faz quase um ano que não visito minha cidade, mas como meus pais são do grupo de risco, prefiro ficar distante durante esse período. Nosso trabalho não para, a batalha é constante. Nossa prioridade são os pacientes, e acabamos deixando nossa vida pessoal um pouco de lado”.

“Venci a doença, graças a Deus”

Dona Jana Bezerra, de 74 anos, ficou sete dias internada no hospital. Sua alta médica ocorreu na sexta-feira, 5. Com o olhar que enxerga a esperança, a jovem senhora de cabelos grisalhos e muita disposição, era só alegria.

“Me recuperei graças ao bom Deus. Agradeço também as pessoas que cuidaram de mim, durante os dias em que estive no Into. Muitos ainda não compreenderam o quando é grave essa doença. Não podemos brincar com a sorte. Já tenho uma idade avançada, no entanto, ainda quero ficar um bom tempo por aqui. Que possamos ter mais amor ao próximo. Estou muito feliz, hoje é um dia muito especial. Agora é ir para o meu lar e cuidar da minha gente e das minhas coisas”

Hospital referência

Em agosto de 2020, o Instituto de Traumatologia e Ortopedia (Into-AC) passou a ser a unidade de referência na capital acreana para quem apresenta sintomas de Covid-19 e necessita de atendimento. Com a construção do hospital de campanha, também no ano passado, a unidade de saúde dispõe de 100 leitos clínicos e 50 leitos de UTIs exclusivamente para pacientes acometidos pela pandemia do novo coronavírus. Porém, com o aumento dos casos, o hospital está lotado, sem leito para outros enfermos. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), por meio do Departamento de Vigilância em Saúde (DVS), o número de infectados pela doença já ultrapassa 60 mil.