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sexta-feira, 31 de julho de 2026
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Líder do ‘Centrão’, Arthur Lira volta atrás e atrasa debate sobre ‘PL do estupro’

Até no Senado, onde houve um simulacro de debate sobre o tema, com direito a encenação teatral, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) gerou grande repercussão nas redes sociais após seu discurso, na Tribuna, na noite passada. Em sua fala, a senadora sugeriu que Nyedja Gennari, contadora de histórias e atriz que havia representado um feto sendo abortado em uma audiência pública promovida pela oposição no dia anterior, também encenasse uma situação de estupro.

CORREIO DO BRASIL Em um pronunciamento nesta quarta-feira, o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL) anunciou o recuo na tentativa de aprovar o Projeto de Lei (PL) que criminaliza vítimas de estupro ao equiparar o aborto legal após a 22ª semana ao crime de homicídio. Acompanhado do colégio de líderes, ele afirmou que o chamado ‘PL do estupro’ será analisado no segundo semestre, após o recesso, em uma “comissão colaborativa”. As indicações para a comissão que vai debater o texto serão feitas a partir de agosto. 

A advogada e senadora Soraya Thronycke (Podemos-MS) fez um duro pronunciamento contra o PL do estupro

A advogada e senadora Soraya Thronycke (Podemos-MS) fez um duro pronunciamento contra o PL do estupro (Foto: Fornecida por Correio do Brasil)

— O colégio de líderes aceitou debater este tema, de forma ampla, no segundo semestre, com uma comissão colaborativa, após o recesso, sem pressa ou açodamento — disse Lira, que não abriu espaço para perguntas dos repórteres.

Lira também não falou sobre a retirada da urgência na tramitação do PL, como pede o PSOL. Assim, o caminho legislativo oficial ainda prescinde da análise nas comissões já instituídas na Casa.

Sem aviso

Lira também tentou se defender das críticas de que pautou o projeto por vontade própria.

— É fundamental para exaurir todas as discussões e criar segurança jurídica, moral e científica. A decisão da pauta da Câmara não é monocrática. Somos uma Casa de 513 parlamentares. Qualquer decisão é colegiada — diz ele.

As críticas a Lira vieram após a aprovação da urgência para votação do PL na última quarta-feira. Sem qualquer aviso e sem citar sequer o assunto que iria a voto, em Plenário, o presidente da Casa pautou e encerrou a votação em exatos 23 segundos. A urgência foi aprovada em votação simbólica – sem registro do voto de cada deputado no painel eletrônico.

Estupro

A reação política e social contra o PL, no entanto, foi imediata e massiva. A bancada evangélica mais radical ficou isolada na defesa do texto, que gerou reações no meio político e nas ruas. Diversas cidades registraram atos contra o projeto.

Vídeo relacionado: Lira diz que discutirá PL do aborto no 2º semestre (Dailymotion)

Até no Senado, onde houve um simulacro de debate sobre o tema, com direito a encenação teatral, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) gerou grande repercussão nas redes sociais após seu discurso, na Tribuna, na noite passada. Em sua fala, a senadora sugeriu que Nyedja Gennari, contadora de histórias e atriz que havia representado um feto sendo abortado em uma audiência pública promovida pela oposição no dia anterior, também encenasse uma situação de estupro.

— Eu queria até o telefone, o contato, daquela senhora que esteve aqui ontem, encenando aquilo que nós vimos. Sabe por quê? Porque eu quero ver ela encenando a filha, a neta, a mãe, a avó, a esposa de um parlamentar sendo estuprada — concluiu.