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quarta-feira, 22 de julho de 2026
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Jornalista literário critica livro de Bruno Borges

Jornalista literário critica livro de Bruno Borges

Passado o frisson em torno do sumiço do estudante de psicologia Bruno Borges, que ficou conhecido nacionalmente por ‘menino do Acre’, nesta quarta-feira, 16, o jornalista Rodrigo Casarin, que edita o blog ‘Página Cinco’, do UOL, classificou o livro ‘TAC – Teoria da Absorção do Conhecimento’, de Borges, como uma das obras mais ‘mal escritas, presunçosas e tolas’ já resenhadas por ele. 

Casarin, que é pós-graduado em Jornalismo Literário, apresenta seu blog como especializado em falar de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais.

1 lado a lado com a foto do BrunoO crítico literário analisa um trecho em que Bruno Borges recomenda não pensar em sexo, tornar-se vegano, dormir pouco e viver isolado “como base para que talvez você consiga se transformar em um gênio do quilate de Isaac Newton, Leonardo da Vinci ou Nikola Tesla”.

“A ideia é que sem gastar tempo com impulsos carnais, sem usufruir de alimentos que podem incentivar a gula, dormindo pouco e sem ter que se dedicar a terceiros, qualquer cidadão estaria em uma situação extremamente favorável para desenvolver criativamente suas ideias”, entende o jornalista.

No entanto, mais à frente o jornalista do UOL dispara: “O problema é que, não bastasse a tese em si ser questionável, a argumentação de Bruno beira o cômico”.

Aliás, sobre evitar fazer sexo, Bruno Borges cita Santos Dumont, considerado o Pai da Aviação, mas fora de um contexto histórico.

Leia a citação como aparece exatamente no livro: “A importância de refrear os impulsos sexuais por parte de grandes homens que não tinham tempo para ações libidinosas, pois, como disse Santos Dumont, ‘ou constituo uma família ou renego isso e desenvolvo o avião’, é verificada no que diferencia o homem dos outros animais”.

Para Rodrigo Casarin, Bruno Borges ignora que “Dumont, como Arthur Japin mostrou em seu livro “O Homem Com Asas”, era homossexual, o que contribuía para que tirasse o foco de sua sexualidade em uma sociedade extremamente homofóbica”.

Já sobre o sono, Borges defende que se durma pouco e de modo polifásico. Segundo ele, “sábios” como Thomas Edison, Jesus Cristo, Albert Einstein e Napoleão Bonaparte tiravam apenas sonecas de cerca de 2 horas. “Conta-se que Da Vinci dormia irrisórios 20 minutos diários”, relata, para depois se colocar junto dos grandes gênios:

“Eu mesmo, quando criando e me cerceando desta energia criativa e poderosa, durmo de 2 a 4 horas por dia, e, quando eu tinha 20 anos, passei uma semana dormindo 30 minutos diários e alguns dias eu não dormia, com todo o furor e sobre jejum eu me postava a desenvolver obras que me faziam ficar alarmantemente inspirado”.

Samba do crioulo doido

O crítico literário Rodrigo Casarin destaca ainda que nos escritos de Bruno Borges, um fator digno de atenção são as personalidades nas quais ele busca inspiração e baseia as suas teorias.

Diz o jornalista: “Em cinco linhas vai de Aristóteles e Platão a Augusto Cury e não vê problema em colocar Gandhi e Adolf Hitler em um mesmo patamar de sabedoria. Michael Jackson também é figura fácil pelo livro. Outro músico ao qual faz referência é Raul Seixas, que, se não aparece explicitamente, claramente inspirou o seguinte trecho que precede a conceituação de elementos que servem de base para a TAC:

“Caso sinta-se distraído ou ache uma tarefa enfadonha estudá-las, o que obviamente não passa de 2 laudas, seria útil ‘perdir-lhe’ somente mais um favor: cerre este livro de uma vez e senta-te sobre o gramado, escancare a tua boca cheia de dentes e espera a morte chegar”. Cópia descarada de “Ouro de Tolo”.