Por Marcelina Freire
Um barraco em meio ao matagal e lixo de um terreno localizado no bairro Valdemar Maciel abriga a jovem Daiane da Costa, 30 anos. De olhar inquieto e poucas palavras, aparentemente com problemas mentais, a jovem vive sozinha naquele local insalubre e sem nenhuma condições de moradia. A equipe do Opinião esteve no local nesta terça-feira, 23, para contar essa história.
Ao chegarmos ao local, não encontramos Daiane, que já havia saído em busca de fazer a primeira refeição do dia, como de costume na casa de vizinhos. É assim que ela tem vivido há aproximadamente dois anos.

Dona Raimunda Barbosa, 74 anos, é uma das pessoas que ajudam a moça para que ela possa ter suas necessidades mais básicas como banho, comida e vestimentas supridas. A idosa mora em uma rua próxima à casa de Daiane e conta que ela sobrevive de ajuda dos vizinhos.

“A Daiane vive desse jeito aqui ajudada pelas pessoas porque a irmã dela trabalha e não tem como ficar com ela o tempo todo, mas ela precisa da ajuda de alguém que fizesse, pelo menos, um quarto para ela, seguro, com luz e alguma coisa para ela dormir, porque ela é um ser humano”, desabafa.
Segundo os vizinhos, o terreno em que a jovem mora pertence à família da moça. Porém, não oferece condições de moradia digna. “Quando chove, ela fica molhada porque molha dentro de casa. Ela vai lá em casa e eu dou sabonete pra ela tomar banho e roupas. Ela sempre vai lá em casa tomar café. Estão aí as roupas jogadas, não tem nem água”, conta dona Raimunda.
Os vizinhos não sabem dizer o porquê de Daiane ter ficado nesta situação. De acordo com eles, ela não apresentava problemas, mas a situação mudou após o fim do casamento.
“Já levaram ela para o ‘Distrital’ [Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac], mas ela foge de lá. A gente queria que ela fosse para algum centro de recuperação, mas ela não quer. Diz que lá em uma prisão”, comenta Fabíola, neta de dona Raimunda.
Casa não possui luz elétrica e nem água

O casebre em que a jovem vive não possui água, banheiro, móveis, eletrodomésticos. Não possui absolutamente nada. A única coisa que tem dentro é o que sobrou de um colchão. É nele que Daiane passa a noite, sem luz elétrica, totalmente no escuro.
“Tá aí o lixão, eu fico aqui sozinha, tem uma irmã que vem aqui, mas faz tempo que não vejo, estou vendo a hora ela sumir também, porque faz tempo que não vejo”, reclama Daiane.
As roupas que ela usa são descartáveis, na entrada da casa é possível ver um amontoado de roupas que são jogadas após o uso por falta de local para lavar.
“As roupas ela usa depois tira e joga aí. Ela vai lá em casa buscar roupa para vestir. Depois ela tira e joga aqui”, revela dona Raimunda enquanto mostra a quantidade de peças espalhadas pelo terreno.
Nossa equipe tentou entrar em contato com a família da jovem, mas os vizinhos disseram não ter o contato da irmã de Daiane. Ela por sua vez, disse que não lembrava o número de telefone da irmã, sabia apenas o bairro em que ela mora.
Assistência social vai acompanhar o caso
Nossa equipe entrou em contato com Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos de Rio Branco (SASDH) para saber quais procedimentos devem serem adotados nestes casos.
Segundo a diretora de Assistência Social, Regiani Oliveira, uma equipe composta por assistente social e psicólogo já havia tentando acompanhar a situação da jovem, porém, não conseguiu por conta da resistência dela em ser acompanhada.
“O Centro de Referência em Assistência Social (Cras) já esteve lá, mas teve muita resistência da parte dela. A psicóloga tentou todo tipo de abordagem, mas não foi possível”, explicou
De acordo com a diretora, uma nova tentativa será feita para buscar acompanhamento adequado para Daiane.


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