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terça-feira, 30 de junho de 2026
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Lockdown: medida estabelecida pelo governo do Acre continua dividindo opiniões

Pequenos comerciantes e autônomos são os mais prejudicados economicamente com o decreto. Porém, o poder público alerta que a determinação é necessária para diminuir o agravamento no setor da Saúde, onde pessoas infectadas pela Covid-19 estão morrendo por falta de vagas em UTIs

Na quarta-feira, 10 de março, o governador Gladson Cameli decretou medidas restritivas para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus na capital e em todos os municípios acreanos

A partir deste final de semana, nos feriados e em pontos facultativos (de forma temporária), de acordo com o decreto nº 8.260, só podem funcionar hospitais, farmácias, postos de gasolina, com atividades limitadas apenas ao abastecimento de veículos oficiais das áreas da Saúde e da Segurança Pública, assim como de veículos que estejam em missão de serviços públicos essenciais, e funerárias.

O atendimento em supermercados, lanchonetes e restaurantes será por meio de entrega delivery, em domicílio. Também está proibido a realização de eventos religiosos, em templos ou local público.  Segundo o que determina a Lei, não é permitida a permanência de pessoas em espaços públicos e privados destinados à recreação e ao lazer.

De segunda a sexta-feira, comércios e atividades econômicas em geral podem operar, seguindo as orientações da classificação de risco, que na atual faixa de alerta, o da Bandeira Vermelha, se tornam ainda mais restritivas, com medidas sanitárias mais rígidas e com toque de advertência, que segue vigente das 22 às 5 horas.

No Acre, a suspensão das atividades não-essenciais atinge a economia local, que assim como em outros Estados da Federação, vive uma crise sem precedentes. De acordo com levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego em todo o país, diante da pandemia, bateu recorde em setembro de 2020. Os dados apontaram que o Brasil encerrou o nono mês do ano passado com um contingente de 13,5 milhões de desempregados, cerca de 3,4 milhões a mais que o registrado em maio do mesmo ano, representando uma alta de 33,1% no período.

Em Rio Branco e demais cidades acreanas, mais de 60 mil pessoas estão desempregadas, vivendo da informalidade. Para essas pessoas, a situação está sendo ainda mais difícil em 2021. Para muitos comerciantes, alguns já sem capital, o que não economia se associa a condição de gerar fluxo de rendimento em fases difíceis, ou qualquer estrutura para dar suporte suficiente para atravessar esse período, a situação se torna ainda mais complicada.

Em relação ao lockdown, que em português significa fechamento ou confinamento, boa parte dos rio-branquenses apoiam a decisão do governo para diminuir o avanço da Covid-19. No entanto, para os comerciantes e para quem trabalha na informalidade, ou para grande parte deles, se houvesse mais conscientização das pessoas em relação aos cuidados e ao isolamento social em tempos de pandemia, o decreto não seria necessário.

Seu Altemir Alves de Menezes, de 75 anos, trabalha há 54 anos na região central de Rio Branco. Em seu pequeno estabelecimento, localizado no novo Mercado Velho, ele falou sobre as dificuldades e do prejuízo que muitos terão com o fechamento do comércio. “Falo do prejuízo, principalmente dos pequenos comerciantes, os que vivem do pouco que faturam durante o dia. A determinação do governador é importante, mas seria melhor se todos tivessem consciência, tomassem os cuidados necessários, se protegessem e protegessem os outros também. Assim, não precisaria dessa medida”.

Meireles Araújo, de 51 anos, dono de uma mercearia e de um açougue no Conjunto Esperança, salientou que o lockdown não é bom para a economia, no entanto é um decreto necessário, mesmo com o prejuízo ocasionada por ele. “A única forma de fazer o isolamento é assim, de tentar colocar um pouco de ‘juízo’ na cabeça das pessoas, já que não temos uma educação para entender que a doença mata, e está matando todos os dias. É muito ruim deixar de vender nos finais de semana. O domingo é o dia mais lucrativo que tenho. Porém, entendo que isso tudo é necessário. Pode ser que nos próximos dias, diminua o número de óbitos e de casos e possamos voltar a comercializar nos sábados, domingos e feriados”.

