Um caso que comove moradores do Acre e do Amazonas ganhou um novo desdobramento e tem ligação direta com Boca do Acre. A madrasta da menina de 11 anos internada após suspeita de ingestão de soda cáustica teve a prisão preventiva cumprida após se apresentar à Justiça. O pai da criança continua foragido.
O caso ocorreu no dia 3 de julho, em uma residência no bairro Apolônio Sales, em Rio Branco. Conforme as investigações, a menina teria sido obrigada a ingerir soda cáustica. Ela permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança, enquanto a Polícia Civil e o Ministério Público do Acre apuram as circunstâncias do ocorrido.
Mãe saiu da zona rural de Boca do Acre para reencontrar a filha
Um dos momentos mais emocionantes do caso envolve a mãe da criança, que mora na zona rural de Boca do Acre (AM). Ao ser informada sobre a internação da filha, ela viajou até Rio Branco para acompanhar o tratamento.
Segundo relato da mulher, ela não convivia com a menina havia mais de oito anos. A mãe afirma que sofreu violência doméstica durante o relacionamento com o pai da criança e que, desde então, foi impedida de manter contato com a filha.
O reencontro aconteceu no hospital e foi marcado por forte emoção.
“Quando ela olhou para mim, me reconheceu. Ela começou a chorar e eu também. Eu só falei que estava do lado dela, que ela tinha uma mãe e que não ia abandonar ela”, relatou.
Madrasta se apresentou e foi presa
Após ter a prisão preventiva decretada pela Justiça, a madrasta se apresentou acompanhada do advogado e, em seguida, foi encaminhada à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), onde permaneceu à disposição do Poder Judiciário.
A defesa informou que a mulher está grávida de quatro meses e alegou que ela também teria ingerido soda cáustica. As informações fazem parte da estratégia de defesa e serão analisadas durante o andamento das investigações.
Enquanto isso, o pai da menina segue foragido.
Investigações continuam
O Ministério Público do Acre acompanha o caso e solicitou novas perícias para esclarecer como ocorreu a suposta ingestão da substância e a origem das lesões apresentadas pela criança.
As investigações apuram a possível prática dos crimes de tentativa de homicídio qualificado, tortura e maus-tratos. O processo tramita sob segredo de Justiça.
Rede de proteção acompanha o caso
O Conselho Tutelar informou que toda a rede de proteção foi mobilizada para garantir atendimento à criança, que continua recebendo assistência médica e acompanhamento especializado.
O órgão também orientou a população a não divulgar imagens da vítima nem realizar campanhas de arrecadação em nome da menina sem autorização dos órgãos competentes.
Linha do tempo do caso
• 3 de julho: menina de 11 anos é internada em Rio Branco com suspeita de ingestão de soda cáustica.
• 7 de julho: mãe, moradora da zona rural de Boca do Acre, chega à capital acreana e reencontra a filha após mais de oito anos sem convivência.
• 13 de julho: madrasta se apresenta à Justiça e tem a prisão preventiva cumprida.
• Atualmente: a criança permanece internada na UTI, o pai continua foragido e as investigações seguem em andamento para esclarecer todas as circunstâncias do caso.


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