O Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen) e a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) realizaram, nesta terça-feira (9), uma palestra voltada a servidores e homens que cumprem alternativas penais, como parte da campanha 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher. A iniciativa buscou promover reflexão sobre machismo, ciclos de violência e responsabilização masculina — temas centrais para a redução da reincidência entre autores de agressões.
A Semulher tem levado atividades a diversas instituições públicas desde 20 de novembro, quando começou o período de ativismo. A ação no Iapen integra duas frentes consideradas essenciais pelo sistema: a qualificação de servidores e a educação transformadora de pessoas acompanhadas pela Central Integrada de Alternativas Penais (Ciaps).
Reflexão e impacto
Para a coordenadora da Ciaps em Rio Branco, Priscila Oliveira, o alcance da atividade vai além do encontro: “Os 21 dias de ativismo trazem reflexões profundas sobre vulnerabilidades e sobre o ciclo da violência. Quando chegamos a homens que cumprem medidas relacionadas à violência doméstica, ampliamos a possibilidade de mudança real. É um trabalho que impacta trajetórias”.
Entre os servidores, a avaliação também foi positiva. Pablo Arruda destacou a importância da abordagem direta: “É um tema delicado, e muitos homens têm dificuldade de ouvir uma mulher. Mas a palestrante conduziu a discussão de forma clara e necessária”.
A chefe da Divisão de Assistência ao Servidor Penitenciário, Adriana Maia, reforçou que informação é um instrumento de prevenção: “Os casos noticiados diariamente mostram que precisamos falar mais sobre isso. Sensibilizar servidores e homens em alternativas penais é fundamental para evitar novas agressões”.
“Papo de homem”: rompendo ciclos
A palestra foi ministrada por Paula Luane Braga, chefe do Departamento de Ações Temáticas e Psicológicas da Semulher. Ela abordou os pilares da violência de gênero, estruturas sociais que reforçam padrões agressivos e os impactos do machismo.
“Trabalhamos conscientização, responsabilização e sensibilização. Queremos que esses homens se tornem multiplicadores. O machismo atravessa a vida de todos, e entender essas estruturas é essencial para prevenir violência e para reconhecer processos que adoecem os próprios homens”, afirmou.
Educação e prevenção como estratégia de segurança pública
Ao reunir servidores e homens em alternativas penais, Iapen e Semulher reforçam que o enfrentamento à violência contra mulheres depende de cooperação institucional e mudança cultural. Para as duas pastas, ações educativas têm potencial direto na redução da reincidência e na promoção de ambientes mais seguros para mulheres e famílias acreanas.



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