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quarta-feira, 19 de agosto de 2026
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INSS prepara sistema automático para acelerar liberação de benefícios de 336 mil brasileiros

O Ministério da Previdência Social quer acelerar a liberação de benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que foram negados inicialmente, mas depois aprovados em recurso pelo CRPS (Conselho de Recursos da Previdência Social).

Para isso, o ministério pediu ao INSS e à Dataprev a criação de uma solução tecnológica que permita implementar automaticamente as decisões favoráveis aos segurados.

Atualmente, 336,8 mil processos têm decisões favoráveis, mas ainda aguardam a implementação. Os casos podem envolver a concessão de um benefício ou o aumento do valor de uma aposentadoria ou pensão.

Hoje, depois que o CRPS aprova o recurso, o processo vai para uma nova fila. Um servidor do INSS precisa concluir a concessão ou alterar o valor do benefício.

Segurado vence recurso, mas ainda espera pelo benefício

O prazo para o INSS cumprir uma decisão do CRPS era de 30 dias. Neste ano, passou para 60 dias. Mesmo assim, a espera tem sido maior. No segundo trimestre de 2026, o tempo médio na etapa de conclusão chegou a 130 dias.

“Ela [o segurado] ganha, e aí depois [o INSS] passa meses para implementar. É contraproducente, e as pessoas são levadas ao Judiciário. Vamos fazer essa implementação nos próximos meses”, disse o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, à Folha.

A proposta é que o sistema aplique automaticamente os parâmetros definidos pelo CRPS, sem depender de uma nova análise manual.

A mudança ainda não tem prazo definido. Segundo Queiroz, INSS, Dataprev e Ministério da Previdência vão trabalhar juntos para identificar os entraves técnicos.

Processo de recurso no INSS pode levar anos

A espera pela implementação ocorre depois de outras etapas demoradas.

Entre abril e junho de 2026, um recurso levou, em média:

48 dias para ser enviado pelo INSS ao CRPS;
1.413 dias para diligências, como coleta de documentos;
140 dias para o julgamento no conselho;
130 dias na fase de conclusão e implementação.

O governo já discutia desde 2025 uma forma de permitir que as decisões do CRPS fossem aplicadas diretamente, mas a solução ainda não havia saído do papel.

Governo quer reduzir fila e judicialização do INSS

A mudança faz parte da estratégia para reduzir a fila do INSS e evitar que segurados precisem recorrer à Justiça.

A fila de pedidos iniciais chegou a 3,1 milhões de requerimentos no início de 2026. No fim de julho, havia caído para 1,55 milhão.

Dados parciais até 9 de agosto mostram nova redução, para 1,44 milhão de pedidos. Desse total, 317 mil aguardavam resposta havia mais de 45 dias.

O governo pretende zerar o estoque de pedidos atrasados até o fim de setembro.

Enquanto trabalha na mudança do sistema, o INSS mantém o pagamento de bônus aos servidores para acelerar a análise dos processos.

Negativas de benefícios aumentaram em 2026

A queda da fila ocorre ao mesmo tempo em que aumentou a proporção de benefícios negados.

Dados do Beps (Boletim Estatístico da Previdência Social) mostram que a taxa de indeferimento passou de 41,6% em 2025 para 50,5% no primeiro semestre de 2026.

Entre os benefícios por incapacidade, que incluem o auxílio-doença, a taxa subiu de 39% para 53%.

Nos demais benefícios, como aposentadorias e pensões, a taxa ficou em 46,2% no primeiro semestre deste ano, ante 45,9% em 2025.

O ministro nega que o governo esteja ampliando as negativas para reduzir artificialmente a fila. Segundo ele, o número de indeferimentos aumentou junto com o volume de processos concluídos.

A Previdência também informou que 224 peritos foram suspensos após apresentarem índices de negativas considerados muito acima da média. Entre abril e julho, 694 mil pedidos foram indeferidos sem justificativa especificada e precisaram ser reavaliados.