Ministério Público pede condenação de ex-presidente da Caixa por assédio

MPT quer que Pedro Guimarães pague R$ 30,5 milhões por danos morais

O MPT (Ministério Público do Trabalho) pediu nesta quinta-feira (29) que a Justiça condene o ex-presidente da Caixa Econômica Federal Pedro Guimarães a pagar R$ 30,5 milhões pelas práticas de assédio sexual, moral e discriminação contra funcionários do banco.

A ação pede ainda que cada um dos integrantes do Conselho de Administração da empresa sejam condenados a pagar pouco mais de R$ 3 milhões pela “omissão em fiscalizar os atos dos dirigentes da estatal”.

Já ao banco, o MPT solicita à Justiça o pagamento de R$ 305 milhões “pela omissão na investigação de tais atos” e por responsabilização solidária.

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O ex-presidente da Caixa Pedro Guimarães em cerimônia no Palácio do Planalto em 2021 – Pedro Ladeira/Folhapress

Nos três casos, o pagamento deve ser feito a título de reparação pelos danos morais coletivos. O MPT pede que o dinheiro seja revertido a um fundo destinado à proteção dos direitos dos trabalhadores.

A defesa de Guimarães afirma que a ação é eleitoreira. “O Ministério Público, de maneira açodada e às vésperas da eleição, ajuíza uma ação manifestamente improcedente e eleitoreira”, dizem os advogados José Luis Oliveira Lima e Luís Augusto Canedo.

“Pedro Guimarães, que juntamente com a sua equipe ganhou todos os prêmios durante a sua gestão na Caixa Econômica Federal, nega categoricamente a prática de qualquer ato irregular”, complementam.

Procurada, a Caixa não respondeu até a publicação deste texto.

Guimarães deixou a presidência da Caixa em junho depois de ter sido denunciado por um grupo de funcionárias. O caso foi revelado pelo site Metrópoles. Os relatos apontam, entre outras ações, toques indesejados e convites inapropriados.

O MPT também apura a alocação de executivos graduados em tarefas de quem está em início de carreira no banco, como mostrou a Folha. A investigação está aberta desde 2020.