Muito trabalho e pouco lucro

“Está difícil para um ‘monte’ de gente desempregada. Sobrevivo graças a Deus, apesar das dificuldades. Peço sempre ao Senhor por dias melhores”, disse o picolezeiro Antônio Raimundo, de 56 anos. Foto: Dell Pinheiro

Seu Antônio Raimundo, de 56 anos, tem uma rotina ‘puxada’. Durante o dia, são quilômetros percorridos pelos bairros da capital. O picolezeiro, assim que é referido o trabalhador que vender sorvete, refresco e o próprio picolé em nossa região, descreve um pouco de sua rotina e também dá sua opinião sobre o lockdown. “Começo a trabalha sete da manhã e vou até às cinco horas. ‘Atravesso’ a cidade tentando vender os picolés e sorvetes, mas está cada dia mais difícil. Hoje [na quinta-feira, 11] não consegui vender nem R$ 20, e já estamos entrando na parte da tarde. Não sei como vai ser nesse final de semana. Sei que não poderei vender, tentar tirar algum lucro para mim. Está difícil para um ‘monte’ de gente desempregada. Sobrevivo graças a Deus, apesar das dificuldades. Peço sempre ao Senhor por dias melhores”.

A autônoma Francisca Nascimento, de 42 anos, aprova o decreto. Ela salientou que falta conscientização da população, mas também criticou a atuação do poder público. “Se o governo tivesse fiscalizado à população desde o início da pandemia, nada disso estaria sendo feito. Já que isso não ocorreu, se faz necessário tomar essa medida. Porém, muita gente está passando dificuldade por conta da irresponsabilidade de alguns. Vivo dos produtos que vendo aqui no Centro da cidade. Enquanto não se tocarem que só o distanciamento social pode eliminar o vírus, continuaremos na pior, digo os mais pobres. Como diz o ditado: lidar com o ser humano é complicado”

“Atividade essencial é aquela em que o pai pode levar o sustento para sua família, por meio do suor de seu trabalho”

Júnior Rodrigues, de 37 anos, que trabalha como motorista de aplicativo há quase três anos, disse que pelo que presencia diariamente, o que falta é a conscientização das pessoas.

“Atividade essencial é aquela em que o pai pode levar o sustento para sua família, por meio do suor de seu trabalho”, enfatizou Júnior Rodrigues, de 37 anos, que trabalha como motorista de aplicativo. Foto: Dell Pinheiro

“Outro dia, passei em frente a um bar e pude perceber que somente em uma mesa tinha 14 pessoas, todas fumando o mesmo cigarro e bebendo no mesmo copo. Então, os governantes, muitas vezes, visando essa parte do fechamento estão certos, porque eles estão vendo o lado dos irresponsáveis, dos que não estão ligando muito para a doença, que continuam fazendo aglomeração. Mas, por trás disso, tem um pai de família, como eu. Dependo de levar os passageiros para os locais, os mais variados. Então, se eles não saem de casa, não tem corrida para mim. Resultado: também fico sem trabalhar, e é disso aqui que levo o pão para casa, tenho três filhos e esposa. Essa medida vai ser muita complicada. Estou tendo de trabalhar de manhã, tarde e à noite. Atividade essencial é aquela em que o pai pode levar o sustento para sua família, por meio do suor de seu trabalho”.

Rodrigues fez um apelo as autoridades. “Sou cristão, oro muito a Deus, pela vida dos meus governantes. Já deixo um apelo aqui: pelo amor do nosso Senhor, larguem a questão política, da politicagem, da separação de partidos e de todas essas coisas que não trazem nada de bom. Seu unam, olhem para o povo, para a vida das pessoas. Coloquem isso no coração de vocês. Pessoas valem mais do que coisas. O mundo não tem sentido sem as pessoas. Por isso que Cristo morreu por nós. Temos que ter mais empatia e amor aos outros. Vejo que muitos não se importam, levam a doença na ‘b

rincadeira’. Talvez, esses, só refletirão quando perderem um ente querido. Por isso, se cuidem, cuidem dos seus, dos que amam. Porém sem esquecer do seu semelhante”.

Ações preventivas antes da medida extrema 

O empresário, publicitário e administrador Rodrigo Severiano Pires, também explanou sobre oi assunto. “Do que foi proposto o que discordo, mas essa é minha opinião, é a questão do fechamento dos estabelecimentos nos finais de semana. Concordo da maneira que está sendo feita em outros Estados, com horários flexíveis e a capacidade de atendimento de 20%. Podiam também ter colocado a Lei Seca em todos os estabelecimentos, e blitz nas ruas durante todo o período de pandemia. Também sugerimos nesse momento de crise, a criação do Bolsa Acreano, um auxílio estadual no valor de R$ 300 integrado ao Bolsa Família. Isso tudo injetaria R$ 81 milhões na economia do Estado. Tem como minimizamos os problemas, basta um planejamento correto das finanças públicas”.